Que Projetos Você Apoia?

Às vezes na vida agimos como espectadores de um grande show, às vezes tomamos as rédeas dos acontecimentos e os fazemos caminharem a nosso favor, ou ainda podemos nos engajar em alguma causa, ajudar algo em que acreditamos.

Sempre tive horror àquele tipo de vida que me faz lembrar um peixe no aquário: aquelas pessoas que se deixam levar, vivem uma vida pela metade – saem de casa, vão trabalhar, onde não desenvolvem nada especial, voltam, tomam banho, jantam, assistem ao jornal e à novela, apenas para fazer o mesmo no dia seguinte e no outro, até chegar o fim de semana. Quando chega, podem sair para o shopping ou para a igreja, ocasionalmente comem fora e compram coisas. Às vezes estão cansados e só ficam em casa.

E assim levam os dias até um feriado ou as férias, quando podem viajar ou não, e ainda assim a vida é um marasmo.

Se o bicho papão de Harry Potter aparecesse para mim, eu veria eu mesma existindo dessa forma. Acho que é a coisa mais horrorizante. Vida de peixe de aquário. Nadando de um lado para o outro, comendo, defecando e dormindo.

Mas, bem, o ser humano é uma coisinha complicada e provida de intelecto. Vida de peixe é um desperdício. Nosso medo da morte vem de um espelho da nossa vida; queremos encontrar um sentido, mas quem busca um sentido? Uma morte não tem sentindo (mas por que temê-la, se a sua vida não tiver?)

Entretanto, como em qualquer aspecto da vida, só nós mesmos podemos fazer algo a respeito; imbuir nossa existência de um significado especial, mesmo que para nós mesmos e para poucos que nos cercam.

Muitos sentem pena dos animais maltratados, mas quantos fazem algo a respeito? (e não venha me dizer que compartilhar imagens horríveis no Facebook, dando origem a correntes piores ainda, é fazer algo a respeito, porque NÃO É). Buscamos maneiras de fazer parecer que estamos engajados em alguma coisa sem levantar nossos traseiros do sofá.

Também não digo que precisamos viver nas ruas em nome da justiça social. Mas, por exemplo, pessoas que trabalham na igreja, de qualquer religião que seja, podem entrar em algum grupo de trabalho social, porque as igrejas naturalmente fazem trabalhos assim: alfabetização de adultos, crianças, idosos, doentes.

Ok, você não gosta dessas coisas. Ongs que cuidam de animais? Ongs do direito da mulher?

Ah, o País está uma merda. Legal, e o que VOCÊ faz para mudar isso? Qualquer um sabe que o maior problema, que dá origem a outros e impede que outros ainda sejam resolvidos? A Educação. Todo mundo sabe disso.

Mas o que eu posso fazer? Isso é problema com o governo.

Ok, começa votando direito. E não é problema do governo porra nenhuma. Se você ensinar seus filhos, sobrinhos etc a respeitar o professor, ensiná-los a usar bibliotecas municipais, incentivá-los a ler, já estará fazendo alguma coisa. E, por experiência própria, as boas influências numa sala de aula atraem a atenção de boa parte de outras crianças.

O que dizer, no entanto, de pais que sequer acompanham o que os filhos estão fazendo nas escolas? (escrevi um longo artigo sobre isso para a FANTÁSTICA).

Enfim, vida de peixe.

Há tantas milhares de coisas para se fazer, que se eu me estender aqui, posso escrever um tratado.

Óbvio que todo mundo tem o direito de preferir a vida de peixe. Só estou apontando, para caso alguém que me leia esteja infeliz com seu cotidiano, o que eu acho que dá sentido, ou empresta alguma forma de significado, à nossa curta passagem pela Terra.

Pesquisa para Escrever e Ideia de um Novo Romance

O reino das ideias tem sido o reino mais real para mim há muito tempo. Desde que me lembro. Um psiquiatra que porventura encontre esse blog poderia me diagnosticar com algum tipo de esquizofrenia, mas E.L. Doctorow tem uma famosa quote atestando que escrever é a única forma socialmente aceitável da doença.

E “real” é diferente de “material”; as ideias só se tornam materiais escrevendo, cantando, pintando, desenhando, dançando, tocando, rabiscando ou realizando qualquer outra forma de expressão artística – por excelência a comunicação de uma ideia, sua materialização. Mas ideias são tão reais quanto alguma coisa pode ser.

E um belo dia tive uma ideia maluquinhas, dessas que aparecem e começam a martelar. Não me lembro se estava lavando a louça, tomando banho ou andando por quarenta minutos entre a Paulista e o meu trabalho – que são alguns dos momentos mais propícios para se ter uma ideia maluquinha, já que é quando não temos nada em especial para nos concentrar que exija muito do cérebro.

E a dita ideia é que meu próximo romance vai ter como cenário temporal a Inquisição.

Ora, não sou formada em História,então tudo o que sei a respeito vem do que aprendi na escola e do que vi em filmes, sendo que o único que me vem à memória claramente é O Nome da Rosa. Ou seja, não sei muito. Na verdade, não sei nada.

É uma boa constatação, sabe, a de que você não sabe nada a respeito de algo, porque é quando costumamos pensar em fazer algo a respeito. Se quero escrever um livro que se passa no período da Inquisição, preciso conhecer melhor a época, os costumes, as pessoas, como pensavam de si a respeito da sociedade, a Igreja, o poder, a economia, a política. É muita coisa para entender.

Minha preferência pelo gênero de literatura fantástica não me permite simplesmente inventar fatos, como alguns acreditam funcionar esse tipo de histórias, até porque, não lembro qual foi o escritor que disse “a ficção precisa fazer sentido, ao contrário da realidade”.

E é muita coisa para aprender antes de começar a escrever de fato. Quero dizer, tenho todo o plot, a ideia geral das personagens, suas funções, sei o que quero transmitir e para onde vai caminhar, mas a fase da pesquisa é necessária. Você não escreve sobre algo que não conhece. Por mais sensacional que uma ideia seja, é a materialização dela que vai chegar às pessoas, então é uma parte importante.

Depois de ponderar, concluí que não teria a capacidade autodidata de conhecer tudo o que precisava para tornar o cenário convicente o bastante sozinha. E foi por isso que pedi à minha querida amiga e professora universitária, historiadora, Nikelen Witter, que fosse minha consultora história. Pedi, convidei, implorei; o que soar melhor.

Mandei para ela as poucas linhas que havia escrito e tudo o que pretendia em traços gerais, para ela avaliar o nível de trabalho. A Nika me recomendou uns dez livros para ler, de períodos diferentes da Inquisição, entre outros de temas mais específicos para a minha história, que não pretendo revelar agora.

Foi quando entendi o tamanho do problema. Surgiram mais perguntas ainda. Em qual século? Em qual fase da Inquisição? Em qual região (porque ainda não havia os países como os conhecemos hoje)? E mais um milhão delas.

Pode até ser que algumas pessoas ficariam desanimadas com a perspectiva de ter tanto trabalho, mas eu, muito pelo contrário, fiquei mais empolgada ainda. É tudo muito rico, muito, muito, MUITO revoltante, e entender que alguns fatos vem daquela época, que algumas coisas que aconteceram naquela época vieram de bem antes… é tudo muito mágico. Mágico como escrever literatura fantástica.

A apaixonante arte de escrever é mais do que isso; é entender o que queremos transmitir e materializar a ideia de uma forma palatável ao público que desejamos atingir.

Preciso confessar apenas que não estou conseguindo ler tão rápido quanto gostaria. Alguns livros sobre a época tem a estranha capacidade de me causar náusea, irritação, indignação e essas coisas maravilhosas que compreender História podem fazer conosco. Se eu conseguir transmitir metade dessas sensações em meu romance, acreditarei ter cumprido meu objetivo.

malleus maleficarum
Capa do Livro Malleus Maleficarum, escrito por inquisidores em 1484

P.S.: conheçam o blog da Nikelen Witter, essa pessoa maravilhosa e inspiradora que me deu a honra de ser minha consultora para uma obra mais ambiciosa que outras.

O Twitter dela é @NikelenWitter, e é um daqueles perfis que não te aborrece seguir, porque não fica floodando a timeline com bobagem. Na verdade, ela costuma postar coisa interessantíssimas, mas isso já dá para notar pelo blog, bem diversificado mas sempre relevante.

Pirataria na Internet – Parte I

Faz tempo que não escrevo para o blog, e acredito que este texto é adequado, porque tenho uma opinião bastante polêminca quanto a esse assunto, que não poderia ser publicada na Revista FANTÁSTICA, por exemplo. Alguns escritores amigos meus concordam, outros discordam veementemente. Quero brincar um pouquinho de advogado do diabo.

Vamos primeiro ao clichê: por que pirataria é ruim?

Os escritores, assim como cantores, compositores, e outros artistas, vendem sua arte como trabalho, e a maioria não consegue tirar sustento dessa atividade. Ora, todos vivemos de nosso trabalho, e o trabalho dos escritores é escrever, o dos intérpretes é cantar, e assim por diante. Infelizmente poucos conseguem prover seu sustento apenas dessas atividades.

A pirataria tem a ver com isso?

Não. Só se pirateia quem faz sucesso, e fazer sucesso é sinal de pelo menos conseguir por o feijão com arroz na mesa todo dia.

O fato é que essas profissões dependem muito da fama que se atinge com o público. Enquanto algumas pessoas passam incógnitas em seus universos profissionais, o cantor, o ator, a escritor, dependem inteiramente do público. E justamente por isso que não concordo quando alguém fala que alguma banda “se vendeu”, mas isto é discussão para outro artigo.

A pirataria faz algo que é realmente abominável: pega o trabalho de uma pessoa e o disponibiliza gratuitamente, principalmente na internet. É muito fácil pensar em piratear um software sem pensar em todas as pessoas envolvidas em sua criação, afinal “é muito caro pra comprar, então nada mais justo”. Não se pensa nas razões do alto custo, embora vivamos numa economia de mercado, que tem justificativa para todas as etiquetas.

Ninguém pensa, por exemplo, que, ao piratear uma música, está agindo como um senhor de escravos. Afinal, piratear é usufruir do trabalho de uma pessoa de graça. E ninguém que pirateia jamais pensaria em trabalhar de graça. Todos querem seu salário no final do mês, por menor que seja, como recompensa pelas suas oito horas diárias de trabalho. E parece fácil cantar, ou escrever. Na verdade, qualquer trabalho é muito fácil quando não é você que o executa.

Mas os cantores ainda tem uma vantagem sobre os escritores. Afinal, mesmo tendo seus discos pirateados, podem cobrar uma valor altíssimo pelo show, e sempre haverá pessoas para comprar os ingressos. Os escritores tem somente seus livros para vender. Argumenta-se que é caro, mas realmente. 40 reais é o preço médio de um livro nacional, que tem tiragens bem menores que os grandes best-sellers internacionais.

Bem, quantas pessoas gastam apenas 40 reais numa saída para a balada? Porque, dependendo do lugar e do sexo do indivíduo, esse é o valor da entrada.

O problema está no valor que vemos nas coisas. O peso que colocamos à balança.

Então alguns autores fazem rios de dinheiro com suas vendas, pois a alta tiragem permite um custo final ao leitor bem menor. Há excelentes livros por 10 reais nessas promoções que vemos todos os dias em sites como o Submarino.

Bem, nem todos os autores pirateados fazem rios de dinheiro, mas boa parte tem tiragens razoáveis e consegue sobreviver de direitos autorais.

E então, pirataria é ruim?

Claro. Todos os argumentos de que falei acima (que, aliás, nem são meus, são uma bela compilação de tudo o que já ouvi e li a respeito) provam que sim. Pirataria é ruim com uma certeza matemática.

Será?

Para autores nacionais, especialmente os recém-lançados, penso que é uma oportunidade. Há alguns amigos meus que pensam o mesmo que vou expor a seguir.

Alguém que não gosta de ler, ou não quer ‘gastar’ dinheiro de qualquer modo, não vai comprar o livro. Não vai, e não adianta discutir. Agora, há dois caminhos: a pessoa não vai conhecer nenhum livro lançado, perderá as boas leituras que surgem a todo momento e seguirá sua vida. OU encontrará um livro perdido em algum recanto obscuro da web, poderá criar curiosidade e quem sabe, baixar a versão ruim pirateada, geralmente um scan não tão agradável.

Aí reside uma oportunidade.

Suponhamos que essa pessoa comece a ler e goste da história. Ela pode ler tudo no computador e nunca mais pensar no livro. Com certeza isso acontece bastante. Mas ela conhecerá o livro e seu autor. Haverá outros livros expostos em seu caminho, e há a possibilidade do interesse por um impresso, porque pouquíssimas pessoas suportam ler no computador.

Há outra hipótese. A pessoa pode amar o começo do livro, não suportar ler no computador e parar. Mas, num dia chuvoso quando não houver outro lugar em que entrar a não ser uma livraria no caminho, o livro em questão pode saltar a seus olhos na prateleira. Ela pode ou não comprá-lo, depedendo de sua situação financeira, ou do quanto gostou da história.

Ou pode ler, odiar e nem querer mais ouvir falar de livro e autor.

Mas, já dizia Einstein, no centro de cada possibilidade repousa a oportunidade. Um autor nacional recém lançado pode guardar seu livro para si e caçar todos os sites que porventura possam querer disponibilizá-lo gratuitamente, pedindo para retirarem o download do ar. Assim, pode ter certeza de que receberá o valor de todos os seus livros vendidos, que, com sorte, chegará a cem reais.

É muito horrível dizer isso?

A menos que o autor ou a editora tenha um bom dinheiro para investir em marketing, o livro não será conhecido, não estará nas prateleiras, portanto não será visto e muito menos comprado. Então, os 10% do valor de capa dos exemplares vendidos a amigos e família podem dar uns cem reais.

Cenário obscuro?

A verdade é que considero a disponibilização de textos nacionais recém-lançados, ao menos em parte, uma forma de divulgação rápida e barata. Há várias ferramentas na internet que permitem muitas formas de divulgação de textos, e mesmo algumas plataformas, de forma gratuita.

A maior parte dos escritores em início de carreira trabalha em outra coisa para se sustentar, e insiste em escrever, contra todas as dificuldades, das quais a falta de tempo é apenas uma delas. Você quer ser recompensado pelo seu trabalho, e nada mais justo, entretanto, há que se considerar que, a rigor, ninguém pediu o seu trabalho. Você o realiza e oferece. As pessoas tem o direito de querer conhecê-lo ou não.

Aí um dia alguém lê, acha interessante e resolve perder o tempo dela para disponobilizar o que você fez na internet. Alguma pessoas sentem-se ultrajadas; outras ficam quase lisonjeadas. Piratear dá trabalho, e, se ninguém conhece o que você fez, a única outra razão para isso seria, supostamente, terem apreciado o que você fez? Ou não?

Em algum momento, se seu livro, conto etc, for realmente bom, existe aquela chance de editoras saberem que existe justamente por causa dessa prática ofensiva, quererem publicá-lo, talvez até de outros países lusófonos.

Obviamente uma forma de fazer isso sem piratear são as disponibilizações de teasers, com os primeiros capítulos de um lançamento. É uma prática comum e bastante inteligente.

Eu poderia lançar milhares de argumentos contra a pirataria, e outros milhares a favor. Mas queria pensar em alguma coisa: dificilmente o autor é quem ganha mais no combate à pirataria. Também não se pode pensar apenas no autor, afinal há muitos outros profissionais envolvidos no processo de publicação, e todos eles tem salários. A empresa – a editora – não é casa de caridade, e precisa se pagar também. Mas não é fato que, se o preço fosse mais acessível, haveria chances maiores das pessoas comprarem o produto original, e aqui falo também com a indústria audiovis (ainda que eu deva reiterar que, numa economia de mercado, o preço das coisas nunca é tirado da cartola).

Sobre o preço dos livros, recomendo fortemente o artigo de Richard Diegues na Revista FANTÁSTICA.

E, falando em pirataria, redução de preços dos livros etc, pretendo escrever meu próximo artigo sobre e-books, a vinda da Amazon pro Brasil e esses temas superlegais e polêmicos do momento.

Acredito que voltarei a escrever semanalmente.

Desenho Stop SOPA

Encontrei esta imagem de protesto contra a SOPA neste link.

Do Poder de um Diário, Livros Bons e Cliente de TCC

Hoje: porque recomendo escritores fazerem uso de um diário (aquela coisinha adolescente de que todo mundo debocha), últimos livros bons que li e por que são bons e meu adorado cliente de TCC.

 

Diário na Vida de um Escritor

Fazia anos que eu não tinha um diário. Um belo dia estava fazendo a limpa no meu armário de livros, coisas da faculdade e anotações baderneiras sobre meus livros e encontrei o últi. Abri aquele sorriso de lado que denunciava que aquela porcaria iria para o lixo, mas abri para ler. Fiquei impressionada de ler coisas que senti em determinadas situações de anos atrás.çao sei explicar o fascínio de ler experiências suas na visão de outra pessoa.

Outra pessoa?

É.

Porque, quando me lembro de certas coisas hoje em dia, dou risada, ou faço caretas de desgosto, mas são lembranças indefesas sendo destroçadas pela mente que tenho hoje, depois de muito tempo. Na época do diário, algo que para mim hoje é ridículo rivalizaria com uma tragédia de Shakespeare. O tempo mexe em coisas de dimensões astronômicas e as transforma em acontecimentos incômodos, ou risíveis. O passado só é completamente passado se for assim.

O diário Jane Austen é mini

Mas porque falei do diário na vida de um escritor? Porque enxergar o que eu era naqueles tempos me fez ter outra dimensão de mim mesma. Parece supercomplicado e superfilosófico, mas não é. É bobo e infantil, e por isso mesmo glorioso. Você vê as coisas de modo diferente e isso é um dos melhores materiais com que um escritor pode montar sua oficina de ideias intracraniana.

Aí alguns meses depois de minha descoberta (tipo, semana passada), fui na Livraria Cultura Arte do Conjunto Nacional, que tem aqueles caderninhos-fetiche de qualquer profissional da comunicação, dentre os quais Moleskines estão incluídos, mesmo não sendo os únicos, e fui fuças. Aqueles que tem quotes de autores consagrados sempre estiveram dentre os meus preferidos.

Peguei nas mãos um do Oscar Wilde, que tem a quote: “I never travel without my diary. One should always have something sensational to read in the train.” Em tradução livre: eu nunca viajo sem meu diário. Uma pessoa sempre deve ter algo sensacional para ler no trem. É, soa presunçoso, mas ele era o Oscar Wilde, então na verdade é apenas atestar o óbvio. Não peguei esse, porque meus olhos bateram no da Jane Austen: “Let other pens dwell on guilt and misery”. Eu fiquei olhando para aquela quote com cara de peixe morto durante alguns minutos. Como é possível uma frase tão curta resumir todos os sentimentos que eu tenho em relação a escrever? Em tradução LIVRE: “deixe que outras canetas discorram sobre culpa e tristeza”.

PARÊNTESE (você sabe que a tradução literal de cada palavra não condiz com o que eu escrevi? Você não é @ únic@. Tentei preservar o sentido da frase, embora eu não tenha chegado nem perto. Daria para escrever melhor? Provavelmente, mas existem milhares de formas para se traduzir essa frase, e o que prezo é que o leitor de língua portuguesa apenas consiga entender o que ela quis dizer).

O diário do Allan Poe tem quase o tamanho de um caderno pequeno

Dias depois comprei um maior, do Edgar Allan Poe, porque amo gênios, e separei: o da Jane Austen para tudo e o do Allan Poe para minhas cirações literárias. É que as criações literárias fazem parte de outro universo, que não deve ser misturado ao originalmente ‘real’ (embora possamos discutir opiniões divergentes outro dia).

Mas o que quero dizer: o diário do cotidiano um dia vai servir para eu me entender e entender uma época da minha vida de forma fria e analítica. O da criação tem uma fução BÁRBARA e MÁGICA. Quando começo a escrever sobre minhas ideias cruas, elas dançam na minha cabeça um ballet descoreografado e vão se colocar graciosamente no papel. Ideias novas aparecem quando a caneta risca folha, e as antigas tomam novas formas. De repente, eu compreendo o milagre da minha cabeça, mesmo que não em sua totalidade.

E se você é escritor e acha que só falei bobagem, ou nunca se entregou completamente ao seu diário, ou nunca nem começou um.

 

Livros que são tão Bons que me Comovem

Bom, minha cruzada para encontrar bons livros nacionais às vezes atropela muita coisa ruim, mas encontro pérolas que fazem meu coração acelerar e instantaneamente me apaixonar pelo autor, ainda que não o conheça pessoalmente, ou que conheça pouco.

Já tinha acontecido com o primor Cyber Brasiliana, de Richard Diegues, que foi o programa de estreia do Indicações Fantásticas. Depois, aconteceu com Anjo – A Face do Mal, cuja falta de mão do editor me deu muita raiva, algo que não me fez julgar mal o livro.

Cyber Brasiliana, de Richard Diegues, pela Tarja Editorial

Eu tinha gostado muito de Cira e o Velho, do Walter Tierno, mas andei relendo esses dias e descobri que ele não é só legal, ou bom, mas que é SENSACIONAL. Acho que me faltava maturidade quando li da primeira vez. Ou seja, é um convidado para o Indicações Fantásticas, e deverá participar do 5º programa (ainda estou sofrendo de falta de câmera para gravação, e não gosto da ideia de entregar um vídeo de webcam para o público. Prefiro esperar e resolver isso).

Poster da Capa da 2ª Edição de Cira e o Velho, de Walter Tierno, pela Giz Editorial

Fuga de Rigel, do Diogo de Souza, está marcao para ser o próximo HÁ MESES, e juro que vai sair ainda esse ano. Vou dar um jeito, prometo. A resenha demonstrou bem a verdade: foi um dos primeiros nacionais que me encantou.

Capa do livro Fuga de Rigel, de Diogo de Souza, pela Editora Isis

Agora, não fiz resenha de um livro fantástico que li, mas não suporto a ideia de não falar dele a vocês. Não, continuarei não fazendo resenha do dito cujo, porque não me acho digna de falar dele. Não tenho capacidade de elogiar em palavras humanas Reino das Névoas – Contos de Fadas para Adultos, da autora Camila Fernandes. Estará no 4º Indicações Fantásticas, e provavelmente estarei mais enfática do que de costume nos vídeos (piadas preparadas, eu sei que sou uma caricatura em pessoa falando). Eu só posso dizer uma coisa: quem comprar esse livro não vai se arrepender. Não existe forma de não gostar dele. Você pode não gostar de conos, de contos de fadas, de coisas que contenham conteúdo adulto, mas VAI GOSTAR desse livro. Simplesmente pue ele pega as suas expectativas e destrói todas elas com um sopro de fada, que é escrita da autora. Nada é de mais e nem de menos. Não tem exagero nem eufemismo. É na medida certa.

Se alguém me apontasse uma arma na cabeça e me dissesse para indicar um livro bom ou eu morreria, e eu não fizesse a menor ideia do que o cara gostasse de ler, ou SE ele gostasse de ler, indicaria Reino das Névoas. Simples assim.

Estou exagerando? Compre o livro, leia e depois conversaremos.

Capa de Reino das Névoas, feita pela própria autora, Camila Fernandes, que também fez as ilustrações internas. Saiu pela Tarja Editorial.

A única hipótese de um ser humano não gostar desse livro é ser um autor frustrado que não sabe escrever sentindo muita inveja.

Última aquisição: Tempos de AlgóriA, de Richard Diegues. Ainda estou na metade, mas estou encantada com a aparente simplicidade. Digo aparente porque é um livro gostoso e fácil de ler, as tramas fazem sentido na sua cabeça, e são tão reais quanto só a boa ficção sabe ser. A intenção do livro é ser um infantil que adultos possam ler de forma diferente e receber mensagens diferentes da que as crianças receberiam. Até onde posso dizer, essa meta está sendo brilhantemente atingida.

E só um profissional muito bom tem a capacidade de fazer parecer simples algo extremamente complexo como criar um mundo – um universo – totalmente diferente, criar identificação do leitor com esse universo, e ainda fazê-lo simples de entender.

Tempos de AlgóriA, de Richard Diegues, pela Tarja Editorial

 

PAUSA PARA REFLEXÃO.

Andei ouvindo/lendo comentários e indiretas de que sou uma puxa-saco. Devo dizer: eu SEMPRE elogio quando o trabalho merece ser elogiado, e elogio com toda a admiração que sou capaz de demonstrar, porque são pouquíssimas as pessoas no mundo inteiro que trabalham bem em suas áreas respectuivas. Se você achou isso absurdo, é porque a verdade dói.

E puxar saco é para quem precisa disso.

 

Cliente de TCC

Como estudante do último ano do curso de Publicidade e Propaganda, o Trabalho de Conclusão de Curso surgiu sobre mim. A proposta do TCC de PP é criar uma campanha completa para cliente real, inclusive com contrato assinado com a faculdade. Como sempre tendi a unir minhas paixões, é ÓBVIO que eu iria escolher uma editora.

Ponderei várias coisas: deveria ser alguém que fizesse trabalho de EDITORA, não de mera tradutora e distribuidora, portanto teria que publicar autores nacionais com frequência em seus catálogos. Seria bom ser de São Paulo, já que precisamos ter contato com o cliente. Precisaria ser de alguém que QUER ajuda – e esta parte dispensa comentários. Deveria ser alguém cujo catálogo aprecio, porque certos princípios éticos me fazem querer promover coisas boas, já que promover coisas ruins só afundaria mais ainda a literatura nacional como um todo.

Então convidei a Tarja Editorial para ser minha cliente de TCC e eles toparam na hora. Estou honrada em trabalhar com eles nesse momento tão importante da minha vida, e quanto mais sei da editora, mais encantada fico. Dentre os livros que já citei no blog, estão no catálogo deles Cyber Brasiliana, Reino das Névoas e Tempos de AlgóriA. Vou ler o catálogo inteiro até o fim do TCC, então não estranhem se eu começar a indicar muitos livros de lá.

Quando é bom eu indico. Quando é ruim vocês nem ouvem dizer que eu li. Essa é minha filosofia atual.

Entrevistas no Fantasticon 2011

Para quem não sabe, eu faço parte da equipe da Revista FANTÁSTICA, meu xodozinho, e realizei entrevistas com diversos autores que estavam por lá mas que não tinham participação em nenhuma das palestras.

Infelizmente não consegui entrevistar todos os autores, nem todos os editores presentes, mas com estes já dá para ter uma ideia.

Entrevista com Alexandre Herédia, autor de Predadores e a sequência, Emboscada, e do romance histórico O Legado Battori, pela Tarja Editorial.

 

Entrevista com Camila Fernandes, que lançou seu primeiro romance, o audacioso Reino das Névoas – Contos de Fadas para Adultos, pela tarja Editorial.

 

Entrevista com a Cris Lasaitis, autora de Fábulas do Tempo e da Eternidade e uma das organizadoras da antologia A Fantástica Literatura Queer, de temática que propõe a discussão da diversidade sexual (li o volume vermelho, e está impecável), também pela Tarja Editorial.

 

Entrevista com Claudio Villa, autor de Mundos de Mirr e do lançamento da Llyr Editorial, O Vento Norte. Aliás, você pode ver o booktrailer aqui.

 

Entrevista com Felipe Santos, autor de O Preço da Imortalidade, pelo selo Novos Talentos da Novo Século.

 

Entrevista com Marcelo Amado, editor da Estronho. Sucessode público essa :D

 

Entrevista com Ana Lúcia Merege, autora de O Castelo das Águias pela Editora Draco e prefaciadora da coletânea Eu Acredito, sobre fadas, que sairá pela Etora Literata.

 

Entrevista com Marcelo Pachoalin, autor de A Última Dama do Fogo e Eriana – Filha da Vida e da Morte, pela Editora Literata.

 

Faltam subir alguns vídeos ainda: os da Nana Poetisa, Nelson Magrini e Gabriel Burani. Não esqueci deles. É que estão pesados e está difícil subir em menos de SEIS HORAS¬¬

Marketing Literário Digital

Agora é quase óbvio, porque, salvo ações de editoras grandes no metrô (ao menos de SP), o marketing literário brasileiro é quase totalmente digital.

Em parte por causa da pouca verba. As pessoas ficam sob a impressão de que, como a internet é um meio barato é só enfiar qualquer coisa lá e isso vai fazer a obra vender (não só livros, mas músicas e outras produções de conteúdo).

É bom perceber que as grandes campanhas digitais tem uma verba quase tão pesada quando para mídias offline. Campanhas como a da Vivo para o Dia dos Namorados, que gerou um buzz absurdo,  além de ter o apoio da televisão, foi patrocinada no Youtube.

Campanhas como a do Pottermore, nova experiência online da série de JK Rowling, teve um investimento pesadíssimo, tanto na formação do site (inclusive pela parceria com a Sony) quanto na divulgação.E, é claro, coisas assim geram mídia espontânea em veículos offline.

O que isso tudo significa? Que não é pra ficar infeliz se o seu booktrailer feito em moviemaker não atingir 4 milhões de visitas em dois dias.  O fato de existir a possibilidade de ter uma divulgação espontânea em teia na web não quer dizer que isso será uma probabilidade.

Mas então, com pouca ou nenhuma verba é impossível fazer uma campanha de marketing digital?

Eu não disse isso.

Falamos em investimentos mínimos. Todo mundo sabe que o Facebook tem possibilidades de divulgação, que o Twitter permite que várias pessoas cheguem a você e vice-versa, que o Youtube consegue criar fenômenos. Mas você há de convir que, se fosse tão fácil, todo mundo seria genial e fenômeno do enriquecimento rápido.

O que falta? Por que alguns conseguem e outros não?

Pioneirismo é uma coisa boa. Reciclar uma ideia, montar um formato novo, mesmo coisas simples podem gerar curiosidade e, dependendo do conteúdo, causar empatia com o público. Felipe Neto que o diga.

Existem vários outros fatores, mas prefiro me ater àquilo de que sei falar.

Sendo uma área muito nova o marketing em mídias sociais, não podemos falar em “profissionais especialistas”, que é meu discurso preferido. Já que é um acontecimento muito recente, a rigor estamos todos descobrindo as possibilidades das mídias sociais.

A diferença é que um profissional da Publicidade, Propaganda e Marketing já está acostumado a trabalhar essas mudanças e a buscar alternativas nos mais diversos meios. Basta muitas referências, cérebro treinado para associação de ideias e voilà: você tem um especialista em mídias sociais.

Por que estou falando delas?

Porque, para autores iniciantes que não tem muito dinheiro para investir em publicidade, ações em livraria e anúncios em sites, elas são mesmo a melhor opção.

Já escrevi no meu artigo sobre mídias sociais, e naquele sobre marketing literário, e pincelei em vários outros, que temos que tomar muito cuidado para não parecermos muito vendedores 100% do tempo. Ficar dizendo que está na promoção, que é muito bom, tantas pessoas leram e gostaram, causa tédio e, eventualmente, unfollows e desfazer curtir’s.

Tudo isso para dizer que pretendo postar pequenas dicas ao longo do tempo por aqui (e podem servir para músicos, produtores de filme e teatro, fotógrafos e demais produtores de conteúdo).

Uma dica interessante com que cruzei essa semana no trabalho é o “pay with a tweet”, um novo sistema em que a moeda de pagamento é o buzz. O vídeo e a divulgação estão em inglês, mas vale a pena dar uma olhada aqui, se você consegue entender.

Pra resumir, a ferramenta permite você vender conteúdo (use a criatividade: singles de álbuns originais, capítulos promocionais de livros…) pelo preço de um tweet. Qualquer pessoa tweeta, é fácil, nem parece um pagamento. Mas isso gera comentários na rede e permite fazer crescer o conhecimento do seu produto ou serviço.

Mas isso sozinho, será que é suficiente?

*momento propaganda* Estou fazendo freelas de marketing literário (digital ou não) e marketing digital de conteúdo.

E meu TCC será de uma editora. Deixa eu ter a carta do cliente assinada com a faculdade que eu conto do que se trata.

Princípio de Igualdade – Breves Esclarecimentos

Olha, eu não sou advogada de Constitucional, mas é uma das primeiras coisas que se aprende numa faculdade de Direito e se ouve durante o primeiro semestre inteiro. Ainda amava Fundamentos do Direito Público, que é o precursor de Direito Constitucional (pra quem não sabe, larguei Direito no segundo ano and I don’t regret it).

Eu vejo no Twitter, no Facebook, nas discussões de mesas de bar… sempre a mesma merda: o princípio básico constitucional sendo usado pra justificar as ideias mais estúpidas possíveis.

Qualquer coisinha a pessoa já vira e fala: “Somos todos iguais perante a Lei. Cadê a igualdade?” Não faça isso com você mesm@. Não citem esse direito fundamental pra embasar suas ideias estúpidas e preconceituosas, que surgem no meio das comparações mais absurdas, como, por exemplo, ser contra a Lei Maria da Penha, ser contra os direitos gays…

Explico. O princípio da igualdade começa em “Todos são iguais perante a Lei”, lá no caput do artigo 5º da Constituição Federal. Sabe o que isso quer dizer? Que a Lei deve tornar todas as pessoas iguais, já que elas não são. Isso mesmo. Esse princípio consiste em “tratar os iguais com igualdade e os desiguais com desigualdade”.

Parece difícil?

Por exemplo, a Lei Maria da Penha. Uma mulher não é igual em força física a um homem. Alguém discorda disso? Mas a Lei tem a obrigação de tornar todos iguais. Portanto cria-se uma lei para defender a mulher da violência doméstica, como contrapeso à força física superior masculina.

Ah, agora faz mais sentido.

Outro exemplo, que meu tio citou, numa discussão anos atrás, o princípio da igualdade e me deixou morrendo de vergonha alheia. Olha o naipe: “Se um promotor de Penal pode ter porte de arma, por que eu não posso? A Constituição garante igualdade.” Meu tio é médico. Tipo…. AHN? Na própria pergunta ele já respondeu! Um médico de clínica não sofre o mesmo perigo que um promotor da esfera criminal, correto? Então o promotor pode ter porte de arma.

Existem muitos exemplos mais. Vou encerrar por aqui. Vergonha alheia apitando muito.

Coleguinhas e professores de Direito, sintam-se à vontade pra me corrigir ou completar a explicação nos comentários.

Comunicação Digital e Texto Eletrônico

É o nome da matéria pra que fiz prova substitutiva hoje. Profª Dra. (em SEMIÓTICA, PELAMORDEDEUS!) Cândida Almeida. Ela me disse para colocar tirar cópia do texto e postar no blog depois de ler. Disse que daria um bom post. Aí fui obrigada a concordar. Segue na íntegra.

 

Atualmente a comunicação expandiu-se de tal forma na teia interativa que é uma difícil missão enxergar o horizonte das possibilidades. Cada dia surgem novas formas de comunicar, receber conteúdo e gerar informação.

Os blogs e as mídias sociais são um excelente exemplo de como qualquer internauta pode criar conteúdo, interagir com o de outro. Mesmo grandes portais de informação agora abrem espaço para comentários nas notícias e colunas, como é o caso da versão online da Folha de SP.

Aliás, observando a tendência da expansão do hipertexto, grandes veículos de mídia tradicionais estão migrando parte de seu conteúdo para formatos hipermidiáticos, por exemplo os jornais, revistas de notícias, emissoras de televisão e de rádio, tudo para buscar o internauta. Afinal, não é raro nos dias de hoje, especialmente nos grandes centros urbanos, haver pessoas que ão assistem televisão com frequência, leem notícias no portal da emissora ou jornal. É um conteúdo de fácil acesso: quem está preso no trânsito pode aproveitar para ler no celular. Prestando atenção na tendência das plataformas mobile, vários veículos criaram projetos de hipermídia especiais para este formato.

E, com isso, é claro que o mundo publicitário vem escavando ideias para alcançar o universo internauta.

As mídias sociais possibilitam manter contato com pessoas que de outra forma ficariam perdidas no passado, e conhecer outras de várias partes do mundo, trocar cultura, unir meio planeta para derrubar um governo totalitário na Líbia ou arrecadar ajuda financeira para vítimas de um desastre natural no Japão.

E o que isso tudo quer dizer?

Vimos sofrendo um processo de globalização, que é acelerado e facilitado pelo meio digital. Há aqueles que são contra, por causa da universalização das culturas, reduzindo as culturas locais a quase nada. Por outro lado, a possibilidade de conhecer diferentes traços culturais cria compreensão e, com ela, sensível diminuição de preconceitos.

O mundo inteiro dentro da tela do computador, onde todos podem ter voz, bastando apenas encontrar identificação para ser escutado.

Projeto Indicações Fantásticas

Aqui estou porque no sábado, dia 07 de maio, gravei o primeiro vídeo (que será o segundo a ir pro ar, do meu novo programa na Revista Fantástica (www.revistafantastica.com –> novo site em breve).

Queria dizer que foi demais.

Primeiro, porque aconteceu no lançamento de Asgard – A Saga dos Nove Reinos, uma coletânea de contos vikings, organizado pela Soira Celestino e Evandro Guerra. A capa ficou show:

Capa de Asgard - A Saga dos Nove Reinos

Enfim, encontrei uma galera conhecidíssima lá, mas só vou contar detalhes no post de cobertura do evento da FANTÁSTICA. Vai entrar no ar junto com o site novo, então vocês vão precisar esperar um tantinho.

Minha ideia para o Indicações Fantásticas é pegar livros – nacionais – que li e achei um ultraje não serem best-sellers. Ou seja, não adianta me mandarem livros pra ler, que eu não vou dizer que gostei. Aliás, alguns livros que achei ótimos mesmo não vão entrar no programa.

Por quê? Os livros que entrarão na série de vídeos são os que acredito serem uma boa porta de entrada dos leitores para o universo na literatura de gênero nacional.

Já me disseram que isso é muito relativo, que só a minha opinião não pode definir isso. Bom, por essa razão é o meu vídeo, com as indicações do que eu achei. Qualquer blog indica livros, só pelo fato de classificá-los como bons ou ruins, e as pessoas que leem e acompanham se identificam com o blogueiro que fala, por isso o seguem.

O Indicações Fantásticas vai funcionar do mesmo jeito, só que em formato de vídeo e com participação do autor numa minientrevista.

Sério, é muito divertido. Já peguei o vídeo e comecei a editar, e está show. Lembro que sou entusiasta porque AMEI o livro (Anjo – A Face do Mal, do Nelson Magrini). Nesta quarta-feira gravarei o programa número 1, com o Richard Diegues.

Estão previstos para ficarem no ar por uma quinzena. Então, amados que me acompanham, quando eu liberar os primeiros vídeos, vocês me ajudam a divulgar?

Eu, Carol, e Nelson Magrini

O livro de que falamos na entrevista (e vou ler os outros dois livros do autor):

Capa de Anjo - A Face do Mal, de Nelson Magrini

Desde já adianto a mensagem principal do vídeo: LEIAM! É muuuuuito bom! Vocês não sabem o que estão perdendo.

Resenha do livro Anjo – A Face do Mal, de Nelson Magrini

Nacional Recomendado

Eu vi o livro na prateleira do estande da Livraria Selecta na Bienal de São José dos Campos. Ele olhou para mim e disse: “Lê só a sinopse. Por favor. Não faz mal.” Eu peguei e li o que estava lá na quarta capa. Aquele textozinho inocente que é o anúncio do livro.

Aí f****.

Eu TIVE que comprar. Tive que comprar do mesmo jeito que eu tive que respirar. Por quê? Porque o Lu é o protagonista. Porque a sinopse estava boa. Porque eu gosto de histórias do Portador da Luz, ué. Principalmente aquelas em que ele não é malvado. Mas também gosto daquelas em que ele é malvado, tipo em Sandman.

Whatever.

Eu comecei a ler o livro assim que cheguei em casa. E só não li em sete horas como foi com outros porque simplesmente eu tinha trabalhos da facu pra entregar. Ele teve que se contentar com as minhas duas horas de ônibus na ida e na volta.

Mas vamos ao que interessa. Pelamordedeus, POR QUE ESSE LIVRO NÃO ESTÁ NA PRATELEIRA DOS MAIS VENDIDOS DA SARAIVA?

Juro, cada página que eu virava essa pergunta ficava rondando, incômoda, igual uma abelha.

História bem estruturada. O autor, Nelson Magrini, além de tudo, conseguiu falar da criação do universo de modo científico e espiritual ao mesmo tempo, e não consigo pensar em outra palavra para seus esforços que não ‘sensacional’. Aliás, essa palavra é insuficiente. Mas é o que tem pra hoje.

O mistério é daqueles que você não consegue parar de ler. Dá até uma revoltinha. Mas que raios de luz é essa? Qual é o problema dela?

E o Lu é o cara. Sério, acho que pra alguém saber o que é um anti-herói tem que dar uma lida nesse Lu.

E a mistura das tramas entre o Céu, o Inferno e a Terra, e o modo como elas se intercalam… Tudo faz tanto sentido que você poderia acreditar em um cenário semelhante.

Além da maestria em dizer que todas as religiões estão certas – porque conhecem uma parte da verdade – e que todas estão erradas – porque desconhecem todos os mistérios do Astral.

Eu não sei mais o que falar. Fiquei me sentindo meio tonta, e demorei a soltar esta resenha, porque eu simplesmente não conseguia transpor em palavras o quanto gostei do livro.

Apenas para referência: eu nunca releio livros.Não tenho paciência. Este foi o primeiro que eu terminei e quis reler imediatamente. Já está na fila. Vou reler assim que terminar os que comprei e já estão em casa.

E então vocês me perguntam: “Caramba, Carol, você só elogia os livros? Que puxa-saco você”. E eu respondo: “Se eu não tenho algo de bom a falar de algum livro que tenha lido, eu NÃO RESENHO, porque tenho mais o que fazer do que ficar detonando livros ruins por aí. Como ler livros bons.”

E tenho dito.

Só um porém. Eu comprei a 2ª edição da Novo Século. É lindo, a capa está aí embaixo.

Capa de Anjo - A Face do Mal, de Nelson Magrini

Mas faça um favorzinho, editor: dê uma lida no texto e revise a parte textual. Gramática ok, revisão ok (os 3 ou 4 erros de digitação que todo livro tem não podem ser contados), mas o texto precisa um pouco da mão de um editor que não tenha vivido com a obra desde o começo.

Independentemente disso, essa pequena observação não muda o fato de que a narrativa é ótima, a ideia é fantástica e tudo junto virou uma masterpiece.