Fantasticon – Oficina do Vianco

Conforme prometido, vou falar um pouquinho sobre como foi a oficina do André Vianco no IV Fantasticon. Aconteceu entre 11h e 13h do domingo, dia 29 de agosto.

Bom, segundo ele, estava morrendo de sono por causa do ritmo alucinado das filmagens (vide link do blog dele na minha página inicial), mas eu cheguei 9h30 e já tinha gente na fila, esperando. A Biblioteca nem tinha aberto ainda. Ficamos esperando até quase onze oras mesmo. Eu era a 82ª inscrita para a oficina, e estava na lista de espera (notem que a oficina era gratuita, mas precisávamos nos inscrever porque o número de pessoas esperadas era grande, ou pelo menos assim imagino.

O André Vianco chegou umas dez e meia, quinze pras onze, e cumprimentou o pessoal na fila. Continuamos esperando do lado de fora, até que abriram e fomos para a entrada da sala da oficina, e tinham um milhão de listas nas mãos (Eliane Galucci, tradutora muito simpática, que teve de lidar com uma galera ansiosa, parabéns!).

Bom, vamos falar da oficina em si. O Vianco falou um monte de coisas, e  espero que ele me perdoe se eu errar a ordem as coisas, não pretendo reproduzir as palavras exatas, mas as ideias.

A primeira ideia que ele passou foi sobre a paixão de escrever. Basicamente, se escrever não for a coisa mais importante da nossa vida, algo de que gostamos e a que nos dedicamos integralmente, não teremos êxito se quisermos seguir carreira como escritores e viver de direitos autorais. Engraçado que ele falou com muita calma que não existe o menor problema em adorar escrever e encarar isso como hobby.

Vianco mencionou o talento como algo fundamental para que o escritor deixe o hobby e encare o escrever como uma profissão. Essa parte sobre ‘talento’ engloba várias coisas, acho. Porque ele disse que, por mais que escrevamos bem e tenhamos uma ideia sensacional, se não tivermos um talento especial para contar histórias, escrever será sempre um hobby.

Outra coisa interessantíssima que ele falou, bem o que eu penso desde que comecei a me dedicar à contação de histórias, é que, antes de começar a escrever, devemos pensar no que temos de diferente para contar. Há vários clichês para cada gênero de literatura, e na fantástica não seria diferente, e precisamos respeitá-los para que o público não perca o interesse. A forma de contar, a história proposta é que devem conter uma diferença que valha a pena escrever.

A verossimilhança é muito importante para haver identificação do público. Ou pela ambientação, que pode ser real apesar da temática fantasiosa, ou pelo tratamento de temas universais da humanidade (amor, morte, amizade etc), no caso de histórias que se passem num mundo inteiro fantasioso.

Bom, o meu caso é totalmente o segundo.

Isso à parte, ele falou sobre criar a bio da personagem, para dar veracidade à história, saber por que cada persona age e reage de um modo a diversas situações em sua vida. E fazer isso com os protagonistas e com aqueles que cercam o protagonista.

Quem disse que escrever é fácil?

Mas é a melhor parte!

Ah, e o Vianco disse que, depois de escrever tudo a primeira vez, é bom revisar uma ou duas. E mais de duas é paranoia. Faz muito sentido, né, porque uma pessoa não pode achar que a história está perfeita da primeira vez que ela escreve. É preciso amarrar bem os fatos, as personagens, ver se tem sentido cada um falar ou agir de que forma, entre tantas outras coisas a serem observadas. Segundo ele, a parte mais gostosa do trabalho.

Adoro fazer isso também, mas acho que criar personagens é mais fantástico. Se bem que ler a sua própria história e ir arrumando aos poucos é uma delícia mesmo. Dá um orgulho.

Bom, nós metralhamos o André Vianco com perguntas de todos os gêneros, e, fora eu não ter conseguido pensar num nome melhor pra um planeta do que “FLORZINHA”, correu tudo bem. Uma moça salvou a nossa história com um tal de “Gashir”, bem mais aceitável.

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5 pensamentos sobre “Fantasticon – Oficina do Vianco

  1. Pingback: Novos relatos sobre o Fantasticon 2010 « FANTASTICON 2010

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  3. A oficina foi realmente ótima, inclusive pela interação do André com seus leitores. Foi bem divertido e descontraído, não vi ninguém bocejar ali. Todos ávidos pelas palavras do escritor, e por suas dicas também. Valeu totalmente a pena fazer a oficina. Teve até uma histórinha que o Vianco foi criando com a ajuda dos leitores, que eu fiz o favor de ir escrevendo da forma como fui imaginando. Além de ter sugerido o nome de uma personagem minha: Ludmilla rsrsrs. No geral, foi bem divertido MESMO. Eu até reescrevi a histórinha depois que cheguei em casa.

    “[…]Ludmilla ficou internada 15 dias no hospital, vitimada pela caxumba, aos sete anos de idade.

    Neste hospital, no mesmo quarto de Ludmilla, havia outra criança também doente, com meningite. Esta criança era Vanessa.

    Com o passar dos primeiros dias, Vanessa e Ludmilla começaram a conversar, e não tardou para que se tornassem amigas.
    Conversavam sobre tudo e sobre nada, em suas criatividades de crianças felizes.

    Vanessa gostava de contar histórias, imaginar coisas. Uma vez, junto com Ludmilla, planejaram uma viagem, para quando crescessem. Viajariam para longe, em um carro rosa, pois era a cor que gostariam que o carro tivesse.

    Ludmilla recebeu alta e, ao se despedir, Vanessa entregou-lhe uma cartinha onde havia desenhado as duas viajando no carrinho rosa.

    Passado alguns dias de sua alta no hospital, Ludmilla voltou com os pais para pegar o resultado de alguns exames e a garotinha perguntou por Vanessa, descobrindo, através da boca de uma enfermeira, que Vanessa havia morrido dois dias depois que ela se fora.

    A notícia traumatizou Ludmilla, que chorou a perda da amiga e, a partir de então, passou a se apegar um pouco menos nas pessoas. Guardou a cartinha de Vanessa a algum canto em sua caixa de fotos e lembranças e a esqueceu.

    Ludmilla havia seguido com a vida e contava agora com 22 anos de idade.

    Certo dia, Ludmilla acordou com vontade de comprar um carro rosa. Achou a idéia absurda, riu-se, ao imaginar-se viajando em um carro assim, quando uma lembrança súbita a assaltou. Vanessa.

    Ainda estava na rua, quando pensou ter visto uma garota lhe sorrir, os olhos lhe pareceram familiares. “Não, não pode ser Vanessa, ela morreu”, pensou, mas ainda assim, perseguiu a garota, que sumiu pela viela.

    Ao alcançar o suposto lugar onde a garota entrara, porém, um rosnado bravo e latidos fortes fizeram-na estancar, aterrorizada. Fez uma careta sofrida e retrocedeu, o coração aos pulos[…]”

    Se não fui totalmente fiel, mea culpa, mas fui na onda do André, com pitadas da minha mente amalucada. Créditos à alguém que deu o nome da Vanessa como amiguinha da Ludmilla.

    Traduzindo a brincadeira do Vianco: dê um passado à sua personagem… Isso dará uma vida própria a ela e, bem… Seus leitores se identificarão bem mais do que se ele tiver só o presente, não é? Sem dizer que é isso que transforma seu personagem em alguém quase real, ao invés de um ultra-mega-power-over-fodástico herói, como se ele tivesse nascido assim.

    Aiai, enfim, não vou me demorar mais aqui porque de comentário isso tá quase um post @_@

    Ótimo artigo, Carol, parabéns.

    ps: vou querer conhecer o seu livro, aguardarei pela oportunidade ^^

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