Sobre o Lançamento do VALE DOS ANJOS

Aconteceu ontem, dia 09 de setembro, na Livraria Cultura do Shopping Market Place. Às 18h30, com pouco atraso, começou a palestra sobre o mercado da literatura fantástica no Brasil, dada pelo Leandro Schulai (autor do livro O Vale dos Anjos), e pelo Luiz Ehlers, idealizador da Revista Fantástica (digital e gratuita, que trata apenas de literatura fantástica nacional).

Eles falaram muito de sonho versus realidade, sobre essa história de que escritor que não tem uma profissão de verdade morre de fome e outras histórias similares. Claro que eles não gostam muito desse ponto de vista, mas ambos trabalham em outra coisa também. Ao menos enquanto não são autores super conhecidos, como acho que merecem ser.

Eles começaram falando da infância, dos sonhos de criança, e disseram que muita gente acha que são bobagem, como sabemos que acontece. E isso me lembrou uma frase de um texto de Shakespearde que li uma vez, que dizia “Nunca diga a uma criança que seus sonhos são uma bobagem, primeiro, porque não é verdade, e porque seria uma tragédia se ela acreditasse”. Sensacional! Se uma criança cresce se conformando que os sonhos dela são impossíveis, ela nunca vai correr atrás de nada.

Uma vez li uma frase que dizia “nós vamos morrer, mas agimos como se fôssemos viver pra sempre”, e não lembro se ela era do Oscar Wilde, mas tem cara, né?

Bom, eles disseram que por causa dessa coisa de persistir nos sonhos fazia parecer uma palestra assistencialista, mas não era não. Era só a verdade escancarada. E o Luiz Ehlers falou exatamente o que eu penso sobre o povo brasileiro não ser conhecido como um povo que lê. Vero. Mas por quê?

Rá! Ele entitula isso de ‘o terror dos clássicos’, que eu achei sensacional. De verdade. Por que um bando de gente sem ter o que fazer em algum lugar entre o mec e as universidades públicas achou conveniente obrigar adolescentes sem hábitos de leitura a let MACHADO DE ASSIS, EÇA DE QUEIROZ, ALUÍZIO AZEVENDO, entre outros. Óbvio que o discurso dele foi bem menos radical do que o meu, mas a ideia é a mesma.

Não se põe pra ler clássicos leitores sem, digamos ‘ maturidade literária’. Por quê? Porque as crianças começam a achar que ler é um saco.

E o Ehlers mesmo disse que Machado de Assis é muito bom (e deixo aqui expresso que é um dos meus autores preferidos), entretanto um adolescente sendo obrigado a ler um treco de 200 anos atrás tem poucas chances de concordar. A linguagem é outra, o ritmo da narrativa é outro. Se um leitor acostumado a vários autores pega pra ler um Dom Casmurro da vida ele vai achar o máximo. Se vocês leram na época de cursinho e odiaram, e pegaram o hábito de ler depois, tentem ler Dom Casmurro de novo. It will  be a whole new world.

Então, como a maior parte dos pais desse país não cultivam o hábito de leitura no filho desde cedo, quando ele é obrigado no colégio a fazer uma prova de O Cortiço ele fica puto, diz que ler é uma droga, e nunca mais pega num livro. Brilhante resultado: ele escreve mal. Quem não lê não escreve, isso é fato. Por mais que a pessoa seja uma máquina de decorar regras gramaticais, ela nunca vai escrever bem se não tiver hábito de leitura. É um fato, aceite.

Se você não lê e acha que escreve bem, lamento. É uma ilusão da sua cabeça. Se você lê e acha que escreve mal, é porque escrever bem também vem do hábito da escrita, depois do hábito de leitura, então um dia você vai escrever bem, se persistir em escrever.

Não estou falando só de escrever histórias, certo? Já vi advogado escrevendo mal que até doía, e mais ainda pelos preciosismos linguísticos. Imagina que delícia, eu pegando a petição da outra parte do processo (muito tempo atrás, quando eu fazia Direito e era estagiária) e pegava aquele monte de erros gramaticias combinados com palavras pomposas. Dava até dor de barriga, de tanto que eu ria. Não estou falando que todo advogado escreve mal, ok? Conheço uma galera, incluindo ex-coleguinhas de faculdade, que escrevem bem pacas.

Só dei esse lindo exemplo porque todos os advogados que conheço se acham uma sumidade da escrita (poucos são), para mostrar que ler é importante para escrever qualquer coisa. Até e-mail. Até desabafo no Twitter.

Bom, eu me alonguei mais do que gostaria na minha divagação acerca dos assuntos da palestra. Mas foi isso aí.

E comprei o livro do Leandro, o Vale dos Anjos, que tem uma sinopse interessantíssima e, por enquanto, até a página 49, está muuuuuuito bom. Eu postarei uma resenha no Skoob quando acabar de ler, e copio aqui, como fiz com Dragões de Éter.

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2 pensamentos sobre “Sobre o Lançamento do VALE DOS ANJOS

  1. Carol, eu queria ter ido a essa palestra,inclusive estava lá no Market Place até as 18h (até tentei te achar na Cultura), mas como dava aula às 18h30, não pude ficar. Vc tá bem empenhada nesse lance de literatura fantástica, hein? Seu livro por acaso é desse gênero? hehehe Enfim, vc tem toda razão ao falar dessa questão dos livros nas escolas – o grande ponto é obrigar os alunos a ler. Ninguém gosta de fazer nada obrigado, e e se a escola obriga o aluno a ler determinado livro, esse livro acaba se tornando igual ao livro de Gramática, de Geografia ou de Física, ou seja, chato por natureza. Ah, e advogado se acha O escritor mesmo, mas a maioria escreve mal mesmo, é só pose – e eu digo isso como ex-advogado… hahaha
    Bjo!

    • Sim, meu livro é desse gênero. Embora eu tenha outras obras (romance policial no topo da lista, em número), a que estou promovento atualmente é uma saga de 5 livros de literatura fantástica, do gênero de fantasia mesmo. Obrigada por comentar!

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