Inspiração e Plágio

Eu adoro esse tema, porque a linha é tênue e, ao mesmo tempo, um abismo separa os dois – inspiração e plágio. E por que resolvi falar disso? Porque estou plaginando o tema da http://www.revistafantastica.com/ hohoho. Brincadeirinha. É que a segunda edição desta maravilhosa revista nacional abre com uma discussão sobre isso e, como a minha opinião não está lá, vou modestamente colocar por aqui mesmo.

O que é plágio? CÓPIA NOJENTA, NA CARA LAVADA, DE GENTE SEM CRIATIVIDADE QUE MERECERIA UM TIRO NO FÊMUR. Oops, me empolguei. O plágio é quando você pega uma ideia pronta e usa na cara dura como se fosse sua. O plagiador se aproveita de algo que faz sucesso para entrar na onda e ganhar algo com isso. Por essa razão, digo que o plagiador não gosta da obra que ele copia, apenas vê nela potencial. E afirmo isso categoricamente, porque todo plágio destrói uma ideia fantástica. Não, não tem exceção. Se você copiou uma ideia de alguém, pode cometer suicídio, porque a sua existência é repugnante, e eu espero sinceramente que a sua estadia no inferno seja bem dolorosa.

Prontofaleimesmo.

Acho que esse é um sentimento de pessoas que gostam de ter ideias próprias, e sentem dor física real só de pensar na possibilidade de alguém copiá-las. Porque uma ideia, um livro, um desenho, uma artigo que seja, é como um filho recém-nascido, que amamos incondicionalmente, por mais defeitos que tenha. Um filho que sai de dentro de nós, que fazemos crescer e se desenvolver e, quem sabe, gerar frutos.

E aí uma criatura saída da lama do mundo (um plagiador é mesmo muito desprezível) vai lá e sequestra seu filho e diz que é dele. Yay, ninguém ia gostar disso.

Já a inspiração é quando uma pessoa acha seu filho o máximo e usa a referência dele para desenvolver o seu próprio. Isso é lindo, você sente orgulho de seu filho, saber que ele inspirou pessoas!

A inspiração não é cópia distorcida da ideia de ninguém, é aquela mistura de referências de que falei no post desmistificando a criatividade. Você viu várias coisas, das piores às mais maravilhosas, e tudo isso se misturou na sua cabeça de um jeito novo. Por exemplo, no 4º livro da minha série, tem uma cena super homenagem à Bela e a Fera (mas não num contexto de romance), e eu deixo claro que tirei a ideia daquela cena. Por quê? Porque eu amo a Bela e a Fera, e, aliás, todos os clássicos Disney, e quero deixar muito claro o quanto essas histórias são importantes para mim até hoje.

A JK Rowling já declarou que se inspirou no Senhor dos Anéis quando escreveu Harry Potter, e era uma história de que ela sempre gostou. Bom, se você conhece bem as duas histórias, você consegue achar em Harry Potter várias referências a Senhor dos Anéis, como, por exemplo, Gandalf e Dumbledore. E onde está a semelhança? Dois magos muito legais com aparência física parecida. E só. A personalidade deles é totalmente diferente. Isso é só um exemplo.

Bom, a forma de pensar é a seguinte: ela acha o Senhor dos Anéis bom pra caramba, então ela sabe que nunca vai conseguir fazer igual, porque igual é cópia. Mas ela pode escrever algo com qualidade igual, do mesmo gênero literário, talvez diversificando o público, respeitando os clichês do gênero (isso nas palavras do Vianco, sobre cada gênero literário ter alguns pontos em comum em todas as obras, que mostram ao público que a obra pertence a esse ou àquele).

Ouvi muita gente dizer que Percy Jackson era cópia barata de Harry Potter. Meu Deus, essas pessoas leram as duas séries? Porque não é a mesma coisa. Mas a inspiração tem fonte clara. O fato de ter uma escola (ou academia de treinamento) não torna a ideia igual. Eu tenho um colégio no meu livro, e não é igual HP. E sabe por que tem um colégio no meu livro? Porque comecei a desenvolver a ideia com 13 anos, e comecei a escrevê-la com 15. Escola era o único ambiente que eu conhecia e onde me sentia segura (como uma boa nerd). Venho de uma família, por parte de mãe, de professoras. Aprendi desde cedo que professores são pessoas maravilhosas e, quando são bons nisso, os primeiros na fila do Céu. Eu lia Pedro Bandeira, a série Os Karas, e achava o máximo. E não, o colégio não é o ambiente principal, fiquem tranquilos.

Dei o exemplo do meu livro porque comparações são inevitáveis. Se as pessoas conseguem comparar a base dos rpg com uma história de crianças bruxas, e conseguem comparar essa mesma de bruxas com uma de filhos de deuses mitológicos, imaginem o que será de uma autora brasileira, cujos conterrâneos amam destruir a área cultural da própria pátria, acusando-a de ruim sem ao menos conhecer?

Bom, pra resumir: plágio e nojento e inspiração é mágica.

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3 pensamentos sobre “Inspiração e Plágio

  1. Eu também acho um plagiador uma pessoa desprezível. Ele é pior do que um pai que se mete indiscriminadamente na vida de seus filhos ou um namorado extremamente ciumento (se bem que eu detesto os três tipos igualmente).

    Plágio é crime. Ponto final. Além de escritor, também sou Jornalismo. Então, quem plagia, pra mim, não passa de um aproveitador.

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