Gêneros Literários

Meu, não sou entendida nesse assunto, mas o que tenho a dizer é só algo que penso e que talvez alguns concordem e outros discordem. Eu queria falar do meu ponto de vista de escritora e leitora.

Antigamente, os escritores eram divididos em ‘escolas’. O Machado e o Eça foram realistas, o Mário de Andrade e o Drummond foram modernistas,  José de Alencar foi do romantismo… da primeira fae do romantismo brasileiro, a indianista. Era tão claro. De repente a visão de mundo mudava e a maior parte dos escritores escrevia dentro daquele mesmo padrão.

Mas depois foi tudo diferente, acho. Não consigo ver hoje em dia alguém que se encaixe no realismo de Eça, ou no pré-romantismo de Bocage, ou outra coisa.

Por exemplo, quem escreve contos policiais, pode escrever a la Agatha Christie/ Conan Doyle ou Law and Order, com advogados e tudo mais (indico A Ira dos Anjos, do Sydnei Sheldon. O cara manda bem). Mas pode haver elementos surreais, com algum romance forte no meio, e talvez mostre a realidade da violência nos grandes centros urbanos. Pode ser que a mocinha seja idealizado e o mocinho seja a figura de uma pessoa real. Essas características todas são óbvias hoje em dia, mas cada uma pertence a uma escola literária diferente.

Acho que não temos mais tanto padrão. Escrevo fantasia porque não trabalho com figuras reais, trabalho num universo alternativo, mas sempre verossímil. A que escola literária eu pertenço? Sei lá.

Mas reitero o que o Vianco falou na oficina do Fantasticon: cada gênero tem seus clichês. Assim, o policial é centrado num crime, o mocinho (ou o bandido às vezes) tem que desvendar o que aconteceu.

Há também a parte de que é preciso exitir realidade em toda história, para que os leitores possam se identificar. Achei isso muito bom (também foi o Vianco que falou, no Fantasticon. Vide o artigo sobre isso).

Às vezes não encontramos o real em histórias de literatura fantástica, mesmo que sejam muito verossímeis, como as de ficção científica. Onde será que estão?

No meu caso, tenho elementos reais, e eles ficam na esfera nos sentimentos. Ué, estamos num universo paralelo, sem humanos, onde existe uma raça de tigre que é quase da altura de uma pessoa, o leitor tem que se identificar com alguma coisa, ou ele não vai querer ler. Ou eu não ia nem querer escrever. A identificação é um dos processos mais importantes no triângulo autor-livro-leitor.

No caso do Vianco, por exemplo, ele tem cenários muito reais, lugares com que somos familiarizados, refugia-se em trechos históricos.

Em geral, na literatura fantástica a identificação ocorre pelo tratamento dos temas universais: amor, amizade, ódio, guerra, traição etc.

Mas isso tudo para falar sobre o gênero, que não é realista, mas tem elementos reais.

O que vocês acham? Ainda podemos falar de ‘escolas literárias’, igual às que estudamos em Literatura no colégio??

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10 pensamentos sobre “Gêneros Literários

  1. Carol,

    Acredito que a classificação por escolas literárias ainda é válida. A questão é que um estudioso da área necessita de um distânciamento de no mínimo uma geração para poder classificar uma “tendência” como “escola” de forma segura e aceitável pela Acadêmia. No presente, podemos observar e catalogar modismos e com sorte prever uma possível tendência cultural. Já um verdaderio zeitgeist ( espírito de época) somente passado um século ou mais. A escola em que o indivíduo está inserido pode até receber selos provisórios, mas será sempre e simplesmente a “escola atual”, não vale “contemporanea” e nem “pós-moderna”, pois há controversias, justamente pelo aparente boom de multiplas formas de se expressar artisticamente que pipoca diariamente mundo a fora nos mais diversos setores da Arte.
    Lembrando que “agrupar” autores e obras nas chamadas “escolas” é um recurso estritamente prático-didático. Não há e nunca houve um consenso a respeito dessas classificações, que querendo ou não são projeções da mentalidade de uma época em oposição a outra, o que por si só já constitui uma injustiça histórica pela análise estar contaminada por preconceitos próprios da época do analista.
    É ilusório crer que as ditas escolas são criadas pelos autores e identificadas pelos estudiosos, pelo contrário, são os teoricos que constroem a escola na prática, as obras são suas peças e suas ideias as ferramentas, aos autores resta reconhecer ou rejeitar tais ideias que uns julgam limitadoras e outros, reflexo inofensivo de uma sociedade pragmática.
    Saramago não admitia rotulos, a Ligia Bojunga Nunes também não gosta de ser taxada de autora infanto-juvenil. Já o Moteiro Lobato se orgulhava de sesu estigmas literários. Machado criticou os modismos de Eça de Queirós para adotá-los em seguida – e melhor que seu desafeto. Até José de Alencar que será eternamente (será?) lembrado pela virgem de lábios de mel (quem mesmo?) cursou outra escola como podemos “ver” no “céu fluminense” (Senhora). Resumo da ópera: por mais que pretendam ter um caráter cientifico, as classificações literários são e “solamente” uma tentativa por parte de teoricoas e professores de domar a subjetividade estética e liberdade criativa em prol das cartilhas – ok, há também uma “boa intenção” de facilitar o aprendizado dos alunos. Mas a verdade é que de longe as escolas perdem contorno e se fundem diante de nossos olhos em “literatura universal”, mas a reciploca tambem é verdadeira, e a medida que no aproximamos e fazemosuma análise mais detalhada vemos que há mais diferenças entre os livros de um mesmo autor do que entre escolas divergentes.
    Porém, rotular a Arte e tudo mais que provem do homem e da natureza é um recurso legitimo e sine qua non à memória da humanidade. A generalização é um mecanismo natural da mente humana que permite a esta converter elementos extremamente complexos em algo mais simples e favorável ao raciocínio, nem que para tanto seja necessário “racionalizar” para forçar a uma lógica. Generalizar é nossa forma de adaptar o caótico a priori a uma ordem a posteriori. Contudo, no caso da literatura, “gênero” e “escola” não se equivalem, tratam-se de conceitos que se completam, mais ainda assim, distintos e que por vezes se cruzam, geralmente causando confusão. Mas tendo me estendido além do que manda a etiqueta do blogosfera não vou discorrer sobre as diferenças entre um e outro.
    Concluo com uma estorieta que ouvi no Fantásticon 2010 ( não me lembro de quem, apenas de que foi algo que leram em um livro). Há um conto de ficção cientifica que nos fala de alienigenas que ao visitarem nosso planeta em um futuro distante exploram as ruínas de nossa civilização e ao termino do estudo de toda nossa cultura preparam o brevissimo relatório: “Por volta do ano 1 da Era Cristã nasceu um homem importante para a humanidade, depois seguiram-se um milhão de anos sem nada de relevante a ser registrado até a extinção da mesma”. A uma conclusão semelhante chegou uma personagem também alienigena de Douglas Adams em o “O Guia do Mochileiro das Galáxias” ao sentenciar após uma década de “pesquisa” que o verbete “planeta Terra” no Guia não merecia mais que um “praticamente inofensiva”. Isto é, com o distanciamento temporal e de mentalidade, tudo fica fácil de se “reduzir” a um mero termo genérico ou a uma definição rala e pretenciosa – mas ineviitável – mesmo um universo riquisimo em sentido como o literário. Portanto, não devemos nos surpreender, caso daqui a cinquenta anos, olharmos para trás e sobre o efeito de uma epifânia descobrirmos que o século XX foi uma “coisa só”, multifacetada por fora, mas homegenea por dentro, e que não haviamos notado o obvío não foi apenas porque estavamos imersos nele, mas principalmente porque o “obvio” eramos nós. E eis que de uma hora para outra veremos toda aquela ebulição cultural tragada por uma expressão movediça como “relativismo conceitual”.

  2. Concordo com o comentário do Wagner.

    No meu caso, utilizarei o cinema para demonstrar meu raciocínio. Eu penso também que existem uma preocupação comercial em atrair um público amplo. Por isso, até mesmo um blockbuster (aquele filme evento que atrai milhões e é recorde de bilheteria) oferem um pouco de tudo em uma mesma embagem: ação, romance, terror, aventura, ficção.

    Quer dizer, o adolescente quer ver um filme com explosões. Dá para ele levar a namorada porque tem o galã bonitão que faz um par romântico com a mocinha. Dá pra levar também o sobrinho mais novinho porque tem algum bichinho fofinho ou robô “dá hora” que o moleque vai querer comprar depois que sair do cinema.

    Ou seja, acho que a tendência é uma mescla de gêneros para angariar mais gente para um mesmo produto. Me fiz entender?…rs

  3. Bom, nunca fui muito bom nessas divisões literárias, mas posso dizer o que eu percebo no mundo da música que é onde eu vivo. A anos venho observando que o mapa de rótulos vem se multiplicando de uma forma absurda, a ponto de você não conseguir definir o estilo que você toca. No fundo, pegando a base de ROCK, tudo é ROCK, mas temos o progressivo, synphonic, power metal, melodic metal, melodic death metal, heavy metal, ska, hard rock, e a lista vai embora. Quando eu era adolescente, havia o heavy metal, o punk, o hard rock e algumas outras poucas variações, hoje realmente virou uma salada, parece que cada um quer lençar um estilo novo pra ser mais descolado que o outro. Nos últimos anos, os dois únicos estilos ou rótulos criados que eu considero coerente são o neo-clássical, iniciado pelo Y. J. Malmsteen, e o Metal melódico, que deriva do primeiro. De resto, acho muita história pra pouco conteúdo. Na literatura eu penso que daqui a pouco novos títulos, algo como, literatura pós-moderna urbanista, um nome bonito desses, e que pode enquadrar a literatura atual. de qualquer forma, na música eu parei de tentar descobrir o estilo ou a linha musical desse ou daquele, por que é literalmente impossível, já ouvi inclusive um povo se auto rotulando de melodic death metal ghotic synphonic (que isso????), então pra mim é tudo Rock, Metal, Neo-Classical ou Melódico e pronto além das tradicionais, hard, punk, etc. E acho também que hoje em dia, o que vale mais é o que você faz naturalmente, passar idéias e sentimentos pela arte de escrever, independente da regra de formação estar ou não enquadrada em uma ou outra linha literária, conhecida ou não. É isso. Bjs!!

    • Nossa, gostei muito da comparação, Wagner! Isso prova que tudo está sob as leis do universo criativo ^^ Essa de rock eu tbm já parei de tentar classificar, q não dá certo. Tbm prefiro as classificações tradicionais. E deve ser assim na literatura. Tanto faz, contanto q a mensagem seja boa ^^

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