Enredo da História

Parece que estou fazendo uma sequência de posts sobre como escrever. Não é bem isso. Eu estou falando como eu escrevo, mas acho que os vários autores tem processos diferentes. É bom saber dessa parte até para o pessoal do teatro: saber como um autor pensa torna mais fácil a construção da personagem e da história como um todo.

Bom, se você escreve, você já não é uma pessoa normal e equilibrada. Escrever é ser o deus do seu mundo (nada de revolta com religiões aqui. O deus é o criador e o fazedor de regras do mundo, então quando você escreve você faz isso).

A criação de um enredo, seja ele de fantasia, como o meu, ou de histórias policiais, ou de romances a la Jane Austen, exige que a sua mente faça aquele exercício de criatividade de que falei no post “Imaginação e Criatividade” e no “Oficina de Ideias”. Você vai juntar um milhão de pensamentos difusos e referências desde que você nasceu e uma coisa vai sair. Alguns precisam pensar e se concentrar para isso acontecer no começo. Para mim, vem naturalmente tanto quanto respirar, mas acho que isso é resultado de um longo processo. Eu nasci escrevendo, afinal – hehehehehe.

Bom, depois das personagens criadas a minha cabeça começa a dançar ballet com elas. Sei lá, enquanto invento a história das personagens isso acontece também. É engraçado. Vejo várias coisas. Mas nunca tenho o enredo pronto desde o começo e por isso acho impossível escrever a cena final e depois encaixá-la nas outras. A maior parte dos autores escreve a ideia que lhes vem na cabeça e depois vai encaixando uma cena na outra de forma coerente. Admiro muito isso; sou incapaz de fazê-lo.

E sabem por quê?

Porque, por mais que tenha imaginado uma cena mil vezes na minha cabeça, eu sei que existe um longo processo de envolvimento e amadurecimento até as personagens chegarem lá. A emoção da cena, o tom certo de descrição, a ação de cada personagem, tudo depende de como ele andou pelos acontecimentos da história. Pelo menos para mim é assim, e por isso não tem como escrever o final antes da hora em que ele cheag efetivamente. A cena que vocês leem no final é um produto de tudo o que aconteceu antes, de todas as emoções que as personagens viveram antes, dos caminhos por que passaram.

Eu posso até arrumar uma coisinha aqui e outra ali nas infinitas vezes em que releio o livro depois de terminá-lo, mas o resultado final do livro (é, é redundante, to sabendo :D) é fruto de algo escrito exatamente da ordem a ser lida: começo, meio e fim.

Não é nem melhor nem pior que outros métodos, é diferente.

Alguns autores gostam de escrever a ideia detalhadamente enquanto ela está fresca na cabeça, e quando vão encaixar uma cena na outra só vão arrumando os fatos. Já disse que admiro isso.

Geralmente quando vem uma cena final na minha cabeça e estou no começo, é um pesadelo, porque aquela cena fica se passando na minha cabeça feito um trailer. Eu até ouço a trilha sonoro às vezes. Viu, eu falei que escrever era coisa de gente desequilibrada. aushaushaushuashau

Bom, isso não é uma oficina nem nada assim. Para criar um enredo você só precisa saber de onde você sai e para onde vai e quem vai fazer parte disso. Eu só compartilhei com vocês meus devaneios loucos.

Mas é engraçado, sobre criação de personagem lembrei que não falei disso no teatro. O ator é o cara que mais se dá mal. Porque ele tem que entender a mente de um autor que geralmente não conhece, passar intenções baseado no que ele tirou da história, e ainda convencer todos os outros de sua leitura. Eu adoro teatro, mas não sou muito boa não. A moça da voz bonita faz um trabalho que não acredito no teatro, e nem imagino o processo mental dela para criar sua personagem e fazê-la viver aquele enredo.

Era isso.

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4 pensamentos sobre “Enredo da História

  1. Ah, acho que não tem segredo. Eu monto o universo e praticamente só o ato já faz a gênese dos personagens, a questão é ter o universo bem definido porque ai é só jogar o personagem lá e fazer com que interajam. Daí, quando eu quiser, ou mesmo- por questões de trama- decidir mudar o eixo da história. Não há de se encontrar os bastidores da produção, como acontece naturalmente com ‘contadores de história’ na qual se eternizam basicamente, e muito das vezes somente, na trama.

    Mais ainda no universo fantástico que precisa ser vomitado pela imaginação e criatividade sem se basear em padrões. Partir de algum plano interior para produção requer mais que todas as outras ficcionalidades, uma baita estrutura e convenhamos. Pra sair algo bom, é uma vida inteira, uma biografia fantástica, pra ser sincero, anos cultivando sonhos e deixando o coração puro, que pra um escritor de fantasia, é o ‘manter’ da criança interior.

  2. Eu, via de regra, faço exatamente o que você diz não conseguir; intercalo cenas e tempos e horas e o troço todo…
    Sobre construir o sentimento do personagem, acho que isso inclusive ajuda, pois bem sabemos que não conseguimos mudar nossa concepção de cena uma vez que ela invade nossos pensamentos dessa ou daquela maneira, mas as vezes esse corte (e adiantamento de determinada linha cronológica que esteja acontecendo) e depois o “período intercenas” é até melhor pro que você mesma citou como “amadurecimento”, e aí não só me refiro aos sentimentos (mencionados lááá em cima) mas também das ideias e visão do(a) personagem.

    Não sei se consegui fazer muito sentido ou mesmo ALGUM sentido, pra começo de conversa… Mas minha Musa bate a(crase?) minha porta com conteúdos X, Y e Z e, infelizmente, não há como competir; eu sempre, eu sempre, sempre, sempre… acabo surrounded & surrended.

    Ahnnn, acho que é isso… e ah, parabéns pelo blog. Hihi! Beijos, Mary!

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