Prólogo do Meu Livro

Bom, decidi colocar aqui porque preciso muito saber de vocês o que acham que vai dar, se dá vontade de ler, de entender o que vai acontecer, o que antecedeu isso tudo etc. FEEDBACK é extremamente importante para mim nesta etapa da minha vida literária, então sejam bonzinhos comigo, ta? Eu nem costumo pedir comentários, só desta vez porque é necessário. Lembrando que esta criança está registrada no Escritório de Direitos Autorais da Fundação Biblioteca Nacional, e a mamãe dela sou eu 😉

Lá vai.

A rainha do Reino das Montanhas, Rebecca Sol, estava em seu quarto, em silêncio, pensando. Agora faltava menos de um mês para o grande final. Entretanto, ela sentia que havia algo errado. Era como se faltasse alguma coisa.

A Cidade dos Nobres era um inimigo poderoso, e por diversos fatores. Primeiro, os sábbios mais poderosos da Terra viviam lá. Segundo, a melhor escola de combatentes às habilidades negras estava lá, no Grande Colégio Superior. Terceiro, as melhores táticas de defesa estavam lá, nos três órgãos de segurança: a Frente de Investigação, o Ofício de Elite e a Guarda Real. Quarto, o povo nobreano era naturalmente patriota, e deixaria qualquer rivalidade interna de lado para defender a Cidade dos Nobres. Quinto, a força política e ideológica do Conselho dos Sábbios – não só em sua unidade como na pessoa de cada conselheiro – era algo muito mais forte que o medo que alguém quisesse impor.

Não, a Cidade dos Nobres não se renderia. Ela lutaria até o fim se preciso fosse, e contra todos. A Cidade dos Nobres era um gigante, um titã, um símbolo, e não se destrói símbolos, pelo contrário; eles só se fortalecem. Para derrubar a Cidade dos Nobres não bastaria destruir ruas e casas, não bastaria matar pessoas; era preciso destruir o símbolo, a ideologia.

Poderiam usar espectros negros para invadir o poderoso inimigo durante a noite, poderiam mandar fadas invisíveis acabarem com exércitos, mas isso apenas suscitaria nos nobreanos a vontade de lutar e defender sua pátria adorada.

Vasconcelos estava terrivelmente enganado. Mesmo tendo sido um conselheiro, ele não via o óbvio. A força da Cidade dos Nobres era muito mais psicológica do que física. Matar o conselheiro mestre não ajudaria, porque aquele velho tinha um poder que ninguém mais tinha: o povo o amava e confiava nele cegamente. Se Álvaro Bettarello fosse morto, seria impossível destruir a Cidade dos Nobres, porque o povo se uniria em torno do nome dele e se tornaria invencível. Outro símbolo.

O único modo de vencer a Cidade dos Nobres seria desacreditar seus valores, o Conselho, as pessoas.

E esse era o maior desafio.

Como desacreditar o Conselho, cuja primeira atitude ante uma ameaça de guerra fora proteger todas as crianças do reino? Como desacreditar os conselheiros, que visitavam os hospitais e escolas toda semana para avaliarem pessoalmente se estava correndo tudo bem? Como desacreditar estes homens, que trabalham dia e noite se preciso? Como destruir uma confiança construída secularmente sobre cada atitude, mais do que sobre palavras?

Primeiro vocês e dizem o que acham, depois eu conto do que se trata isso tudo. Lembrando que o Prólogo é um trecho de um dos últimos capítulos do livro, antes do clímax.

Espero que tenha gostado.

MAS, se tiverem odiado, achado uma merda, quiserem gritar, por favor, quero ler qualquer coisa que tenham a dizer. Por favor, se forem falar mal, justifiquem para eu poder entender. Convivo com esse universo há tanto tempo que pra mim é tudo óbvio.

E, no fim das contas, agora já sabem o nome da raça principal 😀

Lembrando que colocarei o site da saga no ar até novembro. Acompanhem! ^^

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24 pensamentos sobre “Prólogo do Meu Livro

  1. Sabe, seu texto tem uma proposta interessante e intrigante. Lança muitas perguntas, as quais necessitam de respostas. E como amante de alegorias, apreciei muito você ter retirado uma parte posterior do teu livro para dar à tapa nas primeiras páginas da obra.

    Mas como o mesmo amante de alegorias que sou, fiquei meio desconfortável com o modo como foram expostas as perguntas. São sim recursos retóricos bastante eficazes, porém, ao meu (grosso) gosto, preferiria que fossem metafóricas. Metáforas são belas, instigam e fazem viajar. Perguntas diretas entregam de bandeja e vetam o prazer da elaboração do leitor.

    Gostei bastante do seu texto e lhe desejo sucesso. Espero que alcance uma editora digna de seus talentos e alavanque sua carreira. Quem sabe um dia eu não topo com o Cidade dos Nobres em uma livraria em que eu esteja passeando?

    • Obrigada!!! Fico muito lisonjeada que um escritor faça um elogio desse tipo! Geralmente escritores avaliam a obra de outros de acordo com seus próprios estilos ^^ Vc escreve suspense? Eu sempre amei gênero que misture suspense e FC.

      • Carol,
        Escrevi dois livros de suspense que misturam tramas policiais com teorias conspiratórias.
        Já o meu terceiro trabalho é bem diferente: uma série de fantasia voltada para o público juvenil. O primeiro livro sai até o fim do ano pela Tarja Editorial.
        Abraços,
        Roberto

  2. Estou com os dias cheios mas estou tirando esse finalzinho de expediente pra ver seu texto (não conta pra ninguém ok?? hehe). Não lí os outros comentários para não me contaminar também. Então, o que penso é assim… depois de ler com muita atenção…
    O que me passou foi justamente o passo anterior de um grande momento.. o momento onde tudo culmina… um momento que o conflito de duas regiões, duas terras, dois reinos, se resolveria numa batalha épica… mas por outro lado tem um aspécto que é muito mais psicológico desse conflito… que é a coisa de derrubar uma imagem, um mito.. pois isso é completamente subjetivo… nenhum guerreiro, mesmo depois de derrubar uma cidade sozinho se sentiria completo se o mito permanecesse.. e pior.. isso só o deixaria mais forte…
    De qualquer forma, o texto deixa uma curiosidade, pra mim, em querer saber por que nomes como reinio das montanhas e cidade dos nobres parecem “do bem” e se é assim, .. que é o mocinho da história.. o reino dos nobres com toda sua aparente integridade, ou o das montanhas com sua rainha angustiada? O que fez com que os dois reinos se defrontassem? Quem reinvidica o que?
    O texto me soa suave. No sentido de ser envolvente. Ele não cansa, não é extremamente detalhado a ponto de ficar girando no mesmo ponto por muito tempo… te leva em uma velocidade agradável quando está expondo as idéias.
    Se eu quero continuar a ler e quero o livro? Sim!
    Não sei é claro se o que você quer passar é isso, mas foi isso que eu percebi ok?
    eu não sou literário, sou músico então nesse caso não analiso estruturas literárias e sim impressões.
    Beijos e Parabens pela coragem e pela naturalidade com que compõe seus textos.

    • Em primeiro lugar, obrigada pelo coment. Engraçado o q vc falou sobre os nomes soarem como lugares de bem, pq durante todo o primeiro livro parece q o Reino das Montanhas é ‘do mal’, quando não é, e depois essa situação se reverte 😀

      E q bom q gosta do meu estilo de escrever (do ponto de vista de leitor, q é o q importa), e se causa curiosidade, EBAAAAAAAAA, era isso mesmo q eu queria!

      Obrigada! ^^

    • uahsuahsuah O prólogo pode ser qq coisa q mostre a história sem mostrar e q prenda o leitor. Muita gente adianta do q se trata, muita gente escreve uma cena aparentemente nada a ver. Quanto aos nomes demais, algumas pessoas amaram (3 nomes!) e outras detestaram. Isso tem função 😀

  3. Gostei do que li,instiga
    Rebeca só poderia admirar seu inimigo,nós humanos tendemos a destruir o que admiramos.A admiração nos possibilita conhecer a força do inimigo e ganhar em eficiencia no combate.Marx era um grande admirador do capitalismo

    Quando ela fala da subjetividade(psicologico) como base da força do inimigo traz um evidente traço pós-moderno,etapa contemporanea da história onde a subjetividade passou a ser território privilegiado do economico e do politico,bio-politica,politica que ingressa em todos os territorios da vida,buscando controla-la mais pela sedução que pela violencia.Rebeca é puro Foucault,ao menos parece

    Pouco foi divulgado neste prologo,mas ela parece,sutilemnete, tentar demonstrar o quanto há de enfraquecedor das pessoas na generosidade.A existencia do Nobre generoso depende da existencia do assistido humilde e enfraquecido

    Fiquei curioso em saber do começo e fim mais ainda dos entrelaces da historia.Parabéns! É o meu feedback
    abçs

    • AH, meu Deus! Vcs sabem QUEM escreveu esse coment aqui? Prof. Dr. Pedro Serrano 😮

      Eu não poderia ter ficado mais feliz do que fiquei quando li seu feedback, sério. Não só pelo óbvio (ele é positivo), mas simplesmente por você ter lido e comentado depois. hehehehehe

      Ninguém nem imaginou fazer essas observações antes, mesmo pessoas q conhecem o livro inteirinho, do primeiro ao último. E foram observações muito pertinentes e muito bem articuladas. Não posso dizer que tenha errado em alguma coisa 😀

      Obrigada pelo comentário e fiquei muito emocionada que tenha sido positivo. Bjosss

  4. Parabéns, Carol! Seu texto é gostoso de ler (aliás, como todos os posts que você escreve!). Dá pra seguir perfeitamente sua linha de raciocínio. Muito bem conduzido. E isso não é rasgação de seda ou elogio barato porque o texto apresentado não é uma sinopse. Como você disse (e eu percebi porque há trechos mencionados em posts anteriores) é um trecho do texto que antecede o clímax do livro!

    Como já mencionaram, despertou em mim a curiosidade de saber mais sobre a relação entre os personagens, o que há de podre em um reino tão “aparentemente” perfeito quanto essa Cidade dos Nobres e os motivos por trás do ódio que a Rebecca Sol (adorei esse nome!) nutre contra essa sociedade utópica.

    Pelo pouco que conheço de você através de seus escritos, acho que esse livro tem tudo a ver com você. Símbolos, jogos políticos e psicológicos….vai ser um prato cheio para quem gosta de um bom livro (ou, no caso, uma série de livros…rs).

    PS: Por que você não disponibiliza a sinopse oficial do seu livro? Fiz o mesmo no meu blog. O retorno é bem interessante. Afinal, a sinopse será o primeiro contato que os leitores terão com sua obra (geralmente, é o texto impresso na contra capa ou orelha do livro) quando o enxergarem nas livrarias ou sites de livros.

    • Obrigada pelo coment, Khêder! Sim, o livro tem tudo a ver comigo! Bom, ele é meu, né, seria estranho se não tivesse :D:D:D

      Sobre a sinopse oficial, realmente, uma boa ideia. Eu ainda vou ter que escrever uma, na verdade, pegando só os pontos-chave. Vai ser um trabalho muuuito difícil, q vc não faz ideia.

      E a melhor parte foi vc ter gostado do meu jeito de escrever. Afinal, ter uma boa história não basta, tem q fazer o leitor querer ler! Obrigada! 😀

  5. Participei da pequena discussão no twitter.
    Seu prólogo está otimo. Gostei muito e confesso que fiquei muito curioso para entender a história e conhecer seu enredo. Otimo trabalho, meus parabens…

  6. Gostei, gostei. Você tem um estilo de escrita que flui bem e prende o leitor. O que eu achei a mais interessante foi a minha reação ao conflito. Eu não acredito em utopias então fiquei tentando descobrir possibilidades para Rebecca, mesmo com tão poucas informações, tentei achar a maçã podre da Cidade dos Nobres, pois, não importa onde seja, toda utopia sempre terá seu elemento incomum que virá para apontar a realidade distópica.

    Fiquei um pouco em dúvida quanto à Vasconcelos já que, apesar de saber que era um antigo concelheiro, não me foi dita qual é a relação dele com Rebecca, mas acho que o mistério faz parte.

    Em suma, eu gostei e leria seu livro como maior prazer! ❤

    • Grande Tayla!!! É, faz parte do mistério. Vou contar, vai. A Rebecca é inimiga da Cidade dos Nobres 😉 A admiração dela em relação ao inimigo odiado é um treco interessante na história. E todos os reinos tem defeitos. A utopia existe de alguma forma, justamente por não se tratarem de humanos. MAASSS, vc está certa; há ‘poréns’ ^^

  7. Hum, seguinte.

    Dá pra ver que a construção da política e do embate está impecável. Só não sei como prólogo, Carol, acho que ao invés de informações sobre a situação, é mais fácil entrar direto na trama pra um bom início. Para que possa envolver diretamente. Não que não goste, nem de longe chegaria a desgostar. O caso é que pra algo com tanta força, merece um golpe mais bem dado de início, sabe? Com mais impacto. A sensação que tive com essa parte do excerto é como se tivesse tendo uma aula de ‘história geral’ da sua ficção.

    Eu gostaria de ver a cena da Rebecca lidando com isso, ou gostaria de ver os nobreanos se preparando, isso daria o sentimento que seria necessário pra me convencer, entende? Um pacto de cumplicidade com o leitor. Vc me fisgou, por exemplo, no Vasconcelos e minha vontade foi de me inundar um pouco no psicológico dele. Não sendo necessário explicar os motivos dele, só abrir a cortina de cada personagem, seria genial.

    Em um prólogo os leitores tem sede!

    • É, mas não posso mostrar cenas. Tem muuuuuuuito conceito pra mostrar, vc não faz ideia. Deu quinze páginas de Word em fonte 12 no primeiro capítulo, basicamente explicando. E meu livro é uma grande jogo político e psicológico 😉

      • É que pra conceitos eu uso recursos metalinguisticos, alguém explicando em uma taverna, fogueira, um professor. Usar isso nas horas certas, senão acho que fica denso demais e desgasta. Precisa de uma dinâmica… :S

  8. Nossa! Achei muito bacana! =D

    Primeiro (e na minha opinião, extremamente importante): muito bem escrito e estruturado. Tu passasse informação suficiente pra gente já saber sobre o que se vai ler, mas sem se afundar em descrições inúteis.

    Segundo: já estou adorando a personagem da rainha só pela noção fantástica de como aquele outro reino (?) se sustenta, qual a verdadeira base de apoio deles.

    O único problema é que agora fiquei morrendo de vontade de ler o primeiro capítulo!

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