Resenha do livro CIRA E O VELHO

Terminei de ler Cira e o Velho, de Walter Tierno, na sexta-feira passada, e demorei para escrever esta resenha porque ainda tenho sensações misturadas a respeito dele.

Como sempre, a resenha está postada no Skoob, e a disponibilizo aqui para quem não faz parte damaravilhosa rede social. Eu leio muitos livros, resenho apenas os brasileiros (os estrangeiros só alguns que me derem muita vontade de escrever sobre).

Não tenho por hábito escrever a sinopse do livro, o que pode ser uma grande falha, mas dou algumas palavras acerca da história. Trata-se uma história bem doida que mistura o folclore nacional de forma mestra, e uma parte da história brasileira na época da escravidão e a queda do Quilombo dos Palmares.

A forma como a história se desenvolve é fluida, não cansa, apenas causa curiosidade maior a cada página para saber como vai acabar aquilo tudo.

Ele apresenta o vilão (que é a personagem da história que conhecemos melhor) e me dava ânsia de vômito a cada cena que ele aparecia. Isso é bom, imagino, porque pelas descrições ele devia ser mesmo a pessoa mais repulsiva  do mundo inteiro. É o Domingos Jorge Velho, um caçador de índios e de recompensas, ganancioso que aceita qualquer trabalho lucrativo.

Um desses trabalhos é matar a bruxa Guaracy e a filha dela (a Cira do título do livro, nossa heoína). Ele apenas aceita e se prepara. Não vou contar quem mandou e nem por quê, pois isso faz parte do charme da história.

Ok, ele consegue matar a Guaracy (e não sem uma boa briga) e deixa a Cira pra morrer, depois de ter cortado o pescoço dela e deixado-a com os ossos quebrados. Na época, Cira tinha apenas uns 12 anos de idade.

Cira tem aparência humana, mas é descendente de uma tribo de sereias que inclui a Yara por parte de mãe, e de uma cobra por parte de pai (o pai dela é o Norato, um cobra filho de uma índia e uma cobra) que assume forma humana para ter relações sexuais com humanas.

Bom, a Cira não morre. A mãe faz um feitiço em seu último suspiro transformando-se numa árvore que abriga Cira dentro se si.

Aiii, não posso continuar contando a história sem entregar o ouro! 😀 Bom, ela é solta graças a uma menina chamada Nhá, uma escravinha raptada de uma fazenda numa invasão de quilombolas.

Depois de liberta, numa forma de mulher adulta, Cira só pensa em se vingar de Domingos (o Velho), que matou sua mãe e a deixou para morrer. Cada um tem sua impressão, mas são costumo ser parcial às personagens movidas por vingança, nem em livros, nem no cinema.

A história é muito rica e cheia de aventuras a partir do momento que  Cira e Nhá partem atrás do Velho, e o cobra Norato parte atrás de sua irmã (RÁ, EU NÃO IA FALAR). Há muitos conceitos em que eu nunca havia pensado antes.

Só não consegui familiaridade com as personagens. Fora o Velho repulsivo, não senti envolvimento com nenhuma das outras personagens. E não culpo o autor, ele não tentou fazer isso. A forma escolhida de narrativa demonstra apenas as impressões de quem conta a história a respeito da personagem, e a Cira, por exemplo, só é descrita a partir das muitas visões de quem a conheceu.

Por essa razão, as personagens parecem não ter profundidade, mas, pela narrativa, é nítida que essa era a intenção do autor.

Li o livro em três dias, sendo que só o pegava durante uma hora no ônibus entre minha casa e a faculdade. Isso diz muita coisa.

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4 pensamentos sobre “Resenha do livro CIRA E O VELHO

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