Sobre Escrever em Dupla

É a coisa mais aterrorizante que pode se passar pela minha cabeça. Eu sou egoísta. Meus personagens são só meus.

MAS, depois de ler os dois primeiros livros da série House of Night descobri que, se os escritores estiverem em sintonia, o resultado pode sair muito bom. Não sei qual foi o nível de brigas entre mãe e filha, mas o resultado é uma história despretensiosa, interessante e bem escrita. Podem me criticar o quanto quiserem os linguistas e críticos mundo a fora, mas é bem escrita, porque sabe prender o leitor e divertir.

E tanto ler quanto escrever é diversão. Na verdade, queria discorrer um pouco sobre essa diversão, que parece se perder um pouco quando pensamos em publicar o livro. Digo por mim. Desde que comecei a procurar editora comecei a me preocupar com forma, palavras etc etc.

E então eu parei, inspirei e falei pra mim mesma: por que comecei a fazer isso (escrever meus livros deliciosos)? Porque é divertido. Porque eu amo estar lá, na Cidade dos Nobres, conversando com aquelas personagens. Então, vou arrumar sim a forma do livro 1, que tem começo, meio e fim, como o Silvio Alexandre disse que deve ser o livro de uma estreante, mas, ainda assim, não vou deixar de escrever outros tantos do jeito que eu gosto, porque quando você ama uma coisa, ela é o que você faz de melhor.

E quero falar sobre escrever em dupla, porque eu tenho um terrível sentimento de posse. Quero falar sobre essa fantástica coisa que é o relacionamento humano.

Existem momentos em nossas vidas em que conhecemos pessoas. Algumas ficam na memória, outras se perdem na linha do tempo, e outras entram na sua vida com uma força que você não tinha previsto, nem estava preparado. São aquelas que, mesmo se sumirem de cena, você ainda lembrará em alguns momentos, por causa de qualquer coisa boba do cotidiano.

Algumas dessas pessoas conheci muito recentemente no Fantasticon. Agosto de 2010. Amizades recentes, mas amizades mesmo. Não coleguice. Coleguice é quando você está lá feliz da vida, conhece alguém, conversa, depois troca uns emails falando dos mesmos assuntos que talvez vocês tivessem em comum quando se conheceram.

Amizade é uma confiança inexplicável, misturada com um amor ainda mais inexplicável. Aquela coisa que qualquer assunto parece adequado, qualquer discussão pode ser perdoada, e procuramos nos entender sempre.

Acontece assim com meus amigos do Fantasticon. Ta, vai, vou falar. Mari, Paulo, Tayla e Mateus. Um bando de nerds doidos que entraram no meu coração de um jeito que pouquíssima pessoas na minha vida estão 😀

E, conversando com a PeqMari, minha nova irmãzinha, ontem mesmo no gtalk (Google dominará o mundo), ela contava sobre o mangá que estava escrevendo com um amigo e por aí vai. E disse casualmente: ‘já que gosto de escrever com as pessoas, um dia vamos escrever algo juntas’.

E a ideia não foi assustadora. Vocês não estão entendendo. Nem senti medo, receio, ciuminho (eu sou tranquila com pessoas, mas com meus personagens sou totalmente paranoica), nem nada parecido!

Ok, se não senti medo de compartilhar a preciosidade maior, que é o que escrevo, com uma amiga, é porque confio tanto nela, mas tanto, que palavras neste mundo não são capazes de dimensionar.

E escrever é um gesto muito pessoal. Mas o fato é que falei: ‘Bora lá pro brainstorm’. Esta se provou ser a coisa certa a fazer. Depois de passar bem umas duas horas falando sem parar (o gtalk é mesmo terrível), tivemos umas ideias que ninguém acreditaria. Precisam mesmo ser escritas e compartilhadas com o mundo, de tão legais. Sério, vai ser a coisa mais divertida do mundo, porque cada um de nós tem seu estilo, e cada uma de nós trabalha de uma forma, e mesmo assim, temos uma capacidade de compreensão e uma interação fora de série. Espero que saia uma trabalho uniforme, como os livros da série House of Night.

Mas, bem, quando você completa ideias de outra pessoa e ela faz isso com as suas, tem tudo pra dar certo, não é mesmo? Óbvio, será uma obra de fantasia.

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8 pensamentos sobre “Sobre Escrever em Dupla

  1. Definitivamente, na minha tragetória de acesso à internet (olha que foi desde o início…) este é o único blog que eu consigo parar pra ler. Como você consegue??
    Bom, coloquemos o foco no texto e não nos elogios hehe, se não você vai dizer que eu sempre falo a mesma coisa (!) – Mas é verdade!
    Eu sou músico, e tenho vivência nos dois momentos, quando componho sozinho e quando componho em grupo. Engraçado que as minha músicas solo, digamos assim, não se parecem em absolutamente nada com as em grupo, e por outro lado, em grupo, pode se perceber traços do estilo e da forma de construir as harmonias que são só minhas, mas misturada com a idéia dos demais envolvidos.
    O que você faz é arte. Escrever é arte. Entreter é arte. E isso você faz muito bem (olha eu aqui!). E pra arte, pode tudo, deve permitir tudo, a criação é infinita e a mistura de idéias, elementos não é nada além de arte pura. A vida é arte pura, por que não tem restrições se você estiver de coração aberto e procurando ser verdadeiro. Nós somos muito mais “artistas” do que imaginamos as vezes, e ai acontece o que você observou, nos espantamos com nossa reação. No fundo, você só está dando mais um passo na sua maneira de sentir a arte. E celebrando a incrível capacidade de mudar e ser poderosa no momento da criação, solo ou compartilhada. Parabéns!!! Bjs!

    • Então a rasgação de seda terá de ser uma via de mão dupla, pq esse comentário me deixou parada olhando pro monitor uns bons dois minutos sem dizer nada. Obrigada!

      Eu fico muito feliz só de saber que você gosta de ler o que escrevo, e a sua observação sobre a arte não poderia ser mais verdadeira. Eu acho que isso q sentimos, esse amor à criação, é um dom que todos temos, para uma coisa ou outra, mas q poucos sabem aproveitar e desenvolver.

      Obrigada outra vez! Bjos 😀

  2. sabe
    ontem foi um dia mto especial
    um dia pra ficar na memória
    e que fique claro uma coisa, antes de eu abrir meu coração aqui: nada do que eu estou dizendo é pra “retornar os elogios”, ou algo parecido. é o que eu sinto. e se isso é parecido com o que a Carol colocou aqui, só mostra mais a nossa sintonia.
    ok?
    então comecemos
    sim, estava eu criando com um conhecido amigo meu (se puderem confiram o volume 2 do mangá nacional Principe do Best Seller, tem personagens desenvolvidos por nós dois ali ;3 #merchan) e dai pensei: “por que não com a Carol?” e fiz a proposta.
    a reação que eu pensava que ia acontecer era uma resposta do tipo “aah legal! um dia a gente faz isso sim!”
    mas qual não foi minha surpresa quando a Carol começou a criar ali mesmo, no mesmo instante!
    e dai quando me vi, estávamos propondo cenários e personagens, criando e co-criando, uma dando uma ideia, a outra acrescentando, desenvolvendo, e assim sucessivamente.
    sério, escrever é muito bom
    escrever em uma companhia tão especial é melhor ainda
    se você não sabe o que vai acontecer com seus personagens em suas histórias
    você sabe menos ainda o que vai acontecer com a história toda no desenvolvimento junto a outra pessoa
    é sensacional.
    indescritível.
    indescritivelmente fantástico.
    e sim, estou emocionada até agora (e agora mais ainda depois de ler o post *0* porque atesta a todos dispostos a ler o que foi sentido e aprendido ontem)
    e como disse no twitter, espero que nossa parceria continue assim. ou melhor, que se renove a cada dia, de acordo com as energias e sentimentos do instante da criação
    porque a vida é assim
    instantes, horas, dias, anos
    nunca são iguais
    porque são sempre melhores, são um passo à frente no desenvolvimento, principalmente quando se ama algo ou alguém. ou os dois. e se mergulha nisso de cabeça, alma e coração.

    • Eu NÃO DISSE q a Mari era a pessoa mais fofa do mundo inteiro? hahahahaha

      Então, sintonia faz as coisas serem mais bonitas. E ela descreveu bem o processo criativo q aconteceu. Coisa de doido. Quando passarem por isso, avisem. Vão sentir o mesmo, aposto 😀

  3. Ei, Carol, estou me preparando para passar também por isso, e com uma amiga mais que recente. Não dá medo, mas a perspectiva de muito trabalho. Bem mais do que daria escrever sozinha. Mas acredito que o prazer da escrita, compartilhado, será prazer em dobro!

    Boa sorte e um grande abraço!

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