Da Sociedade de Informação

Estava hoje na aula de uma professora sensacional (que, aliás, é doutora em Semiótica), e discutimos num seminário do colega sobre a sociedade da informação. Isso, aliado à polêmica no Twitter sobre a Maria Bethânea, fez eu ter ideinhas saltitantes querendo ser compartilhadas.

Faz tempo que não escrevo aqui, e peço desculpas às pessoas que me leem. É que ando tão cheia de coisa pra fazer, e tanto na cabeça, que não consigo parar pra postar.

1. Fiquei revoltada com a polêmica sobre a Maria Bethânea.

Não porque as pessoas sejam contra ou favor, e sim porque 99% dos comentários que li no Twitter sobre o assunto vieram de pessoas que não faziam ideia do que estavam falando. Recomendo fortemente o texto da Renata Corrêa para quem quiser entender (http://www.renatacorrea.com.br/).

E como sei que as pessoas não sabiam do que estavam falando? Porque fica óbvio quando alguém não faz ideia do assunto. A crítica vem, e poderia vir, claro, mas sem embasamento DÓI ler os argumentos. Do jeito que estavam falando, parecia que o MinC pegou dinheiro dos cofres públicos e deu nas mãos da cantora.

Na minha opinião, para ser contra ou a favor de QUALQUER COISA uma pessoa tem obrigação de conhecer o assunto. Para mim isso é tão óbvio quanto respirar.

Polêmicas à parte, isso (entre outras discussões totalmente ridículas no Twitter) e a aula de hoje me fizeram questionar – e não chegar a conclusão nenhuma.

A sociedade da informação é, a princípio, boa. Mas às vezes ela acaba vilã da história, e isso, acredito, se deve muito mais às pessoas, aos seres humanos que repassam qualquer coisa que recebem sem ler e começam a comentar sem imaginar o que estão fazendo.

Parece que esquecemos que nosso cérebro tem um filtro. Se tudo que recebemos ficasse na nossa mente, viraríamos um bando de loucos, por isso filtramos as coisas conforme interesse, identificação, conhecimento, experiência etc.

Quando repassamos uma informação sem verificar sua veracidade e sem buscar os dois lados da história, corremos o sério risco de passar por idiotas, ou de provocar uma reação em cadeia totalmente equivocada.

Você pode se revoltar com o regime da Líbia, contanto que saiba o que está acontecendo. Você pode condenar a tirania da classe média (EU ESTOU SENDO IRÔNICA), desde que entenda quais são seus problemas e suas vantagens, aspirações e dificuldades.

Às vezes leio algo, ou ouço alguém falando, e sinto muita vergonha alheia, porque é óbvio que a pessoa que se mostra entendida no assunto não sabe nada daquilo. Se você compreende um assunto e ouve alguém que não sabe falando, na hora percebe. Não sou só eu que sou assim.

E o que a sociedade tem a ver com isso?

Ficar repassando ideias falsas, de pessoas que soltaram uma opinião sem argumento (característica básica de um intelectualoide) e levar aquilo como verdade absoluta é uma forma de contribuir para o emburrecimento da população.

É devastador o efeito de uma manchete sensacionalista. A pessoa lê o título do artigo e sai repassando desembestada, sem ter lido inteiro, e na hora já tem opinião, mesmo não tendo lido a reportagem inteira nem procurado saber por outras fontes.

Com isso, a sociedade da informação leva a culpa pela incapacidade das pessoas de filtrarem as informações que recebem. E isso nos remete a outro problema, que tem a ver com a educação para o senso crítico, algo raro nos dias de hoje, e não apenas em classes sociais menos favorecidas. O senso crítico não é sairf por aí descendo o pau em tudo e todos. É justamente ter capacidade analítica de perceber o que vale a pena e o que não vale, que assuntos discutir. Isso é relativo? Claro que é. Mas para exercermos o nosso direito de subjetividade temos que buscar conhecimento. E vários lados da mesma história.

Eu poderia dar muitos exemplos, e discutir cada um deles, mas isso seria subestimar a inteligência do leitor. Só peço um favor: não custa nada procurar saber as coisas mais a fundo antes de sair dando pitaco pra quem puder ouvir ou ler.

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