Marketing Literário

Sábado, 19, eu fui cobrir um lançamento duplo para a Editora Estronho com a Tarja Editorial. Coisa linda. Mas a cobertura oficial do evento eu vou soltar só no site da FANTÁSTICA.

Antes do dito evento, porém, aportei no Shopping Metrô Santa Cruz para ir almoçar, que eu cheguei cedo naqueles lados (o lançamento foi no Pier 1327, na Vila Mariana, ou seja, do lado). Eu cheguei cedo demais graças ao colega, Leandro Schulai, mas esta introdução é até meio desnecessária. Depois que almocei, fui para a Saraiva Mega Store, do lado do cinema de lá, para dar uma olhada nas prateleiras, na vitrine etc. Sabem, quando você decide brigar pela literatura nacional, sem, é claro, desmerecer a estrangeira, é bom começar a prestar atenção nas coisas.

A vitrine me deixou até feliz. Apesar os estrangeiros dominarem, um brasileiro tímido apareceu – Dragões de Éter – Caça às Bruxas, do Raphael Draccon.

Vitrine da Saraiva, com o Dragões de Éter figurando lá atrás

Bom, o Dragões de Éter, mesmo tendo alguns defeitos editoriais, como conversei diversas vezes com muita gente, ainda é um livro nacional com uma proposta criativa e uma história envolvente. Para a próxima edição, pode ficar com um texto sensacional, se o editor cuidar dele com carinho. Portanto, ainda fico muito feliz por vê-lo na vitrine misturado a outros best-sellers.

Lá dentro, logo na entrada, ao lado na gôndola dos mais vendidos, estava uma moça vestida de menina do chapeú vermelho, promovendo o livro, entregando aqueles livretinhos que contém o primeiro capítulo da história, mas cuja capa é a miniatura da original.

 

Modelo caracterizada de menina do chapéu vermelho

Livreto Promocional da Garota da Capa Vermelha

 

É interessante, porque chama atenção, mas acredito que o simples fato de um filme estar prestes a estrear fará o livro vender. Foi uma questão de reforçar a imagem do livro. Ou seja, a literatura de gênero continua sendo superprocurada.

Aliás, a prateleira dos mais vendidos só tem literatura de gênero, exceto Augusto Cury, lá no cantinho.

Pra provar:

 

Os Mais Vendidos da Livraria Saraiva

Uma observação: a maioria eram livros de literatura estrangeira, entre os quais figuram Rick Riordan (autor da série Percy Jackson), Becca Fitzpatrick (Hush Hush e sequência), Hugh Laurie (o astro da série House). O nacional A Batalha do Apocalipse, do Eduardo Sphor, é o único brasileiro entre os best-sellers. Orgulhinho nacional? Claro que sim, mas eu ainda gostaria de ver maior participação dos livros nacionais nessa gôndola em especial.

 

Detalhe A Batalha do Apocalipse nos Mais Vendidos da Saraiva

 

 

Claro, a Saraiva também tem as prateleiras de destaque com a plaquinha “Saraiva Indica”, geralmente quem tem grana para investir na promoção de um livro que dá retorno. A série Fallen, da Lauren Kate, é uma dessas:

Saraiva Indica --> Fallen e Tormenta (série)

Peço perdão pela má qualidade das fotos. É que câmera de celular não é milagrosa. Nunca será uma câmera fotográfica de verdade, por mais que queiram insistir.

Bom, tudo isso para falar um pouco de marketing literário. Eu nem sei se essa expressão existe de verdade, e se não existir, acabei de inventá-la para englobar todas as ações que visam à divulgação de um livro, e sua manutenção na mídia e no mercado literário. Futuramente, leva ao marketing do autor da obra.

Tenho observado muito esse meio e feito muitas pesquisas, sendo estas fotos tiradas na Saraiva no sábado apenas uma das minhas muitas visitas a livrarias para observar o que está acontecendo no ponto de venda físico.

A literatura nacional caminha a passos curtos, mas caminha. Quando as pessoas leem um bom livro, tendem a procurar outros do mesmo gênero, do mesmo autor ou autores indicados, então a nossa melhor forma de propaganda ainda é um bom livro bem aceito pelos leitores, como acontece há alguns anos com o André Vianco, aconteceu recentemente com Eduardo Sphor, um pouco com Raphael Draccon, e esperamos que com outros autores.

Uma notícia maravilhosa que tive esses dias foi que a Rocco vai publicar um livro infanto-juvenil de duas autoras nacional de literatura fantástica, a Rosana Rios e a Helena Gomes, que assinam Conexão Magia. Vai para o selo Jovens Leitores da editora.

Capa do livro Conexão Magia

Agora vamos ver como podemos transformar esse livro num best-seller, driblando a cabeça-oca de certos brasileiros antipatriotas sem senso crítico (aqueles que só conseguem falar mal do País e não fazem nada para mudar a fama que ele tem). Conhecendo as autoras, tenho certeza de que o livro será ótimo. Além disso, conhecendo a Rocco, é óbvio que será uma obra de excelente qualidade.

Algo em que tenho passado muito tempo pensando é a promoção de livros nacionais que achei muito bons e que são pouco ou nada conhecidos por aí. É difícil quebrar os preconceitos dos leitores, e a dificuldade de distribuição de editoras pequenas, e meu tempo tem andado um caos definido pela palavra “escassez”. Faço muita coisa o tempo todo, e semestre que vem eu ainda começo a luta do TCC (uma coisa abominável e gigantesca na área de Publicidade, tanto que é em grupo).

Entretanto, vou entrar em contato com alguns autores de que gostei muito para começarmos a trabalhar na promoção de seus livros. Acho que falta apenas isso para alguns, e um trabalho mais forte junto às distribuidoras. Quanto aos que tem uma editora limitada no quesito distribuição, podemos trabalhar vendas online. Já os que tem falhas editoriais (revisão gramatical, coerência na história etc) vão aguardar futuras edições.

Tenho uma boa justificativa pra essa última parte: ajudando a promover bons livros, criamos no nosso povo a cultura de que EXISTE literatura de gênero brasileira de alta qualidade. Se promovermos livros de qualidade editorial ainda ruim, corremos o risco de afundar ainda mais algo que já não é muito aclamado.

Pois vamos à luta.

 

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6 pensamentos sobre “Marketing Literário

  1. Oi Carol: Gostei de sua página de seu trabalho e de sua capacidade de observação. Você aborda de maneira objetiva um problema deveras serio neste caminho em busca da boa literatura e das dificuldades do fazer saber da boa literatura. Os autores seguem seus caminhos de forma desorganizada, pois que, o mercado é cruel. Então você pelo que notei, junta ou tenta juntar livro/autores/leitores. Este é um convite para você visitar a página http://www.mhermogenes.com.br estou lançando o livro: Guíllaume a voz do silêncio. Não preciso falar de todas as dificuldades da empreitada. O que vem fazendo a diferença são os amigos das redes sociais – Orkut e facebook. Realmente funciona se você consegue comunicabilidade entre emissor e receptor e faz desse ato de comunicação algo sem ruído e recheado de afeto. É possível na virtualidade a celebração do simples.
    Estou precisando de ajuda, e sei que você não é “casa de caridade”. Mas decide bater em tua porta.
    Então se puder faça uma visita:
    http://www.mhermogenes.com.br/
    http://www.facebook.com/MHermogenes
    http://www.facebook.com/pages/Miguel-Herm%C3%B3genes-A-voz-do-sil%C3%AAncio/122232681183029
    Visite, comente, participe e compartilhe.
    Um grande abraço com meu desejo de paz e prosperidade.
    Miguel Hermógenes

  2. Carol, hoje passei na Saraiva Mega Store do Santa Cruz e lembrei das fotos deste post. Como sempre interessente, sem muito a acrescentar.

    Estou aqui também pra fazer o meu marketing literário..rs…pois hoje descobri a data da noite de autógrafos do meu livro. Olha só…

    Noite de autógrafos do livro “O Poder do Fogo”
    Dia 14/04 às 20h na Fnac da Av. Paulista.

    Agora o frio na barriga não passa mais…

    PS: Sensacional a “síndrome de vira-lata”…rs

  3. Oi Carol, quanto tempo, não?

    Vida corrida, vida corrida… i.i

    Bem, indo ao tópico da discussão… Algo interessante de notar é que, não só os livros, mas tudo relacionado ao mundo nerd está com grande divulgação ultimamente. Tem até propaganda de carro usando referências ao Guitar Hero (amo aquela propaganda btw…)!! Penso que o mercado finalmente descobriu que nerd dão muito dinheiro.

    Sobre os brasileiros anti-patriotas, acho que, muito mais do que antipatriotismo, essas pessoas tem síndrome de vira lata e não conseguem conceber a ideia de que no Brasil há sim literatura fantástica e/ou essas pessoas foram traumatizadas com os livros nacionais que leram durante a escola. Veja bem, eu penso que as escolas tem SIM que adotar clássicos, mas também penso que essa adoção deveria ser reformulada e, talvez, as escolas poderiam adotar em um mesmo ano, um clássico brasileiro, um clássico extrangeiro e um livro lançado atualmente (+/- de até uns 10 anos atrás).

    PS: A capa de Conexão Magia é linda, não é? Tomara que a história seja boa também, pelo perfil das escritoras, estou botando fé. Tomara que não me decepcionem! ^^ (vc já leu?)

    • 1. concordo com a ideia sobre os nerds.
      2. ‘síndrome de vira-lata’ foi uma das expressões mais originais q já ouvi, e traduz exatamente o q eu queria passar. Sua ideia sobre o modelo a ser adotado em escolas é interessante tbm. Acho q meio q começou, afinal o governo comprou da DCL O Sangue de Lobo, né?? ^^
      3. A capa é fofa. Eu nunca li nada das duas, mas sempre ouvi falar muito bem.
      E estou com saudadessssssssssssss!!!!

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