Um Projeto

Tive uma ideia para vlog, que não sei se vai funcionar, e não faço ideia de como vou editar (não sendo eu grande editora de vídeos). Mas é uma ideia que me cativou em algum momento entre ontem à noite e hoje de manhã.

Eu me descobri uma nacionalista. Não uma daquelas que recrimina tudo que é estrangeiro, pelo contrário. Eu gosto muito da cultura inglesa (não pensei nisso como merchan, mas serve), por exemplo, seus autores de literatura de gênero, seus atores impressionantes de teatro.

O meu é aquele tipo de nacionalismo que pensa apenas em amar seu País e fazê-lo melhorar. E existem dois tipos de pessoas em relação a isso: as que debocham de qualquer tentativa de encarar o Brasil de forma positiva (pessoas extremamente medíocres, diga-se de passagem) e as que até querem ajudar a melhorar a nossa imagem para nós mesmos e para fora, mas nem fazem ideia de como é possível.

O terceiro tipo seria aquele que tenta de alguma forma, mesmo que não seja bem sucedido. Os outros dois tipos são os dominantes. Eu mesma me vejo incluída no segundo grupo.

Qual é exatamente a nossa imagem lá fora (e, aliás, aqui dentro)? Um País de gente malandra, que só quer levar vantagem, um povo semialfabetizado, que só faz jogar futebol e sambar e ir à praia. Talvez um povo que fala espanhol e vive entre macacos na floresta (onde também deve haver uma imensa favela cheia de traficantes impiedosos e umas gostosonas do funk carioca).

Se você mora em Minas Gerais ou em Goiás deve achar a história da praia uma piada de mau gosto. Se você é de Curitiba a história das favelas também não parece certa. Se você é de qualquer lugar fora da região Norte do País, nada de floresta, macacos, jacarés ou afins (ta, no Pantanal ainda tem jacarés – ou crocodilos, sinto pela incompetência em discerni-los).

Mas o que estou tentando dizer é que nós nos taxamos de coisas que não somos, nem todos fazemos, nunca quisemos.

Já falei em outras ocasiões sobre a hashtag mais imbecil da história do Twitter – #seharrypotterfossebrasileiro. A ideia é interessante, atê você ler o que a estupidez dos cérebros nacionais puderam pensar: coisas como Hermione teria ficado grávida no 3º ano, Dumbledore seria um político corrupto, Voldemort seria traficante na favela, entre tantas outras coisas.

Engraçado como essas pessoas não gostam de ser mal vistas como brasileiras no exterior, quando elas dão força à má imagem que temos. Se uma mulher vai para fora sozinha e é encarada como puta (no sentido de prostituta mesmo), fica ofendida. Mas não é assim que ela vê suas conterrâneas, e assim que algumas querem ser vistas?

Minha amiga Tayla usou uma expressão interessante: disse que os brasileiros tem um complexo de vira-lata. Sensacional. Tirando o fato de que vira-latas são cachorros muito interessantes, a comparação foi construída para associar nosso complexo de inferioridade.

Somos um país agroexportador, oras! Como isso muda? Lutar para investir em outras áreas, como educação? Mas o que nós, meros civis, fazemos com a história da educação, além de reclamar, tendo uma vaga noção do que se trata?

Tudo isso eu comentei para expor minha ideia de vlog.

Eu pretendo mostrar um outro lado do País. O lado bonito dele, sem falar só das belezas naturais. Falar das pessoas, da parte boa, do que fazemos.

Porque a parte ruim todos já falam, quase como se orgulhassem. Eu sou uma das poucas pessoas que conheço que fala em jogos mmorpgs ou rts que sou brasileira sem a menor vergonha.

Como esperar que os entrangeiros valorizem produtos e serviços brasileiros se nem nós valorizamos?

Só um PS: a partir de hoje acrescentarei um selo às minhas resenhas. Claro, só às resenhas de livros que me deixem boquiaberta. Os livros que não tiverem o selo não necessariamente são ruins. Conta muito o que eu tiver dito na resenha para saber se gostei ou não. Mas é que eu queria muito diferenciar as obras de que gostei muito das que mudaram a minha forma de enxergar as coisas (as que terão o selo).

Resenha de Livros Nacionais

Resenha de Livros Internacionais

 

 

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4 pensamentos sobre “Um Projeto

  1. Primeiro, uma informação, a expressão Complexo de Vira-Lata foi cunhada pelo Nelson Rodrigues para expressar o que ele dizia ser uma vontade do brasileiro de se inferiorizar perante ao mundo. Segundo, concordo em gênero, número e grau. Terceiro, se queres mais um exemplo imbicelizante sobre o assunto, é só assistir a reportagem da CBS, no EUA, sobre o Brasil. Um dos entrevistados: o pseudo-intelectual Eduardo Bueno, figurinha fácil na mídia nacional, mas cujo cérebro provavelmente não encheria um dedal. Fica o link: http://www.youtube.com/watch?v=DMM7OJ_Kj9I

  2. Adorei, Carol!
    é muito verdade o que vc falou. Quando fui estagiar na França, sofri a maior recriminação por ser brasileira. Teve gente que me perguntou se existia faculdade de veterinária no Brasil! (detalhe, eu estava de estetoscópio, auscultando um cãozinho nessa hora, rs) A nossa imagem é deturpada, e muitos nos consideram um país sem cultura e sem capacidade técnica. Super apoio sua ideia e estou disposta a te ajudar! Beijinhos

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