Resenha do Livro CYBER BRASILIANA, de Richard Diegues

Nacional Recomendado

Por natureza, os livros são um mundo fascinante que cabe nas suas mãos. É triste quando você pega um livro, lê, sacode os ombros e esquece. Tem os livros que incomodam de alguma forma, e você se lembra. Tem os que emocionam, criam tal identificação que de certa forma seu humor fica atrelado ao das personagens, criam condições para você imergir mundo adentro e nos fazem sofrer tanto quanto as personagens sofrem.

Há os livros que nos causam raiva, e buscamos esquecer, porque no fundo de nossas mentes fica aquela perguntinha: “por que perdi meu tempo com isso?”.

Mas nunca saberemos se um livro é bom ou ruim até tê-lo lido, não é mesmo?

E sábado passado, durante o lançamento duplo de A Situação (Tarja Editorial) e Extraneus 2 (Editora Estronho), – confira a cobertura oficial aqui http://www.revistafantastica.com/apps/blog/entries/show/6487853-chiovatto-no-lan-ento-de-extraneus-2- – pus as minhas mãozinhas num exemplar de Cyber Brasiliana, do Richard Diegues, que é o editor da Tarja. Eu vinha cobiçando esse livro fazia um tempo. Desde que li sua sinopse. Por favor, entrem aqui http://tarjaeditorial.com.br/tarja/?p=167 para ler, porque nunca foi meu estilo fazer a sinopse dos livros que resenho.

Eu achava que seria um livro muito legal. MULHER DE POUCA FÉ! Desde que comecei a ler a primeira página fui acorrentada à história e atirada dentro de seu mundo sem nenhuma cortesia. Presa. Se eu tivesse o mínimo de tempo livre, teria devorado o livro inteiro no café da manhã. Infelizmente, só me restaram as horas de trânsito no ônibus ao longo da semana. Que aproveitei com maestria. Quase perdi o meu ponto várias vezes, aliás.

Não sei das pessoas normais, mas a insana aqui entra na história de forma a se ver no cenário construído. E fica p*** da vida quando o livro não lhe permite fazer isso, o que, é claro não é o caso do Cyber Brasiliana.

Ok, como breve resumo, a história trata de um futuro em que os países do eixo-sul comandam e os do norte estão falidos (versão resumida muito pobre), em que há uma super-hiper-ultra-mega-rede denominada Hipermundo, a que as pessoas se conectam e onde navegam com avatares – representações corpóreas contraladas através de suas mentes, com os aparatos necessários.

Não, não é só isso. A história tem uma complexidade amarrada que você não percebe pela naturalidade e leveza da narrativa. Eu não sei NADA de programação, nem Html básico. E entendi as descrições que ele dá do Hipermundo e explicações subsequentes.

Mais do que isso, as histórias das personagens se intercalam e são uma narrativa cronológica sem defeitos, de algo perfeitamente aceitável. A chinesa programadora grávida presa pela conexão no Hipermundo, o Pistoleiro com seu corpo mais-que-avatar, o desenvolvedor mediano Sa-Id que só quer fazer o que é certo, o ant-herói nerd master 5i-cent, o vilão Rajaram, a prostituta-motoqueira Cin-D… todos eles tem características peculiares que encantam de alguma forma. Dão charme à história.

E quem é capaz de construir uma boa história sem bons personagens (gente sólida, crível)? Pois é. Mas se o Richard TEM esses personagens, a história ser boa é simplesmente elevá-la a outro patamar.

Sem clichês.

Sem um vilão que quer dominar o mundo for no reason. Esse vilão é inteligente, sabe o que quer, entende o que está fazendo e as consequências de seus atos. Também erra antes do final. E como erra. Mas sabe que está errando e converte isso a seu favor.

Os mocinhos não são maniqueístas, não tem síndrome de Superman. Mas também não são aquele tipo malandro que tenho vontade de chutar quando vejo. São apenas pessoas. E por isso encantam.

Os fatos não são jogados à toa. Você os vê entrelaçados claramente durante toda a história. Acompanha os raciocínios. Você não sabe como será o final, mas tenta fazer uma ideia. No final, o que importa é o caminho que nos levou até lá, que é brilhante.

Eu teria mais milhares de observações a fazer, mas deixarei ao leitor que enxergue por si mesmo. Por enquanto, deixo minha forte recomendação.

P.S.: preciso confessar que criei o selinho de recomendação quando comecei a ler esse livro. Eu PRECISAVA diferenciá-lo dos outros de alguma forma.

 

Anúncios

4 pensamentos sobre “Resenha do Livro CYBER BRASILIANA, de Richard Diegues

  1. Pingback: Do Poder de um Diário, Livros Bons e Cliente de TCC | Carol Chiovatto

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s