Do Poder de um Diário, Livros Bons e Cliente de TCC

Hoje: porque recomendo escritores fazerem uso de um diário (aquela coisinha adolescente de que todo mundo debocha), últimos livros bons que li e por que são bons e meu adorado cliente de TCC.

 

Diário na Vida de um Escritor

Fazia anos que eu não tinha um diário. Um belo dia estava fazendo a limpa no meu armário de livros, coisas da faculdade e anotações baderneiras sobre meus livros e encontrei o últi. Abri aquele sorriso de lado que denunciava que aquela porcaria iria para o lixo, mas abri para ler. Fiquei impressionada de ler coisas que senti em determinadas situações de anos atrás.çao sei explicar o fascínio de ler experiências suas na visão de outra pessoa.

Outra pessoa?

É.

Porque, quando me lembro de certas coisas hoje em dia, dou risada, ou faço caretas de desgosto, mas são lembranças indefesas sendo destroçadas pela mente que tenho hoje, depois de muito tempo. Na época do diário, algo que para mim hoje é ridículo rivalizaria com uma tragédia de Shakespeare. O tempo mexe em coisas de dimensões astronômicas e as transforma em acontecimentos incômodos, ou risíveis. O passado só é completamente passado se for assim.

O diário Jane Austen é mini

Mas porque falei do diário na vida de um escritor? Porque enxergar o que eu era naqueles tempos me fez ter outra dimensão de mim mesma. Parece supercomplicado e superfilosófico, mas não é. É bobo e infantil, e por isso mesmo glorioso. Você vê as coisas de modo diferente e isso é um dos melhores materiais com que um escritor pode montar sua oficina de ideias intracraniana.

Aí alguns meses depois de minha descoberta (tipo, semana passada), fui na Livraria Cultura Arte do Conjunto Nacional, que tem aqueles caderninhos-fetiche de qualquer profissional da comunicação, dentre os quais Moleskines estão incluídos, mesmo não sendo os únicos, e fui fuças. Aqueles que tem quotes de autores consagrados sempre estiveram dentre os meus preferidos.

Peguei nas mãos um do Oscar Wilde, que tem a quote: “I never travel without my diary. One should always have something sensational to read in the train.” Em tradução livre: eu nunca viajo sem meu diário. Uma pessoa sempre deve ter algo sensacional para ler no trem. É, soa presunçoso, mas ele era o Oscar Wilde, então na verdade é apenas atestar o óbvio. Não peguei esse, porque meus olhos bateram no da Jane Austen: “Let other pens dwell on guilt and misery”. Eu fiquei olhando para aquela quote com cara de peixe morto durante alguns minutos. Como é possível uma frase tão curta resumir todos os sentimentos que eu tenho em relação a escrever? Em tradução LIVRE: “deixe que outras canetas discorram sobre culpa e tristeza”.

PARÊNTESE (você sabe que a tradução literal de cada palavra não condiz com o que eu escrevi? Você não é @ únic@. Tentei preservar o sentido da frase, embora eu não tenha chegado nem perto. Daria para escrever melhor? Provavelmente, mas existem milhares de formas para se traduzir essa frase, e o que prezo é que o leitor de língua portuguesa apenas consiga entender o que ela quis dizer).

O diário do Allan Poe tem quase o tamanho de um caderno pequeno

Dias depois comprei um maior, do Edgar Allan Poe, porque amo gênios, e separei: o da Jane Austen para tudo e o do Allan Poe para minhas cirações literárias. É que as criações literárias fazem parte de outro universo, que não deve ser misturado ao originalmente ‘real’ (embora possamos discutir opiniões divergentes outro dia).

Mas o que quero dizer: o diário do cotidiano um dia vai servir para eu me entender e entender uma época da minha vida de forma fria e analítica. O da criação tem uma fução BÁRBARA e MÁGICA. Quando começo a escrever sobre minhas ideias cruas, elas dançam na minha cabeça um ballet descoreografado e vão se colocar graciosamente no papel. Ideias novas aparecem quando a caneta risca folha, e as antigas tomam novas formas. De repente, eu compreendo o milagre da minha cabeça, mesmo que não em sua totalidade.

E se você é escritor e acha que só falei bobagem, ou nunca se entregou completamente ao seu diário, ou nunca nem começou um.

 

Livros que são tão Bons que me Comovem

Bom, minha cruzada para encontrar bons livros nacionais às vezes atropela muita coisa ruim, mas encontro pérolas que fazem meu coração acelerar e instantaneamente me apaixonar pelo autor, ainda que não o conheça pessoalmente, ou que conheça pouco.

Já tinha acontecido com o primor Cyber Brasiliana, de Richard Diegues, que foi o programa de estreia do Indicações Fantásticas. Depois, aconteceu com Anjo – A Face do Mal, cuja falta de mão do editor me deu muita raiva, algo que não me fez julgar mal o livro.

Cyber Brasiliana, de Richard Diegues, pela Tarja Editorial

Eu tinha gostado muito de Cira e o Velho, do Walter Tierno, mas andei relendo esses dias e descobri que ele não é só legal, ou bom, mas que é SENSACIONAL. Acho que me faltava maturidade quando li da primeira vez. Ou seja, é um convidado para o Indicações Fantásticas, e deverá participar do 5º programa (ainda estou sofrendo de falta de câmera para gravação, e não gosto da ideia de entregar um vídeo de webcam para o público. Prefiro esperar e resolver isso).

Poster da Capa da 2ª Edição de Cira e o Velho, de Walter Tierno, pela Giz Editorial

Fuga de Rigel, do Diogo de Souza, está marcao para ser o próximo HÁ MESES, e juro que vai sair ainda esse ano. Vou dar um jeito, prometo. A resenha demonstrou bem a verdade: foi um dos primeiros nacionais que me encantou.

Capa do livro Fuga de Rigel, de Diogo de Souza, pela Editora Isis

Agora, não fiz resenha de um livro fantástico que li, mas não suporto a ideia de não falar dele a vocês. Não, continuarei não fazendo resenha do dito cujo, porque não me acho digna de falar dele. Não tenho capacidade de elogiar em palavras humanas Reino das Névoas – Contos de Fadas para Adultos, da autora Camila Fernandes. Estará no 4º Indicações Fantásticas, e provavelmente estarei mais enfática do que de costume nos vídeos (piadas preparadas, eu sei que sou uma caricatura em pessoa falando). Eu só posso dizer uma coisa: quem comprar esse livro não vai se arrepender. Não existe forma de não gostar dele. Você pode não gostar de conos, de contos de fadas, de coisas que contenham conteúdo adulto, mas VAI GOSTAR desse livro. Simplesmente pue ele pega as suas expectativas e destrói todas elas com um sopro de fada, que é escrita da autora. Nada é de mais e nem de menos. Não tem exagero nem eufemismo. É na medida certa.

Se alguém me apontasse uma arma na cabeça e me dissesse para indicar um livro bom ou eu morreria, e eu não fizesse a menor ideia do que o cara gostasse de ler, ou SE ele gostasse de ler, indicaria Reino das Névoas. Simples assim.

Estou exagerando? Compre o livro, leia e depois conversaremos.

Capa de Reino das Névoas, feita pela própria autora, Camila Fernandes, que também fez as ilustrações internas. Saiu pela Tarja Editorial.

A única hipótese de um ser humano não gostar desse livro é ser um autor frustrado que não sabe escrever sentindo muita inveja.

Última aquisição: Tempos de AlgóriA, de Richard Diegues. Ainda estou na metade, mas estou encantada com a aparente simplicidade. Digo aparente porque é um livro gostoso e fácil de ler, as tramas fazem sentido na sua cabeça, e são tão reais quanto só a boa ficção sabe ser. A intenção do livro é ser um infantil que adultos possam ler de forma diferente e receber mensagens diferentes da que as crianças receberiam. Até onde posso dizer, essa meta está sendo brilhantemente atingida.

E só um profissional muito bom tem a capacidade de fazer parecer simples algo extremamente complexo como criar um mundo – um universo – totalmente diferente, criar identificação do leitor com esse universo, e ainda fazê-lo simples de entender.

Tempos de AlgóriA, de Richard Diegues, pela Tarja Editorial

 

PAUSA PARA REFLEXÃO.

Andei ouvindo/lendo comentários e indiretas de que sou uma puxa-saco. Devo dizer: eu SEMPRE elogio quando o trabalho merece ser elogiado, e elogio com toda a admiração que sou capaz de demonstrar, porque são pouquíssimas as pessoas no mundo inteiro que trabalham bem em suas áreas respectuivas. Se você achou isso absurdo, é porque a verdade dói.

E puxar saco é para quem precisa disso.

 

Cliente de TCC

Como estudante do último ano do curso de Publicidade e Propaganda, o Trabalho de Conclusão de Curso surgiu sobre mim. A proposta do TCC de PP é criar uma campanha completa para cliente real, inclusive com contrato assinado com a faculdade. Como sempre tendi a unir minhas paixões, é ÓBVIO que eu iria escolher uma editora.

Ponderei várias coisas: deveria ser alguém que fizesse trabalho de EDITORA, não de mera tradutora e distribuidora, portanto teria que publicar autores nacionais com frequência em seus catálogos. Seria bom ser de São Paulo, já que precisamos ter contato com o cliente. Precisaria ser de alguém que QUER ajuda – e esta parte dispensa comentários. Deveria ser alguém cujo catálogo aprecio, porque certos princípios éticos me fazem querer promover coisas boas, já que promover coisas ruins só afundaria mais ainda a literatura nacional como um todo.

Então convidei a Tarja Editorial para ser minha cliente de TCC e eles toparam na hora. Estou honrada em trabalhar com eles nesse momento tão importante da minha vida, e quanto mais sei da editora, mais encantada fico. Dentre os livros que já citei no blog, estão no catálogo deles Cyber Brasiliana, Reino das Névoas e Tempos de AlgóriA. Vou ler o catálogo inteiro até o fim do TCC, então não estranhem se eu começar a indicar muitos livros de lá.

Quando é bom eu indico. Quando é ruim vocês nem ouvem dizer que eu li. Essa é minha filosofia atual.

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2 pensamentos sobre “Do Poder de um Diário, Livros Bons e Cliente de TCC

  1. Pingback: The greater agony «

  2. “Andei ouvindo/lendo comentários e indiretas de que sou uma puxa-saco. Devo dizer: eu SEMPRE elogio quando o trabalho merece ser elogiado, e elogio com toda a admiração que sou capaz de demonstrar, porque são pouquíssimas as pessoas no mundo inteiro que trabalham bem em suas áreas respectivas. Se você achou isso absurdo, é porque a verdade dói.”

    Holly COW, Carol! Clap, clap, clap, clap, clap!

    É engraçado como as pessoas se apressam em chamar de puxa-saco alguém que elogia com entusiasmo, espontaneamente, sem reservas. Parece até que a gente não pode gostar tão profundamente de uma coisa. Falar mal está na moda, parece indicar senso crítico. Infelizmente, às vezes indica apenas mau humor, frustração e infelicidade… Críticos criticam, não trollam. Baita diferença entre uma coisa e outra.

    Uma coisa: eu já tive um pseudo-diário por cerca de 1 ano, quando eu tinha entre 13 e 15 anos (não lembro exatamente que ano foi). Digo pseudo porque não escrevia nele diariamente, nem necessariamente escrevia sobre o que aconteceu no meu dia. Escrevia uma porção de bobagens sobre tudo o que eu amava e odiava (principalmente sobre o que eu odiava). Um ou dois anos depois, abri o dito diário e o achei tão feio, tão amargo, tão vergonha própria (se existe vergonha alheia, deve existir vergonha própria também, rs…) que joguei fora sem titubear. Acho que não passei tempo suficiente longe dele para criar esse distanciamento que permite um olhar frio e analítico sobre a “obra”. Eu ainda estava próxima demais da pessoa que eu tinha sido quando o escrevi para conseguir me sentir como outra pessoa. Hoje, lamento tê-lo jogado fora.

    Outra coisa: obrigadÍSSIMA pela parte que me toca. Ou melhor, que toca meu livro. 😉

    Outra coisa ainda: EU QUERO ESSE CADERNINHO DO POE!!! É muito caro?

    Beijo!

    Mila

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