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Às vezes na vida agimos como espectadores de um grande show, às vezes tomamos as rédeas dos acontecimentos e os fazemos caminharem a nosso favor, ou ainda podemos nos engajar em alguma causa, ajudar algo em que acreditamos.

Sempre tive horror àquele tipo de vida que me faz lembrar um peixe no aquário: aquelas pessoas que se deixam levar, vivem uma vida pela metade – saem de casa, vão trabalhar, onde não desenvolvem nada especial, voltam, tomam banho, jantam, assistem ao jornal e à novela, apenas para fazer o mesmo no dia seguinte e no outro, até chegar o fim de semana. Quando chega, podem sair para o shopping ou para a igreja, ocasionalmente comem fora e compram coisas. Às vezes estão cansados e só ficam em casa.

E assim levam os dias até um feriado ou as férias, quando podem viajar ou não, e ainda assim a vida é um marasmo.

Se o bicho papão de Harry Potter aparecesse para mim, eu veria eu mesma existindo dessa forma. Acho que é a coisa mais horrorizante. Vida de peixe de aquário. Nadando de um lado para o outro, comendo, defecando e dormindo.

Mas, bem, o ser humano é uma coisinha complicada e provida de intelecto. Vida de peixe é um desperdício. Nosso medo da morte vem de um espelho da nossa vida; queremos encontrar um sentido, mas quem busca um sentido? Uma morte não tem sentindo (mas por que temê-la, se a sua vida não tiver?)

Entretanto, como em qualquer aspecto da vida, só nós mesmos podemos fazer algo a respeito; imbuir nossa existência de um significado especial, mesmo que para nós mesmos e para poucos que nos cercam.

Muitos sentem pena dos animais maltratados, mas quantos fazem algo a respeito? (e não venha me dizer que compartilhar imagens horríveis no Facebook, dando origem a correntes piores ainda, é fazer algo a respeito, porque NÃO É). Buscamos maneiras de fazer parecer que estamos engajados em alguma coisa sem levantar nossos traseiros do sofá.

Também não digo que precisamos viver nas ruas em nome da justiça social. Mas, por exemplo, pessoas que trabalham na igreja, de qualquer religião que seja, podem entrar em algum grupo de trabalho social, porque as igrejas naturalmente fazem trabalhos assim: alfabetização de adultos, crianças, idosos, doentes.

Ok, você não gosta dessas coisas. Ongs que cuidam de animais? Ongs do direito da mulher?

Ah, o País está uma merda. Legal, e o que VOCÊ faz para mudar isso? Qualquer um sabe que o maior problema, que dá origem a outros e impede que outros ainda sejam resolvidos? A Educação. Todo mundo sabe disso.

Mas o que eu posso fazer? Isso é problema com o governo.

Ok, começa votando direito. E não é problema do governo porra nenhuma. Se você ensinar seus filhos, sobrinhos etc a respeitar o professor, ensiná-los a usar bibliotecas municipais, incentivá-los a ler, já estará fazendo alguma coisa. E, por experiência própria, as boas influências numa sala de aula atraem a atenção de boa parte de outras crianças.

O que dizer, no entanto, de pais que sequer acompanham o que os filhos estão fazendo nas escolas? (escrevi um longo artigo sobre isso para a FANTÁSTICA).

Enfim, vida de peixe.

Há tantas milhares de coisas para se fazer, que se eu me estender aqui, posso escrever um tratado.

Óbvio que todo mundo tem o direito de preferir a vida de peixe. Só estou apontando, para caso alguém que me leia esteja infeliz com seu cotidiano, o que eu acho que dá sentido, ou empresta alguma forma de significado, à nossa curta passagem pela Terra.

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