Impressões (ou Resenha) de Territórios Invisíveis, de Nikelen Witter

Começo este post sob o signo do maior entusiasmo que pode haver: aquele por bons livros. Mas mais do que isso: aquele de quem encontrou uma joia preciosa que traz uma luz mágica para a vida.

O infanto-juvenil Territórios Invisíveis, da Nikelen Witter, é um daqueles tesouros que às vezes encontramos e fazem a nossa vida se acender em cores diferentes. TOP 5 livros da minha vida, sem sombra de dúvida.

Não tenho vontade de resenhá-lo; sinto-me indigna disso. Tive essa sorte poucas vezes na vida, e esta é uma delas. Não tenho domínio das palavras suficiente para transpor nelas uma faísca sequer do que sinto.

Bem, é um infanto-juvenil. É daqueles com crianças protagonistas que são dragadas para um mistério além de sua compreensão. É um livro de fantasia.

Só que ele tem aquele ingrediente especial que separa os livros legaizinhos dos ME-MO-RÁ-VEIS. Há algo ali, escondido entre as linhas, encharcando os parágrafos e infiltrando cada frestinha da nossa imaginação – algo que faz você ter certeza de que vai levar o livro com você para sempre, mesmo quando achar que não se lembra mais.

Eu não vou dizer o que é porque não sei. Mas também não diria, se soubesse. Os encantamentos mais bonitos tendem a se perder quando tentamos explicá-los.

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Informações oficiais, já que não dei nenhuma

Imagem Nem sempre os acontecimentos extraordinários irão manifestar-se para pessoas especiais. Por vezes, o que alguns chamam de Destino nada mais é do que uma coleção de acasos, selecionados pela sorte. Ou, pela falta dela. A vida dos gêmeos Ariadne e Hector nada tinha de excepcional. A não ser, talvez, pelo desaparecimento da mãe, a historiadora Marina, há quatro anos. Porém, para quem vive nas grandes cidades (por vezes, até mesmo nas pequenas), este é um pesadelo que se pode encontrar em qualquer jornal. Assim, às vésperas de completarem 13 anos, os dois irmãos dividem seu tempo entre fugir da dor da perda, implicar um com o outro, atormentar o pai e conviver com os três melhores amigos: Neco, Leo e Camila. Acontecimentos incomuns os rondam, se fazem próximos, embora ainda não perceptíveis. Então, quando o irmão mais novo de Leo é raptado, o extraordinário os arrebata. Os sequestradores do pequeno Mateus exigem a entrega de uma misteriosa caixa de segredos, não maior que um tijolo, entalhada com um sol com raios que vertem lágrimas – um sol que chora. A caixa foi construída de maneira a permanecer inacessível até que as peças que a formam, organizadas em quebra-cabeças, tenham seus segredos desvendados. Baixe um trecho aqui.

Edição: 1
Editora: Fantas
ISBN: 9788564590274
Ano: 2012
Páginas: 368

 

Consciência de uma Ótima Escolha (ou puxa-saquismo merecido)

Quando decidi que ia escrever um romance histórico com bruxas, eu pensei em convidar a Nikelen para ser minha consultora história, guiada pelos comentários muito sensatos que fez num conto meu. Comentários esses com conhecimento em História, mas, além disso, em estrutura narrativa, roteiro e coesão gramatical.

Fiquei muito feliz que ela tenha aceitado, e cada vez mais feliz depois que ela me ajudou com o projeto para o edital de Criação Literária da BN, pois não interferiu nem nas minhas ideias, nem nos meus argumentos, mas havia certo toque de onde escrever o que, algo do projeto que ela conhecia que eu não havia citado muito bem, e esses detalhezinhos que fazem a diferença.

Conversamos sobre minha pesquisa bibliográfica imensa poucas e esparsas vezes, e todas foram de uma riqueza imprescindível para meu trabalho. Temo, apenas, não estar à altura de consultora tão entusiasmada.

Mas depois de ler esse livro, eu fiquei em êxtase e receosa. Em êxtase, porque tenho uma consultora com habilidades extraordinárias para me guiar. Receosa, porque dá um frio na barriga ler algo tão bom e achar que nunca serei capaz de escrever algo tão incrível.

Do Poder de um Diário, Livros Bons e Cliente de TCC

Hoje: porque recomendo escritores fazerem uso de um diário (aquela coisinha adolescente de que todo mundo debocha), últimos livros bons que li e por que são bons e meu adorado cliente de TCC.

 

Diário na Vida de um Escritor

Fazia anos que eu não tinha um diário. Um belo dia estava fazendo a limpa no meu armário de livros, coisas da faculdade e anotações baderneiras sobre meus livros e encontrei o últi. Abri aquele sorriso de lado que denunciava que aquela porcaria iria para o lixo, mas abri para ler. Fiquei impressionada de ler coisas que senti em determinadas situações de anos atrás.çao sei explicar o fascínio de ler experiências suas na visão de outra pessoa.

Outra pessoa?

É.

Porque, quando me lembro de certas coisas hoje em dia, dou risada, ou faço caretas de desgosto, mas são lembranças indefesas sendo destroçadas pela mente que tenho hoje, depois de muito tempo. Na época do diário, algo que para mim hoje é ridículo rivalizaria com uma tragédia de Shakespeare. O tempo mexe em coisas de dimensões astronômicas e as transforma em acontecimentos incômodos, ou risíveis. O passado só é completamente passado se for assim.

O diário Jane Austen é mini

Mas porque falei do diário na vida de um escritor? Porque enxergar o que eu era naqueles tempos me fez ter outra dimensão de mim mesma. Parece supercomplicado e superfilosófico, mas não é. É bobo e infantil, e por isso mesmo glorioso. Você vê as coisas de modo diferente e isso é um dos melhores materiais com que um escritor pode montar sua oficina de ideias intracraniana.

Aí alguns meses depois de minha descoberta (tipo, semana passada), fui na Livraria Cultura Arte do Conjunto Nacional, que tem aqueles caderninhos-fetiche de qualquer profissional da comunicação, dentre os quais Moleskines estão incluídos, mesmo não sendo os únicos, e fui fuças. Aqueles que tem quotes de autores consagrados sempre estiveram dentre os meus preferidos.

Peguei nas mãos um do Oscar Wilde, que tem a quote: “I never travel without my diary. One should always have something sensational to read in the train.” Em tradução livre: eu nunca viajo sem meu diário. Uma pessoa sempre deve ter algo sensacional para ler no trem. É, soa presunçoso, mas ele era o Oscar Wilde, então na verdade é apenas atestar o óbvio. Não peguei esse, porque meus olhos bateram no da Jane Austen: “Let other pens dwell on guilt and misery”. Eu fiquei olhando para aquela quote com cara de peixe morto durante alguns minutos. Como é possível uma frase tão curta resumir todos os sentimentos que eu tenho em relação a escrever? Em tradução LIVRE: “deixe que outras canetas discorram sobre culpa e tristeza”.

PARÊNTESE (você sabe que a tradução literal de cada palavra não condiz com o que eu escrevi? Você não é @ únic@. Tentei preservar o sentido da frase, embora eu não tenha chegado nem perto. Daria para escrever melhor? Provavelmente, mas existem milhares de formas para se traduzir essa frase, e o que prezo é que o leitor de língua portuguesa apenas consiga entender o que ela quis dizer).

O diário do Allan Poe tem quase o tamanho de um caderno pequeno

Dias depois comprei um maior, do Edgar Allan Poe, porque amo gênios, e separei: o da Jane Austen para tudo e o do Allan Poe para minhas cirações literárias. É que as criações literárias fazem parte de outro universo, que não deve ser misturado ao originalmente ‘real’ (embora possamos discutir opiniões divergentes outro dia).

Mas o que quero dizer: o diário do cotidiano um dia vai servir para eu me entender e entender uma época da minha vida de forma fria e analítica. O da criação tem uma fução BÁRBARA e MÁGICA. Quando começo a escrever sobre minhas ideias cruas, elas dançam na minha cabeça um ballet descoreografado e vão se colocar graciosamente no papel. Ideias novas aparecem quando a caneta risca folha, e as antigas tomam novas formas. De repente, eu compreendo o milagre da minha cabeça, mesmo que não em sua totalidade.

E se você é escritor e acha que só falei bobagem, ou nunca se entregou completamente ao seu diário, ou nunca nem começou um.

 

Livros que são tão Bons que me Comovem

Bom, minha cruzada para encontrar bons livros nacionais às vezes atropela muita coisa ruim, mas encontro pérolas que fazem meu coração acelerar e instantaneamente me apaixonar pelo autor, ainda que não o conheça pessoalmente, ou que conheça pouco.

Já tinha acontecido com o primor Cyber Brasiliana, de Richard Diegues, que foi o programa de estreia do Indicações Fantásticas. Depois, aconteceu com Anjo – A Face do Mal, cuja falta de mão do editor me deu muita raiva, algo que não me fez julgar mal o livro.

Cyber Brasiliana, de Richard Diegues, pela Tarja Editorial

Eu tinha gostado muito de Cira e o Velho, do Walter Tierno, mas andei relendo esses dias e descobri que ele não é só legal, ou bom, mas que é SENSACIONAL. Acho que me faltava maturidade quando li da primeira vez. Ou seja, é um convidado para o Indicações Fantásticas, e deverá participar do 5º programa (ainda estou sofrendo de falta de câmera para gravação, e não gosto da ideia de entregar um vídeo de webcam para o público. Prefiro esperar e resolver isso).

Poster da Capa da 2ª Edição de Cira e o Velho, de Walter Tierno, pela Giz Editorial

Fuga de Rigel, do Diogo de Souza, está marcao para ser o próximo HÁ MESES, e juro que vai sair ainda esse ano. Vou dar um jeito, prometo. A resenha demonstrou bem a verdade: foi um dos primeiros nacionais que me encantou.

Capa do livro Fuga de Rigel, de Diogo de Souza, pela Editora Isis

Agora, não fiz resenha de um livro fantástico que li, mas não suporto a ideia de não falar dele a vocês. Não, continuarei não fazendo resenha do dito cujo, porque não me acho digna de falar dele. Não tenho capacidade de elogiar em palavras humanas Reino das Névoas – Contos de Fadas para Adultos, da autora Camila Fernandes. Estará no 4º Indicações Fantásticas, e provavelmente estarei mais enfática do que de costume nos vídeos (piadas preparadas, eu sei que sou uma caricatura em pessoa falando). Eu só posso dizer uma coisa: quem comprar esse livro não vai se arrepender. Não existe forma de não gostar dele. Você pode não gostar de conos, de contos de fadas, de coisas que contenham conteúdo adulto, mas VAI GOSTAR desse livro. Simplesmente pue ele pega as suas expectativas e destrói todas elas com um sopro de fada, que é escrita da autora. Nada é de mais e nem de menos. Não tem exagero nem eufemismo. É na medida certa.

Se alguém me apontasse uma arma na cabeça e me dissesse para indicar um livro bom ou eu morreria, e eu não fizesse a menor ideia do que o cara gostasse de ler, ou SE ele gostasse de ler, indicaria Reino das Névoas. Simples assim.

Estou exagerando? Compre o livro, leia e depois conversaremos.

Capa de Reino das Névoas, feita pela própria autora, Camila Fernandes, que também fez as ilustrações internas. Saiu pela Tarja Editorial.

A única hipótese de um ser humano não gostar desse livro é ser um autor frustrado que não sabe escrever sentindo muita inveja.

Última aquisição: Tempos de AlgóriA, de Richard Diegues. Ainda estou na metade, mas estou encantada com a aparente simplicidade. Digo aparente porque é um livro gostoso e fácil de ler, as tramas fazem sentido na sua cabeça, e são tão reais quanto só a boa ficção sabe ser. A intenção do livro é ser um infantil que adultos possam ler de forma diferente e receber mensagens diferentes da que as crianças receberiam. Até onde posso dizer, essa meta está sendo brilhantemente atingida.

E só um profissional muito bom tem a capacidade de fazer parecer simples algo extremamente complexo como criar um mundo – um universo – totalmente diferente, criar identificação do leitor com esse universo, e ainda fazê-lo simples de entender.

Tempos de AlgóriA, de Richard Diegues, pela Tarja Editorial

 

PAUSA PARA REFLEXÃO.

Andei ouvindo/lendo comentários e indiretas de que sou uma puxa-saco. Devo dizer: eu SEMPRE elogio quando o trabalho merece ser elogiado, e elogio com toda a admiração que sou capaz de demonstrar, porque são pouquíssimas as pessoas no mundo inteiro que trabalham bem em suas áreas respectuivas. Se você achou isso absurdo, é porque a verdade dói.

E puxar saco é para quem precisa disso.

 

Cliente de TCC

Como estudante do último ano do curso de Publicidade e Propaganda, o Trabalho de Conclusão de Curso surgiu sobre mim. A proposta do TCC de PP é criar uma campanha completa para cliente real, inclusive com contrato assinado com a faculdade. Como sempre tendi a unir minhas paixões, é ÓBVIO que eu iria escolher uma editora.

Ponderei várias coisas: deveria ser alguém que fizesse trabalho de EDITORA, não de mera tradutora e distribuidora, portanto teria que publicar autores nacionais com frequência em seus catálogos. Seria bom ser de São Paulo, já que precisamos ter contato com o cliente. Precisaria ser de alguém que QUER ajuda – e esta parte dispensa comentários. Deveria ser alguém cujo catálogo aprecio, porque certos princípios éticos me fazem querer promover coisas boas, já que promover coisas ruins só afundaria mais ainda a literatura nacional como um todo.

Então convidei a Tarja Editorial para ser minha cliente de TCC e eles toparam na hora. Estou honrada em trabalhar com eles nesse momento tão importante da minha vida, e quanto mais sei da editora, mais encantada fico. Dentre os livros que já citei no blog, estão no catálogo deles Cyber Brasiliana, Reino das Névoas e Tempos de AlgóriA. Vou ler o catálogo inteiro até o fim do TCC, então não estranhem se eu começar a indicar muitos livros de lá.

Quando é bom eu indico. Quando é ruim vocês nem ouvem dizer que eu li. Essa é minha filosofia atual.

Projeto Indicações Fantásticas

Aqui estou porque no sábado, dia 07 de maio, gravei o primeiro vídeo (que será o segundo a ir pro ar, do meu novo programa na Revista Fantástica (www.revistafantastica.com –> novo site em breve).

Queria dizer que foi demais.

Primeiro, porque aconteceu no lançamento de Asgard – A Saga dos Nove Reinos, uma coletânea de contos vikings, organizado pela Soira Celestino e Evandro Guerra. A capa ficou show:

Capa de Asgard - A Saga dos Nove Reinos

Enfim, encontrei uma galera conhecidíssima lá, mas só vou contar detalhes no post de cobertura do evento da FANTÁSTICA. Vai entrar no ar junto com o site novo, então vocês vão precisar esperar um tantinho.

Minha ideia para o Indicações Fantásticas é pegar livros – nacionais – que li e achei um ultraje não serem best-sellers. Ou seja, não adianta me mandarem livros pra ler, que eu não vou dizer que gostei. Aliás, alguns livros que achei ótimos mesmo não vão entrar no programa.

Por quê? Os livros que entrarão na série de vídeos são os que acredito serem uma boa porta de entrada dos leitores para o universo na literatura de gênero nacional.

Já me disseram que isso é muito relativo, que só a minha opinião não pode definir isso. Bom, por essa razão é o meu vídeo, com as indicações do que eu achei. Qualquer blog indica livros, só pelo fato de classificá-los como bons ou ruins, e as pessoas que leem e acompanham se identificam com o blogueiro que fala, por isso o seguem.

O Indicações Fantásticas vai funcionar do mesmo jeito, só que em formato de vídeo e com participação do autor numa minientrevista.

Sério, é muito divertido. Já peguei o vídeo e comecei a editar, e está show. Lembro que sou entusiasta porque AMEI o livro (Anjo – A Face do Mal, do Nelson Magrini). Nesta quarta-feira gravarei o programa número 1, com o Richard Diegues.

Estão previstos para ficarem no ar por uma quinzena. Então, amados que me acompanham, quando eu liberar os primeiros vídeos, vocês me ajudam a divulgar?

Eu, Carol, e Nelson Magrini

O livro de que falamos na entrevista (e vou ler os outros dois livros do autor):

Capa de Anjo - A Face do Mal, de Nelson Magrini

Desde já adianto a mensagem principal do vídeo: LEIAM! É muuuuuito bom! Vocês não sabem o que estão perdendo.

Resenha do livro Anjo – A Face do Mal, de Nelson Magrini

Nacional Recomendado

Eu vi o livro na prateleira do estande da Livraria Selecta na Bienal de São José dos Campos. Ele olhou para mim e disse: “Lê só a sinopse. Por favor. Não faz mal.” Eu peguei e li o que estava lá na quarta capa. Aquele textozinho inocente que é o anúncio do livro.

Aí f****.

Eu TIVE que comprar. Tive que comprar do mesmo jeito que eu tive que respirar. Por quê? Porque o Lu é o protagonista. Porque a sinopse estava boa. Porque eu gosto de histórias do Portador da Luz, ué. Principalmente aquelas em que ele não é malvado. Mas também gosto daquelas em que ele é malvado, tipo em Sandman.

Whatever.

Eu comecei a ler o livro assim que cheguei em casa. E só não li em sete horas como foi com outros porque simplesmente eu tinha trabalhos da facu pra entregar. Ele teve que se contentar com as minhas duas horas de ônibus na ida e na volta.

Mas vamos ao que interessa. Pelamordedeus, POR QUE ESSE LIVRO NÃO ESTÁ NA PRATELEIRA DOS MAIS VENDIDOS DA SARAIVA?

Juro, cada página que eu virava essa pergunta ficava rondando, incômoda, igual uma abelha.

História bem estruturada. O autor, Nelson Magrini, além de tudo, conseguiu falar da criação do universo de modo científico e espiritual ao mesmo tempo, e não consigo pensar em outra palavra para seus esforços que não ‘sensacional’. Aliás, essa palavra é insuficiente. Mas é o que tem pra hoje.

O mistério é daqueles que você não consegue parar de ler. Dá até uma revoltinha. Mas que raios de luz é essa? Qual é o problema dela?

E o Lu é o cara. Sério, acho que pra alguém saber o que é um anti-herói tem que dar uma lida nesse Lu.

E a mistura das tramas entre o Céu, o Inferno e a Terra, e o modo como elas se intercalam… Tudo faz tanto sentido que você poderia acreditar em um cenário semelhante.

Além da maestria em dizer que todas as religiões estão certas – porque conhecem uma parte da verdade – e que todas estão erradas – porque desconhecem todos os mistérios do Astral.

Eu não sei mais o que falar. Fiquei me sentindo meio tonta, e demorei a soltar esta resenha, porque eu simplesmente não conseguia transpor em palavras o quanto gostei do livro.

Apenas para referência: eu nunca releio livros.Não tenho paciência. Este foi o primeiro que eu terminei e quis reler imediatamente. Já está na fila. Vou reler assim que terminar os que comprei e já estão em casa.

E então vocês me perguntam: “Caramba, Carol, você só elogia os livros? Que puxa-saco você”. E eu respondo: “Se eu não tenho algo de bom a falar de algum livro que tenha lido, eu NÃO RESENHO, porque tenho mais o que fazer do que ficar detonando livros ruins por aí. Como ler livros bons.”

E tenho dito.

Só um porém. Eu comprei a 2ª edição da Novo Século. É lindo, a capa está aí embaixo.

Capa de Anjo - A Face do Mal, de Nelson Magrini

Mas faça um favorzinho, editor: dê uma lida no texto e revise a parte textual. Gramática ok, revisão ok (os 3 ou 4 erros de digitação que todo livro tem não podem ser contados), mas o texto precisa um pouco da mão de um editor que não tenha vivido com a obra desde o começo.

Independentemente disso, essa pequena observação não muda o fato de que a narrativa é ótima, a ideia é fantástica e tudo junto virou uma masterpiece.

Resenha do livro O CASO LAURA, de André Vianco

Capa do Livro

Eu comprei o livro logo que saiu, porque ia participar do pré-evento para blogueiros em SP, pela Revista FANTÁSTICA. Eu ainda não liberei o artigo para lá, mas é que o site está em construção, e ele não comporta minha cobertura megalomaníaca.

Bom, O Caso Laura é o primeiro livro policial do André Vianco, que até então vinha numa linha de terror sobrenatural, especialmente explorando o universo dos vampiros.

Ouvi algumas pessoas dizerem que seria um tiro no pé, que ele não escreve isso etc etc, mas, como o próprio autor disse no pré-evento de SP, ele é escritor e escreve a ideia que vem à cabeça, em vez de se ater a um gênero.

Pra quem acha absurdo o André Vianco eliminar completamente suas características do fantástico, aconselho fortemente a ler o livro antes de tirar conclusões. Basear-se em sinopses e críticas para emitir uma opinião é catatrófico.

Trata de uma mulher depressiva, Laura, cuja história real só vai ficando clara com o desenrolar dos fatos. Há o detetive particular contratado por um sujeito misterioso para segui-la e descobrir tudo sobre o homem com quem ela conversa, Miguel.

A história tem outros núcleos, como é de hábito do Vianco, e eles se entrelaçam de certa forma.  O mistério maior vem quando o detetive percebe que várias pessoas misteriosas que fazem parte ou não do universo de Laura tem um símbolo do infinito em algum objeto, ou mesmo tatuado no corpo.

E aí?

Bom, é um desses livros insuportáveis que você não consegue parar de ler, porque um parágrafo é tão bem amarrado no outro que ficamos com medo de perder alguma coisa.

Fiquei toda hora: ‘só mais esse parágrafo’, ou ‘só até o fim desse capítulo’, ou ‘ah, o próximo é tão curtinho’, e assim por diante. Nessa brincadeira, abri o livro na casa do namorado às sete da noite, e fechei-o às duas da manhã. Terminado.

Por mais que o Vianco não goste de saber que devoramos o livro em algumas horas, quando ele demora às vezes anos para escrever, isso costuma ser um elogio. Nós não lemos um livro chato de uma tacada só, lemos?

Eu JAMAIS teria imaginado a conclusão da trama. O Vianco nos passa uma mensagem interessante (ele gosta de fazer isso), que é, ao mesmo tempo, incômoda e óbvia.

E, depois que lerem o livro, venham me contar se ele realmente abandonou seu estilo sobrenatural.

Resenha do Livro CYBER BRASILIANA, de Richard Diegues

Nacional Recomendado

Por natureza, os livros são um mundo fascinante que cabe nas suas mãos. É triste quando você pega um livro, lê, sacode os ombros e esquece. Tem os livros que incomodam de alguma forma, e você se lembra. Tem os que emocionam, criam tal identificação que de certa forma seu humor fica atrelado ao das personagens, criam condições para você imergir mundo adentro e nos fazem sofrer tanto quanto as personagens sofrem.

Há os livros que nos causam raiva, e buscamos esquecer, porque no fundo de nossas mentes fica aquela perguntinha: “por que perdi meu tempo com isso?”.

Mas nunca saberemos se um livro é bom ou ruim até tê-lo lido, não é mesmo?

E sábado passado, durante o lançamento duplo de A Situação (Tarja Editorial) e Extraneus 2 (Editora Estronho), – confira a cobertura oficial aqui http://www.revistafantastica.com/apps/blog/entries/show/6487853-chiovatto-no-lan-ento-de-extraneus-2- – pus as minhas mãozinhas num exemplar de Cyber Brasiliana, do Richard Diegues, que é o editor da Tarja. Eu vinha cobiçando esse livro fazia um tempo. Desde que li sua sinopse. Por favor, entrem aqui http://tarjaeditorial.com.br/tarja/?p=167 para ler, porque nunca foi meu estilo fazer a sinopse dos livros que resenho.

Eu achava que seria um livro muito legal. MULHER DE POUCA FÉ! Desde que comecei a ler a primeira página fui acorrentada à história e atirada dentro de seu mundo sem nenhuma cortesia. Presa. Se eu tivesse o mínimo de tempo livre, teria devorado o livro inteiro no café da manhã. Infelizmente, só me restaram as horas de trânsito no ônibus ao longo da semana. Que aproveitei com maestria. Quase perdi o meu ponto várias vezes, aliás.

Não sei das pessoas normais, mas a insana aqui entra na história de forma a se ver no cenário construído. E fica p*** da vida quando o livro não lhe permite fazer isso, o que, é claro não é o caso do Cyber Brasiliana.

Ok, como breve resumo, a história trata de um futuro em que os países do eixo-sul comandam e os do norte estão falidos (versão resumida muito pobre), em que há uma super-hiper-ultra-mega-rede denominada Hipermundo, a que as pessoas se conectam e onde navegam com avatares – representações corpóreas contraladas através de suas mentes, com os aparatos necessários.

Não, não é só isso. A história tem uma complexidade amarrada que você não percebe pela naturalidade e leveza da narrativa. Eu não sei NADA de programação, nem Html básico. E entendi as descrições que ele dá do Hipermundo e explicações subsequentes.

Mais do que isso, as histórias das personagens se intercalam e são uma narrativa cronológica sem defeitos, de algo perfeitamente aceitável. A chinesa programadora grávida presa pela conexão no Hipermundo, o Pistoleiro com seu corpo mais-que-avatar, o desenvolvedor mediano Sa-Id que só quer fazer o que é certo, o ant-herói nerd master 5i-cent, o vilão Rajaram, a prostituta-motoqueira Cin-D… todos eles tem características peculiares que encantam de alguma forma. Dão charme à história.

E quem é capaz de construir uma boa história sem bons personagens (gente sólida, crível)? Pois é. Mas se o Richard TEM esses personagens, a história ser boa é simplesmente elevá-la a outro patamar.

Sem clichês.

Sem um vilão que quer dominar o mundo for no reason. Esse vilão é inteligente, sabe o que quer, entende o que está fazendo e as consequências de seus atos. Também erra antes do final. E como erra. Mas sabe que está errando e converte isso a seu favor.

Os mocinhos não são maniqueístas, não tem síndrome de Superman. Mas também não são aquele tipo malandro que tenho vontade de chutar quando vejo. São apenas pessoas. E por isso encantam.

Os fatos não são jogados à toa. Você os vê entrelaçados claramente durante toda a história. Acompanha os raciocínios. Você não sabe como será o final, mas tenta fazer uma ideia. No final, o que importa é o caminho que nos levou até lá, que é brilhante.

Eu teria mais milhares de observações a fazer, mas deixarei ao leitor que enxergue por si mesmo. Por enquanto, deixo minha forte recomendação.

P.S.: preciso confessar que criei o selinho de recomendação quando comecei a ler esse livro. Eu PRECISAVA diferenciá-lo dos outros de alguma forma.

 

Resenha do Livro O VAMPIRO REI I, André Vianco

Esta será um resenha breve, até onde imaginei.

O livro O Vampiro Rei volume I, do André Vianco, é a sequência de Bento, que já resenhei. Está por aí, ou no meu Skoob ou aqui mesmo no blog. Demorei para terminar de ler por causa do benedito smartphone, que permite que eu escreva no ônibus, que é onde costumo ler.

MAS terminei de ler é é claro que adorei. Esta já é a melhor série do Vianco para mim.

 

O livro Bento termina com um pequeno triunfo dos humanos sobre os vampiros (não é spoiler, ok, é só dedutível), e o clima do Vampiro Rei I entre os humanos que não estão na liderança é de já ganhou. Muitos cometem imprudências e acabam morrendo nas garras das feras noturnas.

Não sei se já falei disso na resenha do BENTO, mas esta foi a primeira história de vampiros que conseguiu me fazer torcer contra as criaturas da noite. Mesmo em Drácula, quando eu não queria que os mocinhos sofressem, eu queria que o vampiro conseguisse escapar e ficar lá longe no castelo dele.

Mas em Vampiro Rei não consigo gostar. Eles não são humanos em nada; são bestas. E quando um ajuda o outro ficamos com mais raiva ainda.

O interessante é que os dois lados, humanos e vampiros, estão se preparando para uma batalha épica. É alucinante o ritmo em que coisas acontecem, e ao mesmo tempo a organização e a participação dos diversos núcleos na história para construir um universo verossímil. As personagens com participação relâmpago, e as que estão ali para complementar, tem importância igual nos fatos.

Vianco sabe como ninguém mostrar que a galáxia não gravita em torno dos mocinhos, o que só contribui para mostrar que os desenrolar dos fatos bem poderia acontecer no nosso mundo.

Não tenho muito a falar. Fiquei surpresa com certas explicações que esperamos desde o começo do primeiro livro, e achei a ideia inteira fantástica. Encerro por aqui porque não consigo elogiar o bastante sem contar trechos importantes da história.

Resenha do Livro FUGA DE RIGEL

Estranho postar uma resenha seguida de outra, mas é preciso. Comecei a ler Fuga de Rigel, do Diogo de Souza, na segunda de manhã, e terminei ontem de manhã.

Eu tenho que resumir? Não gosto de resumir. Vão pegar uma sinopse. Não, não peguem. A graça é abrir o livro sem ter lido sinopse nenhuma, nem resenha, nem nada. Estou fazendo essa pura e simplesmente porque quero que vocês conheçam que essa obra existe e sintam vontade de lê-la.

O começo do livro dá falta de ar. A sua cabeça fica girando. Você não entende nada e se sente no meio da cena ao mesmo tempo.  É uma fuga alucinada, misturada com as impressões do Rigel (RÁ, NÃO É SPOILER, LEIA O TÍTULO DO LIVRO).

É um livro que dá raiva, porque você não consegue soltar. Você está trabalhando e fica pensando no que aconteceu. Você está na faculdade e abre o livro embaixo da carteira porque quer saber o que vem depois daquela cena. Você está em pé no ônibus com um monte de bolsas e dispensa o mp3 pra ler, porque fica em desespero pra saber como aquilo vai se resolver.

E do que estou falando? Da história, claro. Depois da descrição da cena de fuga, o autor explicar o que está se passando, o leitor não fica perdido, não, pelo contrário. O Diogo é um desses autores que nos dá a mão e nos leva para onde ele quer nos mostrar alguma coisa (mesmo que esse onde seja no mundo real, ou nos sonhos de alguém, ou nas lembranças).

E a teoria é incrível. Quero dizer, é tudo muito plausível. Minha cabeça chegou a comparar com certo desenho da Marvel em algum momento (Carol má, não vai dizer qual), mas não tem nada a ver. Fuga de Rigel é muito superior no que tange às imagens evocadas, às cenas de ação e de suspense infinito.

Nós conhecemos as personagens mas apenas tentamos imaginar como seríamos no lugar delas e o que sentiríamos. Não nos imaginamos como aquela personagem (o que, na minha opinião, é fantástico. Como um autor consegue identificação com personagens que o leitor não consegue se imaginar sendo?). É que nós somos apenas mundanos, ou normais.

Resenha do livro CIRA E O VELHO

Terminei de ler Cira e o Velho, de Walter Tierno, na sexta-feira passada, e demorei para escrever esta resenha porque ainda tenho sensações misturadas a respeito dele.

Como sempre, a resenha está postada no Skoob, e a disponibilizo aqui para quem não faz parte damaravilhosa rede social. Eu leio muitos livros, resenho apenas os brasileiros (os estrangeiros só alguns que me derem muita vontade de escrever sobre).

Não tenho por hábito escrever a sinopse do livro, o que pode ser uma grande falha, mas dou algumas palavras acerca da história. Trata-se uma história bem doida que mistura o folclore nacional de forma mestra, e uma parte da história brasileira na época da escravidão e a queda do Quilombo dos Palmares.

A forma como a história se desenvolve é fluida, não cansa, apenas causa curiosidade maior a cada página para saber como vai acabar aquilo tudo.

Ele apresenta o vilão (que é a personagem da história que conhecemos melhor) e me dava ânsia de vômito a cada cena que ele aparecia. Isso é bom, imagino, porque pelas descrições ele devia ser mesmo a pessoa mais repulsiva  do mundo inteiro. É o Domingos Jorge Velho, um caçador de índios e de recompensas, ganancioso que aceita qualquer trabalho lucrativo.

Um desses trabalhos é matar a bruxa Guaracy e a filha dela (a Cira do título do livro, nossa heoína). Ele apenas aceita e se prepara. Não vou contar quem mandou e nem por quê, pois isso faz parte do charme da história.

Ok, ele consegue matar a Guaracy (e não sem uma boa briga) e deixa a Cira pra morrer, depois de ter cortado o pescoço dela e deixado-a com os ossos quebrados. Na época, Cira tinha apenas uns 12 anos de idade.

Cira tem aparência humana, mas é descendente de uma tribo de sereias que inclui a Yara por parte de mãe, e de uma cobra por parte de pai (o pai dela é o Norato, um cobra filho de uma índia e uma cobra) que assume forma humana para ter relações sexuais com humanas.

Bom, a Cira não morre. A mãe faz um feitiço em seu último suspiro transformando-se numa árvore que abriga Cira dentro se si.

Aiii, não posso continuar contando a história sem entregar o ouro! 😀 Bom, ela é solta graças a uma menina chamada Nhá, uma escravinha raptada de uma fazenda numa invasão de quilombolas.

Depois de liberta, numa forma de mulher adulta, Cira só pensa em se vingar de Domingos (o Velho), que matou sua mãe e a deixou para morrer. Cada um tem sua impressão, mas são costumo ser parcial às personagens movidas por vingança, nem em livros, nem no cinema.

A história é muito rica e cheia de aventuras a partir do momento que  Cira e Nhá partem atrás do Velho, e o cobra Norato parte atrás de sua irmã (RÁ, EU NÃO IA FALAR). Há muitos conceitos em que eu nunca havia pensado antes.

Só não consegui familiaridade com as personagens. Fora o Velho repulsivo, não senti envolvimento com nenhuma das outras personagens. E não culpo o autor, ele não tentou fazer isso. A forma escolhida de narrativa demonstra apenas as impressões de quem conta a história a respeito da personagem, e a Cira, por exemplo, só é descrita a partir das muitas visões de quem a conheceu.

Por essa razão, as personagens parecem não ter profundidade, mas, pela narrativa, é nítida que essa era a intenção do autor.

Li o livro em três dias, sendo que só o pegava durante uma hora no ônibus entre minha casa e a faculdade. Isso diz muita coisa.

Resenha do Livro BENTO, de André Vianco

Eu sei que o André Vianco não precisa de mais resenhas para promover o livro dele, e eu sei que todos sabem que ele manda muito bem em literatura de gênero. Mas, mesmo assim, acho que um livro tão f********** bom merece uma senhora resenha. Eu não conseguia largar o livro, foi até perturbador pra escrever o meu (estou digitando o segundo para registrar na BN), e eu só leio no ônibus, durante a uma hora de trânsito que pego todo dia para ir pra casa.

Mais uma vez ponho aqui a resenha que fiz para o Skoob, porque muitos de vocês que me leem não tem perfil lá. Vambora.

Eu não costumo oferecer grandes sinopses do livro resenhado, mas a deste faz parte da genialidade do autor (eu não elogio jamais se o livro realmente não merecer). A história se passa meio que numa Terra pós-apocalíptica, 30 anos depois do que chamam de A Noite Maldita, quando, da noite pro dia, metade da população mundial caiu num sono misterioso, em que as pessoas não envelhecem e não sofrem nenhum mal, apenas dormem, tipo Bela Adormecida, e a outra metade da população, a que ficou acordada é dividade: uma parte virou vampiros e a outra permaneceu humana.

Os humanos tiveram de passar a viver em fortificações cercadas de muros altos, afastadas dos grandes centros urbanos (tomados pelos vampiros e transformados em covis), e só podiam se comunicar por meio de mensageiros com as demais fortificações, porque os vampiros foram destruindo as redes de comunicação e, após a Noite Maldita, as ondas de rádio sumiram da física. As mulheres não engravidam mais e não existem mais doenças.

Os adormecidos aos poucos acordam ao longo desses trinta anos e alguns acordam o que chamam de “bento”. Um bento é um cara comum à primeira vista, tinha uma vida normal antes da noite fatídica, mas quando sente o cheiro de um vampiro prestes a atacar fica louco e parte para cima, ou até matar todos os vampiros à volta ou até morrer. Tem uma profecia de que, quando reunissem 30 bentos 4 milagres seriam desencadeados, a partir da liderança do 30º. O protagonista da história, claro, é o 30º bento.

CLARO que o Vianco iria me matar se eu dissesse que a história é essa. É bem mais complexo, bem mais cheio de detalhes e ideias senssacionais que, misturadas, fizeram uma história superior a infinitas deste gênero que já li. De verdade, há muito tempo nao ficava tão empolgada com um livro.

A história se passa basicamente no contexto humanos lutando pra reunir os 30 bentos e os vampiros fazendo os humanos de reféns da noite.

Agora, coisas sensacionais: depois de 30 anos sem intervenção humana, o Brasil inteiro foi tomado de volta pela Mata Atlântica, e ficou uma florestona com algumas estradas por onde os humanos passariam apenas durante o dia. Então, os humanos ficam unidos em suas fortalezas e trabalham junto para combater os vampiros. A tragédia trouxe benefícios à raça humana (ah, a história se passa no Brasil, mas todo o mundo sofreu com a Noite Maldita, ao contrário de certos filmes em que os ets só atacam os Estados Unidos e os americanos salvam o mundo da desgraça eterna).

É fantástico como o Vianco tem a capacidade fenomenal de nos fazer entrar na história e nos colocar no lugar daqueles personagens. O Lucas, que é o 30º bento, é um herói muito legal, mistura muitos conceitos, guerreiro e padre (ele não é da Igreja Católica, ok, mas acaba fazendo as vezes de um como, por exemplo, para fazer água benta).

Todas as cenas de combate são impecáveis. Você se sente no cinema assistindo a um filme 3D e, se suas irmãs não estiverem gritando na sua orelha, você se sente dentro da cena, como se ela fosse real. Você consegue ver as descrições, você consegue conhecer as personagens e se sentir interagindo com elas. Até os coadjuvantes que aparecem são encantadores. Nós amamos cada um deles e ficamos tristes quando morrem, e ficamos felizes quando conseguem escapar.

Eu pelo menos ainda vejo o carisma dos vampiros. É muito raro eu torcer para os mocinhos, como fiz o tempo todo nessa história. Mais raro ainda eu torcer para os vilões se darem mal, porque os vilões geralmente são a parte interessante da história.

MAS, neste livro, os mocinhos são anti-heróis, a filosofia de sociedade está indescritível, a capacidade de intrincar os fatos do Vianco me deixou besta. Não sei se minhas palavras fazem jus a esta história, de verdade. Estou me esforçando muito para tentar transmitir.

Aqui faço um paralelo com Os Sete. Eu torcia tanto pros vampiros naquele livro, e detestava tanto os mocinhos, que achei que ia ser igual em Bento. Não foi. Fiquei surpresa. É um livro que você não consegue largar. Está na minha lista dos 5+ Recomendados!

Agora, vou devorar as sequências, O Vampiro-Rei volumes 1 e 2.