Tomos Fantásticos I – Editora 9 Bravos

A editora soteropolitana chegou chegando. Começou ação no Facebook antes de lançar o site e passou as 800 curtidas (na verdade, já tem quase 900), o que eu aplaudi em pé quando vi, visto que a maior parte das editoras novas esperam ter tudo para começar suas ações nas mídias sociais.

E bem, quis comentar da 9 Bravos porque hoje tive a grata surpresa de descobrir que fui selecionada para a antologia Tomos Fantásticos I, (GENTE, vou publicar no mesmo livro que a Ana Cristina Rodrigues!!!)

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Com essa capa mais perfeita e esse logo lindo (sem contar o nome imponente), terei a honra de figurar entre pessoas incríveis com meu conto “Tirano”. Ainda não sei data de lançamento, se vai ter evento ou não; se tiver, não sei onde vai ser, e nem nada disso, mas assim que souber aviso.

Meu conto narra uma história do ponto de vista do vilão (um experimento divertidíssimo de se escrever, diga-se de passagem) – e eu tenho a ideia de que jamais encontraríamos um vilão verdadeiramente mau de soubéssemos a história do ponto de vista dele. Será que nesse conto isso se aplica? La la la o//

Caçadores de Bruxas, Editora Buriti

O que eu escrevi no Facebook:

Estou há alguns anos frequentando o meio literário. O grande marco para mim foi o Fantasticon de 2010, e, se tem uma coisa que aprendi com todos que já conheci é que não devia ter pressa de publicar nada. Por isso, fui aprendendo, continuei a ler muito e a escrever muito, mas para mim, betas readers e expandindo um pouquinho os horizontes de cada vez. Sem pressa. Agora, estou emocionada de ver o meu nome no meio dessa lista cheia de gente incrível na coletânea “Caçadores de Bruxas”, que sai em breve pela Editora Buriti

Eu apenas queria escrever este post porque estou muito, muito feliz. Será a primeira publicação com meu nome, e no meio de tanta gente boa! Eu posso dizer do alto de minha pouquíssima experiência: vale a pena esperar. A pressa é mesmo inimiga de tudo o que pode haver de bom (porque “perfeição” é forçar a barra). Agora eu posso ser, de verdade, uma escritora iniciante. Mas pelo menos já posso dizer que sou escritora, algo que eu relutava em fazer, sempre com a ressalva “mas não tenho nada publicado”.

Meu conto “A Última Feiticeira de Florença” apresenta um episódio da história do padre Cataldi, inquisidor, portanto caçador de bruxas de fato e de direito. É um spin-off de meu romance em andamento, Feiticeira da Terra. Conta sobre algo que aconteceu quando ele fazia seu trabalho em Florença, antes de vir ao Brasil a pedido do alto-inquisidor de Portugal, cardeal Alberto. O livro se passa em 1600, o conto aprovado na coletânea Caçadores de Bruxas acontece alguns anos antes.

Informações de capa, pré-venda e lançamento eu posto assim que tiver. YAAAAAY!

Meu sinceros agradecimentos a Nikelen Witter, minha consultora histórica, que, apesar de não ter lido o conto antes do envio, certamente me ajudou a trilhar todo o caminho para que pudesse escrevê-lo com alguma coerência histórica.

E um grande agradecimento para meu namorado, Bruno Anselmi Matangrano, que além de ser um gênio é um revisor paciente (e que insistiu muito para eu escrever e submeter o conto, quando eu só dizia que não ia dar tempo e que eu era uma contista muito ruim).

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Fim de Semana Literário

A Llyr Editorial promove, no domingo, dia 16/12, um evento na Biblioteca Viriato Corrêa (Av. Sena Madureira,  298 (do ladinho do Metrô Vila Mariana).

O evento, que acontece das 15h às 19h30, terá um bate-papo com a presença do autor Dennis Vinícius, de A Grande Criação de Nicolas (super recomendo para crianças a partir dos dez anos), Bruno Anselmi Matangrano (organizador de projetos secretos dos quais não posso falar), e a ilustríssima Ana Cristina Rodrigues, que é editora do selo Llyr, da Editora Vermelho Marinho.

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Capa de “A Grande Criação de Nicolas

Os livros do catálogo da Llyr estarão com 50% de desconto (ótima oportunidade para conseguir seus presentes de Natal), então acho que vale a pena dar uma passada, né?

E ouvi dizer que haverá uma parada oficial no Pastel 😀

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Impressões (ou Resenha) de Territórios Invisíveis, de Nikelen Witter

Começo este post sob o signo do maior entusiasmo que pode haver: aquele por bons livros. Mas mais do que isso: aquele de quem encontrou uma joia preciosa que traz uma luz mágica para a vida.

O infanto-juvenil Territórios Invisíveis, da Nikelen Witter, é um daqueles tesouros que às vezes encontramos e fazem a nossa vida se acender em cores diferentes. TOP 5 livros da minha vida, sem sombra de dúvida.

Não tenho vontade de resenhá-lo; sinto-me indigna disso. Tive essa sorte poucas vezes na vida, e esta é uma delas. Não tenho domínio das palavras suficiente para transpor nelas uma faísca sequer do que sinto.

Bem, é um infanto-juvenil. É daqueles com crianças protagonistas que são dragadas para um mistério além de sua compreensão. É um livro de fantasia.

Só que ele tem aquele ingrediente especial que separa os livros legaizinhos dos ME-MO-RÁ-VEIS. Há algo ali, escondido entre as linhas, encharcando os parágrafos e infiltrando cada frestinha da nossa imaginação – algo que faz você ter certeza de que vai levar o livro com você para sempre, mesmo quando achar que não se lembra mais.

Eu não vou dizer o que é porque não sei. Mas também não diria, se soubesse. Os encantamentos mais bonitos tendem a se perder quando tentamos explicá-los.

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Informações oficiais, já que não dei nenhuma

Imagem Nem sempre os acontecimentos extraordinários irão manifestar-se para pessoas especiais. Por vezes, o que alguns chamam de Destino nada mais é do que uma coleção de acasos, selecionados pela sorte. Ou, pela falta dela. A vida dos gêmeos Ariadne e Hector nada tinha de excepcional. A não ser, talvez, pelo desaparecimento da mãe, a historiadora Marina, há quatro anos. Porém, para quem vive nas grandes cidades (por vezes, até mesmo nas pequenas), este é um pesadelo que se pode encontrar em qualquer jornal. Assim, às vésperas de completarem 13 anos, os dois irmãos dividem seu tempo entre fugir da dor da perda, implicar um com o outro, atormentar o pai e conviver com os três melhores amigos: Neco, Leo e Camila. Acontecimentos incomuns os rondam, se fazem próximos, embora ainda não perceptíveis. Então, quando o irmão mais novo de Leo é raptado, o extraordinário os arrebata. Os sequestradores do pequeno Mateus exigem a entrega de uma misteriosa caixa de segredos, não maior que um tijolo, entalhada com um sol com raios que vertem lágrimas – um sol que chora. A caixa foi construída de maneira a permanecer inacessível até que as peças que a formam, organizadas em quebra-cabeças, tenham seus segredos desvendados. Baixe um trecho aqui.

Edição: 1
Editora: Fantas
ISBN: 9788564590274
Ano: 2012
Páginas: 368

 

Consciência de uma Ótima Escolha (ou puxa-saquismo merecido)

Quando decidi que ia escrever um romance histórico com bruxas, eu pensei em convidar a Nikelen para ser minha consultora história, guiada pelos comentários muito sensatos que fez num conto meu. Comentários esses com conhecimento em História, mas, além disso, em estrutura narrativa, roteiro e coesão gramatical.

Fiquei muito feliz que ela tenha aceitado, e cada vez mais feliz depois que ela me ajudou com o projeto para o edital de Criação Literária da BN, pois não interferiu nem nas minhas ideias, nem nos meus argumentos, mas havia certo toque de onde escrever o que, algo do projeto que ela conhecia que eu não havia citado muito bem, e esses detalhezinhos que fazem a diferença.

Conversamos sobre minha pesquisa bibliográfica imensa poucas e esparsas vezes, e todas foram de uma riqueza imprescindível para meu trabalho. Temo, apenas, não estar à altura de consultora tão entusiasmada.

Mas depois de ler esse livro, eu fiquei em êxtase e receosa. Em êxtase, porque tenho uma consultora com habilidades extraordinárias para me guiar. Receosa, porque dá um frio na barriga ler algo tão bom e achar que nunca serei capaz de escrever algo tão incrível.

Boas Novas Literárias (ao menos para mi

Faz quase três meses que não escrevo aqui no blog, e continuo com visualizações constantes numa média diária bem satisfatória para quem andou não escrevendo nada para cá.

Quero por as coisas em ordem.

Este semestre terminei a faculdade, entreguei TCC, fui aprovada com muitos elogios da banca e meus orientadores. Finalmente, depois dos anos de estudo, publicitária formada, e não apenas de fato.

Ou seja, nada de mais ausências da Revista FANTÁSTICA, como alguns de meus leitores devem ter notado no site deles. Eu realmente me afastei para não me comprometer com um trabalho sério que eu não poderia levar adiante junto com o TCC.

O artigo que vai marcar minha volta para a FANTÁSTICA será para a cobertura da FLIP 2012 (para quem não sabe, é a Festa Literária Internacional de Parati), que ocorre de 4 a 8 de julho.

Ontem, dia 16 de julho, foi o primeiro evento da Tarja Editorial comigo à frente da coordenação de Marketing e Comunicação deles, e foi muito gratificante. Propusemos um formato diferente de mesa redonda, na Casa das Rosas, das 15h às 17h: lemos trechos de alguns contos dos dois primeiros volumes, Vermelho e Laranja, em formato de leitura dramática, com atores diferentes para cada personagem lido, incluindo narrador. Então, a partir da leitura, era proposto para a mesa um tema para o debate, em que o público podia tomar participação e comentar, perguntar etc. Experiência maravilhosa, e esperamos colocar as fotos, vídeos e resenhas do evento no Facebook da Tarja o mais tardar amanhã.

Depois tivemos ainda a noite de autógrafos do Paradigmas Definitivos. Só quem já foi num evento para saber qual a graça de ir até o Pier 1327 conversar com a tchurma noite adentro.

Capa Paradigmas Definitivos

Capa Paradigmas Definitivos

Sábado, dia 23/06, das 17h30 às 19h30 haverá o lançamento oficial da Fantástica Literatura Queer – Volume Amarelo na Biblioteca Viriato Corrêa, no Sarau Literário Queer. Lá teremos mais discussão, leituras dramáticas, uma encenação de um dos contos (segredo qual é) e até música, com o autor César Marques. Ele vai cantar composições próprias e alguns clássicos (ouvi dizer que “I Want to Break Free”, do Queen, estaria na set list, mas isso pode ser só eu dando uma de linguaruda).

O Inevitável Apocalíptico Vírus Zumbi, composição original nerd de César Sinício Marques

Bom, posso dizer que estou adiantando um evento de lançamento para o livro da Alliah que sairá pela Tarja Editorial, O Mentafetaedro.  A menina é doida, e merece um lançamento à altura. Só o que posso dizer a respeito disso por enquanto.

Outra coisa: sei dos futuros lançamentos da Tarja, e estou tão encantada por eles que periga esquecer de dormir pensando no que fazer com eles.

Chega de Tarja (mesmo minha vida orbitando em torno da editora até então, e este fato me fazendo muito feliz). Dias 23 e 30 o grupo de teatro Berotechnics, da Cultura Inglesa Guarulhos, do qual faço parte, irá apresentar uma versão adaptada do musical Wicked no Cultura Inglesa Drama Festival, e eu gostaria de convidar quem estiver interessado para assistir.

Poster Musical Wicked Original

Poster Original do Musical “Wicked”

Além disso, pelo grupo de teatro Fora de Foco, do qual também faço parte, apresentaremos Orgulho e Preconceito no teatro Adamastor, em Guarulhos. É a mesma montagem que ficou em cartaz no teatro Cultura Inglesa Pinheiros, com casa cheia em todos os fins de semana de apresentação, que ocorreram durante o mês de julho de 2011. Ainda não temos data, mas assim que tiver divulgaremos. Só sei que será em julho. Eu interpreto a Mary Bennet e a Sra. Gardener.

Irmãs Bennet do elenco original

Irmãs Bennet do elenco original

E, finalmente, tenho um livro escrito, re-re-revisado, muito bem betado, e prontinho para submissões diversas. Enquanto isso, sigo com a pesquisa sobre Inquisição para meu próximo romance.

Ah, e tenho trabalhado num conto para a coletânea Livros, da Editora Estronho, que está com uma proposta incrível. Aqui está a chamada de submissões, para quem se interessar. O prazo é 1º de dezembro, então dá tempo, viu, galera. Eu sou um lixo de contista, e tenho que trabalhar muito para submeter uma história legal e bem escrita.

Eu me gosto mais como romancista, e muito se engana quem acha que é mais fácil escrever conto. Doce ilusão. Só porque tem gente que é melhor contista que romancista não significa que seja mais fácil.

Eu até tenho mais novidades, mas ainda está cedo. Eu logo logo vou contando coisas, conforme puder. Por ora, deixa eu voltar para “Damas do Século XII”, de Georges Duby, que a minha linda consultora histórica do projeto-Inquisição, Nikelen Witter, indicou como bibliografia.

Que Projetos Você Apoia?

Às vezes na vida agimos como espectadores de um grande show, às vezes tomamos as rédeas dos acontecimentos e os fazemos caminharem a nosso favor, ou ainda podemos nos engajar em alguma causa, ajudar algo em que acreditamos.

Sempre tive horror àquele tipo de vida que me faz lembrar um peixe no aquário: aquelas pessoas que se deixam levar, vivem uma vida pela metade – saem de casa, vão trabalhar, onde não desenvolvem nada especial, voltam, tomam banho, jantam, assistem ao jornal e à novela, apenas para fazer o mesmo no dia seguinte e no outro, até chegar o fim de semana. Quando chega, podem sair para o shopping ou para a igreja, ocasionalmente comem fora e compram coisas. Às vezes estão cansados e só ficam em casa.

E assim levam os dias até um feriado ou as férias, quando podem viajar ou não, e ainda assim a vida é um marasmo.

Se o bicho papão de Harry Potter aparecesse para mim, eu veria eu mesma existindo dessa forma. Acho que é a coisa mais horrorizante. Vida de peixe de aquário. Nadando de um lado para o outro, comendo, defecando e dormindo.

Mas, bem, o ser humano é uma coisinha complicada e provida de intelecto. Vida de peixe é um desperdício. Nosso medo da morte vem de um espelho da nossa vida; queremos encontrar um sentido, mas quem busca um sentido? Uma morte não tem sentindo (mas por que temê-la, se a sua vida não tiver?)

Entretanto, como em qualquer aspecto da vida, só nós mesmos podemos fazer algo a respeito; imbuir nossa existência de um significado especial, mesmo que para nós mesmos e para poucos que nos cercam.

Muitos sentem pena dos animais maltratados, mas quantos fazem algo a respeito? (e não venha me dizer que compartilhar imagens horríveis no Facebook, dando origem a correntes piores ainda, é fazer algo a respeito, porque NÃO É). Buscamos maneiras de fazer parecer que estamos engajados em alguma coisa sem levantar nossos traseiros do sofá.

Também não digo que precisamos viver nas ruas em nome da justiça social. Mas, por exemplo, pessoas que trabalham na igreja, de qualquer religião que seja, podem entrar em algum grupo de trabalho social, porque as igrejas naturalmente fazem trabalhos assim: alfabetização de adultos, crianças, idosos, doentes.

Ok, você não gosta dessas coisas. Ongs que cuidam de animais? Ongs do direito da mulher?

Ah, o País está uma merda. Legal, e o que VOCÊ faz para mudar isso? Qualquer um sabe que o maior problema, que dá origem a outros e impede que outros ainda sejam resolvidos? A Educação. Todo mundo sabe disso.

Mas o que eu posso fazer? Isso é problema com o governo.

Ok, começa votando direito. E não é problema do governo porra nenhuma. Se você ensinar seus filhos, sobrinhos etc a respeitar o professor, ensiná-los a usar bibliotecas municipais, incentivá-los a ler, já estará fazendo alguma coisa. E, por experiência própria, as boas influências numa sala de aula atraem a atenção de boa parte de outras crianças.

O que dizer, no entanto, de pais que sequer acompanham o que os filhos estão fazendo nas escolas? (escrevi um longo artigo sobre isso para a FANTÁSTICA).

Enfim, vida de peixe.

Há tantas milhares de coisas para se fazer, que se eu me estender aqui, posso escrever um tratado.

Óbvio que todo mundo tem o direito de preferir a vida de peixe. Só estou apontando, para caso alguém que me leia esteja infeliz com seu cotidiano, o que eu acho que dá sentido, ou empresta alguma forma de significado, à nossa curta passagem pela Terra.

Pesquisa para Escrever e Ideia de um Novo Romance

O reino das ideias tem sido o reino mais real para mim há muito tempo. Desde que me lembro. Um psiquiatra que porventura encontre esse blog poderia me diagnosticar com algum tipo de esquizofrenia, mas E.L. Doctorow tem uma famosa quote atestando que escrever é a única forma socialmente aceitável da doença.

E “real” é diferente de “material”; as ideias só se tornam materiais escrevendo, cantando, pintando, desenhando, dançando, tocando, rabiscando ou realizando qualquer outra forma de expressão artística – por excelência a comunicação de uma ideia, sua materialização. Mas ideias são tão reais quanto alguma coisa pode ser.

E um belo dia tive uma ideia maluquinhas, dessas que aparecem e começam a martelar. Não me lembro se estava lavando a louça, tomando banho ou andando por quarenta minutos entre a Paulista e o meu trabalho – que são alguns dos momentos mais propícios para se ter uma ideia maluquinha, já que é quando não temos nada em especial para nos concentrar que exija muito do cérebro.

E a dita ideia é que meu próximo romance vai ter como cenário temporal a Inquisição.

Ora, não sou formada em História,então tudo o que sei a respeito vem do que aprendi na escola e do que vi em filmes, sendo que o único que me vem à memória claramente é O Nome da Rosa. Ou seja, não sei muito. Na verdade, não sei nada.

É uma boa constatação, sabe, a de que você não sabe nada a respeito de algo, porque é quando costumamos pensar em fazer algo a respeito. Se quero escrever um livro que se passa no período da Inquisição, preciso conhecer melhor a época, os costumes, as pessoas, como pensavam de si a respeito da sociedade, a Igreja, o poder, a economia, a política. É muita coisa para entender.

Minha preferência pelo gênero de literatura fantástica não me permite simplesmente inventar fatos, como alguns acreditam funcionar esse tipo de histórias, até porque, não lembro qual foi o escritor que disse “a ficção precisa fazer sentido, ao contrário da realidade”.

E é muita coisa para aprender antes de começar a escrever de fato. Quero dizer, tenho todo o plot, a ideia geral das personagens, suas funções, sei o que quero transmitir e para onde vai caminhar, mas a fase da pesquisa é necessária. Você não escreve sobre algo que não conhece. Por mais sensacional que uma ideia seja, é a materialização dela que vai chegar às pessoas, então é uma parte importante.

Depois de ponderar, concluí que não teria a capacidade autodidata de conhecer tudo o que precisava para tornar o cenário convicente o bastante sozinha. E foi por isso que pedi à minha querida amiga e professora universitária, historiadora, Nikelen Witter, que fosse minha consultora história. Pedi, convidei, implorei; o que soar melhor.

Mandei para ela as poucas linhas que havia escrito e tudo o que pretendia em traços gerais, para ela avaliar o nível de trabalho. A Nika me recomendou uns dez livros para ler, de períodos diferentes da Inquisição, entre outros de temas mais específicos para a minha história, que não pretendo revelar agora.

Foi quando entendi o tamanho do problema. Surgiram mais perguntas ainda. Em qual século? Em qual fase da Inquisição? Em qual região (porque ainda não havia os países como os conhecemos hoje)? E mais um milhão delas.

Pode até ser que algumas pessoas ficariam desanimadas com a perspectiva de ter tanto trabalho, mas eu, muito pelo contrário, fiquei mais empolgada ainda. É tudo muito rico, muito, muito, MUITO revoltante, e entender que alguns fatos vem daquela época, que algumas coisas que aconteceram naquela época vieram de bem antes… é tudo muito mágico. Mágico como escrever literatura fantástica.

A apaixonante arte de escrever é mais do que isso; é entender o que queremos transmitir e materializar a ideia de uma forma palatável ao público que desejamos atingir.

Preciso confessar apenas que não estou conseguindo ler tão rápido quanto gostaria. Alguns livros sobre a época tem a estranha capacidade de me causar náusea, irritação, indignação e essas coisas maravilhosas que compreender História podem fazer conosco. Se eu conseguir transmitir metade dessas sensações em meu romance, acreditarei ter cumprido meu objetivo.

malleus maleficarum
Capa do Livro Malleus Maleficarum, escrito por inquisidores em 1484

P.S.: conheçam o blog da Nikelen Witter, essa pessoa maravilhosa e inspiradora que me deu a honra de ser minha consultora para uma obra mais ambiciosa que outras.

O Twitter dela é @NikelenWitter, e é um daqueles perfis que não te aborrece seguir, porque não fica floodando a timeline com bobagem. Na verdade, ela costuma postar coisa interessantíssimas, mas isso já dá para notar pelo blog, bem diversificado mas sempre relevante.

Do Poder de um Diário, Livros Bons e Cliente de TCC

Hoje: porque recomendo escritores fazerem uso de um diário (aquela coisinha adolescente de que todo mundo debocha), últimos livros bons que li e por que são bons e meu adorado cliente de TCC.

 

Diário na Vida de um Escritor

Fazia anos que eu não tinha um diário. Um belo dia estava fazendo a limpa no meu armário de livros, coisas da faculdade e anotações baderneiras sobre meus livros e encontrei o últi. Abri aquele sorriso de lado que denunciava que aquela porcaria iria para o lixo, mas abri para ler. Fiquei impressionada de ler coisas que senti em determinadas situações de anos atrás.çao sei explicar o fascínio de ler experiências suas na visão de outra pessoa.

Outra pessoa?

É.

Porque, quando me lembro de certas coisas hoje em dia, dou risada, ou faço caretas de desgosto, mas são lembranças indefesas sendo destroçadas pela mente que tenho hoje, depois de muito tempo. Na época do diário, algo que para mim hoje é ridículo rivalizaria com uma tragédia de Shakespeare. O tempo mexe em coisas de dimensões astronômicas e as transforma em acontecimentos incômodos, ou risíveis. O passado só é completamente passado se for assim.

O diário Jane Austen é mini

Mas porque falei do diário na vida de um escritor? Porque enxergar o que eu era naqueles tempos me fez ter outra dimensão de mim mesma. Parece supercomplicado e superfilosófico, mas não é. É bobo e infantil, e por isso mesmo glorioso. Você vê as coisas de modo diferente e isso é um dos melhores materiais com que um escritor pode montar sua oficina de ideias intracraniana.

Aí alguns meses depois de minha descoberta (tipo, semana passada), fui na Livraria Cultura Arte do Conjunto Nacional, que tem aqueles caderninhos-fetiche de qualquer profissional da comunicação, dentre os quais Moleskines estão incluídos, mesmo não sendo os únicos, e fui fuças. Aqueles que tem quotes de autores consagrados sempre estiveram dentre os meus preferidos.

Peguei nas mãos um do Oscar Wilde, que tem a quote: “I never travel without my diary. One should always have something sensational to read in the train.” Em tradução livre: eu nunca viajo sem meu diário. Uma pessoa sempre deve ter algo sensacional para ler no trem. É, soa presunçoso, mas ele era o Oscar Wilde, então na verdade é apenas atestar o óbvio. Não peguei esse, porque meus olhos bateram no da Jane Austen: “Let other pens dwell on guilt and misery”. Eu fiquei olhando para aquela quote com cara de peixe morto durante alguns minutos. Como é possível uma frase tão curta resumir todos os sentimentos que eu tenho em relação a escrever? Em tradução LIVRE: “deixe que outras canetas discorram sobre culpa e tristeza”.

PARÊNTESE (você sabe que a tradução literal de cada palavra não condiz com o que eu escrevi? Você não é @ únic@. Tentei preservar o sentido da frase, embora eu não tenha chegado nem perto. Daria para escrever melhor? Provavelmente, mas existem milhares de formas para se traduzir essa frase, e o que prezo é que o leitor de língua portuguesa apenas consiga entender o que ela quis dizer).

O diário do Allan Poe tem quase o tamanho de um caderno pequeno

Dias depois comprei um maior, do Edgar Allan Poe, porque amo gênios, e separei: o da Jane Austen para tudo e o do Allan Poe para minhas cirações literárias. É que as criações literárias fazem parte de outro universo, que não deve ser misturado ao originalmente ‘real’ (embora possamos discutir opiniões divergentes outro dia).

Mas o que quero dizer: o diário do cotidiano um dia vai servir para eu me entender e entender uma época da minha vida de forma fria e analítica. O da criação tem uma fução BÁRBARA e MÁGICA. Quando começo a escrever sobre minhas ideias cruas, elas dançam na minha cabeça um ballet descoreografado e vão se colocar graciosamente no papel. Ideias novas aparecem quando a caneta risca folha, e as antigas tomam novas formas. De repente, eu compreendo o milagre da minha cabeça, mesmo que não em sua totalidade.

E se você é escritor e acha que só falei bobagem, ou nunca se entregou completamente ao seu diário, ou nunca nem começou um.

 

Livros que são tão Bons que me Comovem

Bom, minha cruzada para encontrar bons livros nacionais às vezes atropela muita coisa ruim, mas encontro pérolas que fazem meu coração acelerar e instantaneamente me apaixonar pelo autor, ainda que não o conheça pessoalmente, ou que conheça pouco.

Já tinha acontecido com o primor Cyber Brasiliana, de Richard Diegues, que foi o programa de estreia do Indicações Fantásticas. Depois, aconteceu com Anjo – A Face do Mal, cuja falta de mão do editor me deu muita raiva, algo que não me fez julgar mal o livro.

Cyber Brasiliana, de Richard Diegues, pela Tarja Editorial

Eu tinha gostado muito de Cira e o Velho, do Walter Tierno, mas andei relendo esses dias e descobri que ele não é só legal, ou bom, mas que é SENSACIONAL. Acho que me faltava maturidade quando li da primeira vez. Ou seja, é um convidado para o Indicações Fantásticas, e deverá participar do 5º programa (ainda estou sofrendo de falta de câmera para gravação, e não gosto da ideia de entregar um vídeo de webcam para o público. Prefiro esperar e resolver isso).

Poster da Capa da 2ª Edição de Cira e o Velho, de Walter Tierno, pela Giz Editorial

Fuga de Rigel, do Diogo de Souza, está marcao para ser o próximo HÁ MESES, e juro que vai sair ainda esse ano. Vou dar um jeito, prometo. A resenha demonstrou bem a verdade: foi um dos primeiros nacionais que me encantou.

Capa do livro Fuga de Rigel, de Diogo de Souza, pela Editora Isis

Agora, não fiz resenha de um livro fantástico que li, mas não suporto a ideia de não falar dele a vocês. Não, continuarei não fazendo resenha do dito cujo, porque não me acho digna de falar dele. Não tenho capacidade de elogiar em palavras humanas Reino das Névoas – Contos de Fadas para Adultos, da autora Camila Fernandes. Estará no 4º Indicações Fantásticas, e provavelmente estarei mais enfática do que de costume nos vídeos (piadas preparadas, eu sei que sou uma caricatura em pessoa falando). Eu só posso dizer uma coisa: quem comprar esse livro não vai se arrepender. Não existe forma de não gostar dele. Você pode não gostar de conos, de contos de fadas, de coisas que contenham conteúdo adulto, mas VAI GOSTAR desse livro. Simplesmente pue ele pega as suas expectativas e destrói todas elas com um sopro de fada, que é escrita da autora. Nada é de mais e nem de menos. Não tem exagero nem eufemismo. É na medida certa.

Se alguém me apontasse uma arma na cabeça e me dissesse para indicar um livro bom ou eu morreria, e eu não fizesse a menor ideia do que o cara gostasse de ler, ou SE ele gostasse de ler, indicaria Reino das Névoas. Simples assim.

Estou exagerando? Compre o livro, leia e depois conversaremos.

Capa de Reino das Névoas, feita pela própria autora, Camila Fernandes, que também fez as ilustrações internas. Saiu pela Tarja Editorial.

A única hipótese de um ser humano não gostar desse livro é ser um autor frustrado que não sabe escrever sentindo muita inveja.

Última aquisição: Tempos de AlgóriA, de Richard Diegues. Ainda estou na metade, mas estou encantada com a aparente simplicidade. Digo aparente porque é um livro gostoso e fácil de ler, as tramas fazem sentido na sua cabeça, e são tão reais quanto só a boa ficção sabe ser. A intenção do livro é ser um infantil que adultos possam ler de forma diferente e receber mensagens diferentes da que as crianças receberiam. Até onde posso dizer, essa meta está sendo brilhantemente atingida.

E só um profissional muito bom tem a capacidade de fazer parecer simples algo extremamente complexo como criar um mundo – um universo – totalmente diferente, criar identificação do leitor com esse universo, e ainda fazê-lo simples de entender.

Tempos de AlgóriA, de Richard Diegues, pela Tarja Editorial

 

PAUSA PARA REFLEXÃO.

Andei ouvindo/lendo comentários e indiretas de que sou uma puxa-saco. Devo dizer: eu SEMPRE elogio quando o trabalho merece ser elogiado, e elogio com toda a admiração que sou capaz de demonstrar, porque são pouquíssimas as pessoas no mundo inteiro que trabalham bem em suas áreas respectuivas. Se você achou isso absurdo, é porque a verdade dói.

E puxar saco é para quem precisa disso.

 

Cliente de TCC

Como estudante do último ano do curso de Publicidade e Propaganda, o Trabalho de Conclusão de Curso surgiu sobre mim. A proposta do TCC de PP é criar uma campanha completa para cliente real, inclusive com contrato assinado com a faculdade. Como sempre tendi a unir minhas paixões, é ÓBVIO que eu iria escolher uma editora.

Ponderei várias coisas: deveria ser alguém que fizesse trabalho de EDITORA, não de mera tradutora e distribuidora, portanto teria que publicar autores nacionais com frequência em seus catálogos. Seria bom ser de São Paulo, já que precisamos ter contato com o cliente. Precisaria ser de alguém que QUER ajuda – e esta parte dispensa comentários. Deveria ser alguém cujo catálogo aprecio, porque certos princípios éticos me fazem querer promover coisas boas, já que promover coisas ruins só afundaria mais ainda a literatura nacional como um todo.

Então convidei a Tarja Editorial para ser minha cliente de TCC e eles toparam na hora. Estou honrada em trabalhar com eles nesse momento tão importante da minha vida, e quanto mais sei da editora, mais encantada fico. Dentre os livros que já citei no blog, estão no catálogo deles Cyber Brasiliana, Reino das Névoas e Tempos de AlgóriA. Vou ler o catálogo inteiro até o fim do TCC, então não estranhem se eu começar a indicar muitos livros de lá.

Quando é bom eu indico. Quando é ruim vocês nem ouvem dizer que eu li. Essa é minha filosofia atual.

Entrevistas no Fantasticon 2011

Para quem não sabe, eu faço parte da equipe da Revista FANTÁSTICA, meu xodozinho, e realizei entrevistas com diversos autores que estavam por lá mas que não tinham participação em nenhuma das palestras.

Infelizmente não consegui entrevistar todos os autores, nem todos os editores presentes, mas com estes já dá para ter uma ideia.

Entrevista com Alexandre Herédia, autor de Predadores e a sequência, Emboscada, e do romance histórico O Legado Battori, pela Tarja Editorial.

 

Entrevista com Camila Fernandes, que lançou seu primeiro romance, o audacioso Reino das Névoas – Contos de Fadas para Adultos, pela tarja Editorial.

 

Entrevista com a Cris Lasaitis, autora de Fábulas do Tempo e da Eternidade e uma das organizadoras da antologia A Fantástica Literatura Queer, de temática que propõe a discussão da diversidade sexual (li o volume vermelho, e está impecável), também pela Tarja Editorial.

 

Entrevista com Claudio Villa, autor de Mundos de Mirr e do lançamento da Llyr Editorial, O Vento Norte. Aliás, você pode ver o booktrailer aqui.

 

Entrevista com Felipe Santos, autor de O Preço da Imortalidade, pelo selo Novos Talentos da Novo Século.

 

Entrevista com Marcelo Amado, editor da Estronho. Sucessode público essa 😀

 

Entrevista com Ana Lúcia Merege, autora de O Castelo das Águias pela Editora Draco e prefaciadora da coletânea Eu Acredito, sobre fadas, que sairá pela Etora Literata.

 

Entrevista com Marcelo Pachoalin, autor de A Última Dama do Fogo e Eriana – Filha da Vida e da Morte, pela Editora Literata.

 

Faltam subir alguns vídeos ainda: os da Nana Poetisa, Nelson Magrini e Gabriel Burani. Não esqueci deles. É que estão pesados e está difícil subir em menos de SEIS HORAS¬¬